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domingo, 3 de abril de 2016

Roteiro completo para obtenção da Certificação PMP (Gestão de Projetos)

O roteiro que você precisa seguir para passar no PMP de primeira está aqui. Siga-o e obtenha sua certificação com facilidade. Palavras de um alguém que, assim como muitos, não sente muito prazer em estudar e, ainda assim, conseguiu isso com certa tranquilidade.

O objetivo dessa publicação é servir como um roteiro completo mas principalmente como um motivador para aqueles profissionais que desejam tirar a certificação, mas por sempre terem aquela impressão de que é um caminho extremamente difícil acabam desistindo. E NÃO É DIFÍCIL. Posso lhes garantir que 3 anos de experiência são suficientes para atender aos requisitos, somados a mais 3 meses de estudos em um cenário favorável ou 6 meses em um cenário menos favorável (para aqueles que não podem priorizar tanto os estudos) para se preparar para o exame.

A Certificação PMP - Project Management Professional é o título emitido pelo PMI (Project Management Institute) mais reconhecido mundialmente na prática de Gestão de Projetos e pode ser obtido por qualquer profissional graduado que consiga comprovar 3 anos de experiência na área (não necessariamente com o cargo de Gerente de Projetos, mas atuando com Projetos em geral) e atingir aproximadamente 65% de acerto em um exame de 200 questões.

Um dos princípios do PMBOK (Project Management Body of Knowledge) é que, para ser um Gerente de Projetos, um profissional não precisa necessariamente ser especialista no tema abordado pelo projeto. Pode facilitar, mas não é uma condição mandatória. Isso significa, portanto, que apesar de a certificação ser principalmente almejada por profissionais de exatas (Engenharia, TI), ela pode ser um valioso título para profissionais de outras áreas. Basta eles terem bagagem e almejarem a carreira com projetos, seja lá qual for o ramo de atuação.


I. Se eu topar o desafio, o que terei de fazer?


Em termos práticos:
  1. Cadastrar-se no site do PMI (http://www.pmi.org);
  2. Realizar a inscrição inicial para o exame (o PMI irá validar ou não os seus dados, sem ainda verificar sua experiência na área);
  3. Pagar o exame (até o fim de 2015, a certificação custava US$ 555,00)
  4. Existe uma possibilidade (pequena) de você cair na auditoria, e ter que enviar documentações para comprovar sua experiência ao PMI;
  5. Se passar na auditoria (ou se simplesmente não cair na auditoria), agendar seu exame junto à Prometric (parceira do PMI pelo menos até o fim de 2015) em até 1 ano da data de pagamento.
  6. Acertar 140 das 200 questões do exame e, se não passar na primeira tentativa, terá mais 2, cada uma delas condicionadas ao pagamento de uma taxa (até o fim de 2015, a taxa para realização de um novo exame custava US$ 375,00).


II. Como obter sucesso?

Essa resposta é detalhada e dividida nos 6 tópicos abaixo. Vá diretamente ao que lhe interessar caso já possua algum conhecimento.

  1. Confirmar se você atende aos requisitos;
  2. Reunir o material de estudos necessário;
  3. Realizar a inscrição inicial;
  4. Planejar e finalizar os estudos;
  5. Realizar o pagamento e agendar o exame;
  6. Praticar simulados para validar os preparos técnico e psicológico.

1) Confirmar se você atende aos requisitos


O primeiríssimo passo é refletir se você atende aos requisitos exigidos pelo PMI. E aqui, ACALME-SE, não se subestime. Você pode já atender a grande parte dos requisitos e nem sabe. Falo isso porque antes de eu iniciar os estudos, muita gente tentou me desestimular com base no meu cargo (na época eu era Consultor Pleno) alegando que eu não atenderia a experiência exigida. Eu não caí na auditoria, mas uma colega de trabalho que tinha praticamente o mesmo histórico profissional que o meu caiu e passou tranquilamente na auditoria e no exame.

Os requisitos são 3:

  • Nível técnico ou Nível Superior;
  • Experiência na área:
    • Para quem tem nível técnico: 5 anos que contemplem 7500 horas de experiência com “liderança”/”direção” de Projetos;
    • Para quem tem nível superior: 3 anos que contemplem 4500 horas de experiência com “liderança”/”direção” de Projetos;
Veja bem: coloquei liderança e direção entre aspas pois aqui você não precisa ter um cargo majoritariamente de gestão. Você precisa apenas ter atribuições que envolvam skills de liderança e de gestão e, falando de Brasil, muitos profissionais, até mesmos de nível Júnior já têm alguma bagagem nesse sentido. Realizar uma reunião de kick-off, elaborar e atualizar cronogramas, entrevistar clientes e executar determinadas atividades já são exemplos de experiências que contam, se estiverem relacionadas a um projeto.

  • 35 horas de curso em Gerenciamento de Projetos através de um REP (Registered Education Providers).
TRANQUILO: Muitos não atendem a este último requisito. Basta fazer um curso de 2 a 3 semanas em uma instituição tal como Infnet ou Trainning. Não se esqueça apenas de confirmar se ainda são REP do PMI. Até o fim de 2015 o valor desses cursos girava em torno de R$ 700,00. Pechinche um desconto!
Somente a realização desse curso não prepara para o exame. É necessário autoestudo.

É importante atentar que estes requisitos precisarão ser declarados detalhadamente no site do PMI (vide passo 3 – Realizar a inscrição inicial), no entanto, você precisará comprová-los somente se cair na Auditoria do PMI, que seleciona o candidato aleatoriamente após a confirmação de pagamento. Eu, por exemplo, não caí, e não precisei comprovar nada (apenas declarei por escrito no site).


2) Reunir o material de estudos necessário

Existem vários materiais excelentes disponíveis. Mas aqui vai a primeira dica do Gabriel e que garantiu meu sucesso no exame de primeira (e olha que não sou daqueles que estuda muito). Você precisa, em ordem de importância:

  • Livro da Rita em Português (ele é conhecido como Livro da Rita, mas seu nome oficial é “Rita Mulcahys’s Preparatório para o Exame de PMP"). Rita já faleceu, mas deixou um legado gigante, tornando-se a principal referência no mundo para os que almejam obter a certificação.
  • PMP Fastrack em Português (para realização de simulados, adquirido juntamente com o Livro da Rita).
  • Um caderno para anotações.
  • PMBOK (Project Management Body of Knowledge) – apenas para dar uma folheada de leve e consolidar os conhecimentos adquiridos através do Livro da Rita, que é muito mais amigável e didático. O PMBOK funciona apenas como um Guia, e muita gente alega ter passado no exame sem nunca ter lido.

Considero válido também dar uma lida e ter sempre em mãos o PMP Handbook. Para uma visão geral do processo de certificação e esclarecimento de eventuais dúvidas, oficialmente oferecido pelo PMI.

3) Realizar a inscrição inicial

Se você já sabe que atende aos requisitos e já conseguiu ter em mãos o material que precisa para estudar, faça sua inscrição e comece a declarar sua experiência em http://www.pmi.org/certification.aspx.

Dica do Gabriel: se possível, declare somente as experiências das quais você ainda possui contato com o gestor com quem trabalhou em cada uma delas. Isto porque você dependerá dele se cair na auditoria, pois será necessário enviar ao PMI uma declaração de experiência assinada por esse gestor atestando que de fato você possui tais experiências.

Como ainda tenho contato com pessoas de duas das empresas que trabalhei e minha experiência nessas empresas foram suficientes para atender as 4500 horas, declarei somente as mesmas.

Nessa etapa você também preencherá outras informações, tais como sua preferência para realização do exame (se quer tradução para Português, se prefere fazer em papel ou em computador, se precisa de recursos de acessibilidade, etc). Há boatos de que a prova possui pequenos erros de tradução para o Português. Eu estudei e realizei todo o exame em Português e não identifiquei absolutamente nenhum problema. Acredito ainda que, mesmo que existam pequenos erros, eles não comprometam seu desempenho no exame. Ainda que você domine o inglês, se sua língua nativa é o Português, recomendo que utilize a tradução, afinal de contas, todas as questões aparecerão também em inglês na mesma tela.
Outro ponto é que realizando o exame através de computador (e não em papel) te traz o benefício de saber se passou ou não já no final do exame, assim que terminar.

Como declarar toda a sua experiência e demais dados é um pouco demorado, você já pode ir iniciando o passo 4 – Planejar e finalizar os estudos. Mas garanta que termine a inscrição antes de se aprofundar muito nos estudos, pois o PMI irá ainda validar seus dados antes de prosseguir com seu processo de elegibilidade. Essa validação levará de 2 a 3 dias e é bem simples, mas não deixa de ser um conforto a mais que você deve conseguir antes de investir muito tempo com estudo.


4) Planejar e finalizar os estudos

Aqui está a grande preciosidade dessa publicação. Apesar de todo o processo de inscrição, auditoria e pagamento, está aqui o fator que mais desmotiva as pessoas de não seguirem em frente em busca do PMP: os estudos. Siga pelo menos 6 dos 7 passos abaixo fielmente, e obtenha seu certificado.

  • Reflita sobre o tempo que você consegue ter disponível para estudar. Se consegue estudar 3 vezes na semana, ou se consegue estudar somente aos finais de semana, ou seja lá o que for. Após essa reflexão, tome a decisão entre obter a certificação após 3 meses de estudo ou após 6 meses de estudo. No meu caso optei por estudar de uma maneira mais tranquila, apenas aos finais de semana. E no final levei pouco mais que 6 meses estudando -- é normal que em um final de semana ou outro você não estude, mas a meta de obter a certificação deve sempre ser um motivador para que você corra atrás do que se propôs
  • Abra uma planilha - ou que seja um bloco de notas – e estipule suas metas, atentando para o total de páginas a serem lidas e em quantos capítulos elas se dividem. Segue o meu planejamento como ficou:
Figura 1 - Modelo de Plano de Estudos para o PMP

Durante esse planejamento, pondere (ou mesmo subestime) sua capacidade de cumprir essas metas, considerando seu nível de foco e também que essas metas não consistem somente em ler os capítulos, mas também em realizar anotações e os exercícios propostos ao final de cada um deles. Não faça um planejamento irreal.

Dica do Gabriel: Leia uma média de 4 capítulos por mês.

Feito o planejamento, seu estudo deve consistir no seguinte para cada capítulo:
  • Ler o capítulo, realizando em paralelo, em um caderno a parte, anotações de tudo que você entender como mais importante (Não escreva textos longos. Somente trechos ou palavras-chaves que te remetam a um conhecimento). Essas anotações servirão apenas para que, no final do estudo, você repasse todos os conteúdos e verifique se lembra de cada um deles. Não lembrando, a ideia é que você volte a ler determinado trecho do livro, e não a sua anotação. A anotação, portanto, é apenas para fins de confirmação se você absorveu ou não o conteúdo daquele capítulo;
  • Faça os exercícios de final de capítulo sem consultar o que acabou de ler/anotar.
  • Se estiver com um pouquinho mais de tempo e estiver estudando em dupla ou em grupos, antes de corrigir os exercícios, confronte as respostas de cada estudante e promova debates onde cada um tente convencer o outro de que suas respostas estão certas. Isso estimula o raciocínio e facilita na absorção do conhecimento.
  • Corrija os exercícios e adicione ao seu caderno o total de questões que acertou e o total de questões que errou. Anote a correção dos seus erros e a respectiva causa a ser eliminada (falta de atenção, interpretação errada da questão, falta de conhecimento, etc).
  • Dedique 10 minutos para folhear o respectivo capítulo do PMBOK e repassar os conceitos já estudados no livro.

Siga esses passos sistematicamente e obterá sucesso! Se você quer a certificação, é porque minimamente tem afinidade sobre os assuntos abordados pelo PMBOK. Como disse, eu mesmo não sou muito fã de estudar, mas os conhecimentos adquiridos são, de fato, muito interessantes e na medida em que você embarca na leitura e confirma que as técnicas transmitidas fazem sentido, o estudo flui de modo mais natural e prazeroso.

Durante os estudos e as anotações que fizer, estruture seu raciocínio de acordo com os capítulos: cada um deles aborda uma das 10 áreas de conhecimento (Integração, Escopo, Tempo, Custos, Qualidade, Recursos Humanos, Comunicações, Riscos, Aquisições e Partes Interessadas), além de outros capítulos tais como o sobre Processos de Gerenciamento de Projetos e o sobre Responsabilidade Social. Cada área de conhecimento possui uma quantidade de processos (5 em média):

Figura 2: Áreas de conhecimento do Gerenciamento de Projetos e seus Processos

Cada processo possui entradas (o que você precisa para iniciar tal processo), ferramentas/técnicas (como você realiza tal processo) e saídas (o que você tem ao final do processo). Conhecendo e entendendo a relação entre essas entradas, saídas e ferramentas com seus respectivos processos, você já domina o PMBOK.

Existem alternativas de estudos por processo de gerenciamento de projetos (Todos os processos de Iniciação, depois todos os processos de Planejamento, depois de Execução, depois de Monitoramento e Controle e depois todos os processos de Encerramento). Sugiro que estudem no formato do Livro da Rita mesmo, ou seja, por área de conhecimento (na ordem listada na Figura 2), pois o processo de aprendizado/consolidação dos conhecimentos é melhor segregado.


5) Realizar o pagamento e agendar o exame

Feito o pagamento (que no final de 2015 estava em US$ 555,00) o PMI levará de 3 a 6 dias para te retornar, confirmando o recebimento do pagamento e informando se você foi ou não selecionado para a auditoria.

Se você for selecionado para a auditoria, fique tranquilo. Tudo que você viu no passo 1 – Confirmar se você atende aos requisitos, é suficiente para que você siga em frente sem grandes problemas. O PMI vai te dar um bom tempo para reunir todas as documentações exigidas (mais de 1 mês), e o fato é que você consegue reunir tudo em menos de 1 semana se fizer os contatos que precisa com eficiência. Será solicitado:

  • Seu diploma;
  • Certificado do curso emitido pela REP (Registered Education Provider) reconhecida pelo PMI;
  • Assinatura dos seus superiores com quem você obteve as experiências declaradas no site do PMI (vide passo 3 - Realizar a inscrição inicial). O PMI irá fornecer um template para você imprimir e entregar para que estes gestores assinem. Cada gestor deve assinar um documento dedicado, e cada documento dedicado deve ser lacrado em um envelope, o qual deve ser assinado em sua aba (de modo que seja possível verificar que o envelope foi assinado pelo gestor depois de lacrado).

Envie essas documentações o quanto antes, pois até chegar nos Estados Unidos demora um pouco, principalmente se for enviada pela modalidade mais barata, que deve custar de 15 a 30 reais. Os Correios oferecem serviços de rastreamento e em que a correspondência chega em até 5 dias úteis, mas o valor salta para aproximadamente 100 reais.

Não tenho conhecimento de pessoas que caíram na auditoria, realizaram os passos acima e foram questionadas pelo PMI. Nas situações em que tomei conhecimento, eles simplesmente confirmaram o recebimento por e-mail e, em 2 ou 3 dias, liberaram o agendamento junto a Prometric.

Passando na auditoria (ou simplesmente não caindo nela), você já pode consultar as datas disponíveis para realizar o exame e agenda-lo.

O que garante o agendamento é um código que o PMI irá gerar para você, e que deverá ser preenchido no site da Prometric. O site do PMI e o PMP Handbook possuem todas as instruções para que você verifique as datas disponíveis para realização da prova e realize o agendamento. Se realmente já estiver na reta final dos estudos, agende a prova para no máximo 1 mês a frente. É tempo suficiente para que você recapitule o que considera de mais difícil, realize os simulados e mantenha o que estudou “fresquinho” em sua mente.

No Rio de Janeiro, até o final de 2015, o único centro disponível é o de Copacabana. No dia que fui, tinha inclusive um angolano que veio ao Brasil somente para realizar o exame (em tempo: ele passou!)


6) Praticar simulados para preparo técnico e psicológico

Existem outras opções de simulado, mas o PM Fastrack que acompanha o Livro da Rita foi o mais recomendado através das pesquisas que realizei com colegas de trabalho e pela internet.
Faça simulados reais: 200 questões para serem respondidas em até 4 horas. Isso te dá pouco mais de 1 minuto para cada questão. 

Outra dica do Gabriel: para não ficar paranoico com o tempo, limite-se a controla-lo de meia em meia hora, de modo que verifique se está cumprindo o seguinte:
Quando faltar...
Tem que restar, no máximo...
3:30 (210 minutos)
175 questões
3:00 (180 minutos)
150 questões
2:30 (150 minutos)
125 questões
2:00 (120 minutos)
100 questões
1:30 (90 minutos)
75 questões
1:00 (60 minutos)
50 questões
30 minutos
25 questões


Ou seja, a cada meia hora atinja uma meta de 25 questões realizadas. Assim fica mais fácil de você avaliar seu desempenho e, ao mesmo tempo, não se desconcentrar por causa do assombroso relógio contando na sua tela!

Para cada simulado realizado, reveja as questões que errou e a qual área de conhecimento elas pertencem. Em um cenário positivo, você não terá uma área de conhecimento que se destaque como a mais difícil (os erros ficarão distribuídos em quantidades próximas para cada área de conhecimento). Mas, caso veja que há sim uma área de conhecimento em que você possua mais dificuldade, dedique um tempo para revisá-la, com base nas questões que errou.

O sistema de prova do PMI não divulga o percentual de acertos após o exame, mas há indicadores que apontam que 65% é o percentual necessário para obter a certificação.

O PM Fastrack possui a opção “SuperPMP”. Realize-o pelo menos 1 vez depois de já ter atingindo 75% no simulado normal. Isto é, espera-se que na quarta ou na quinta vez que for fazer o simulado, você já esteja pronto para optar pelo SuperPMP: ele é um simulado que contempla somente as questões mais complexas, segundo o Livro da Rita.

Fazer muitos simulados não é eficaz: a quantidade de questões existentes é limitada e, ao invés de aprender ou consolidar seu conhecimento, você acaba decorando as questões e não tira proveito algum do recurso. Só realize os simulados depois de ter estudado.

Dica do Gabriel: limite-se a 5 simulados. Se realizou a etapa '4 – Planejar e finalizar os estudos' de acordo com o sugerido, irá obter sucesso e certamente no quarto simulado já estará superando 80% de acerto.

Na noite que antecede o exame, relaxe. Pois ele é cansativo e você deverá estar com a mente descansada. Memorize as fórmulas para que, assim que entrar na baia para realização do exame, tenha a capacidade de transcrevê-las para o papel. Isso é possível pois, apesar de a prova ser no computador, você receberá papel, caneta e lápis para rascunho, e nada te impede de realizar suas anotações no início da prova (folha de download). Um bom momento para fazer isso é nos 15 minutos iniciais, que são dedicados para instruções sobre como utilizar o sistema de prova, e não descontam dos 240 minutos que você terá para responder as 200 questões.

Pelo menos até 2015, das 200 questões do exame, 25 são experimentais e não contam pontos, e servem somente para fins de pesquisa do PMI. Isso significa, portanto, que das 175 questões válidas, você precisa acertar 114. De qualquer forma, como elas não são conhecidas e os 65% não são oficialmente confirmados, sua meta é acertar pelo menos 140 questões (70% das 200).

Siga o roteiro acima e dispense o meu “boa sorte”!


Pós-exame

Se ainda assim você não passar, reveja onde errou: foi falta de foco ou falta de conhecimento? Se foi falta de foco, faça mais simulados. Se foi falta de conhecimento, concentre seus estudos no capítulo que identificou ter mais dificuldades. Você terá mais duas chances dentro de um ano a contar da data de elegibilidade, e cada uma delas condicionadas a um novo pagamento, que até o fim de 2015 era de US$ 375,00.

Se passar, seu certificado estará disponível em formato digital em até 3 dias, e o impresso chega no seu endereço em até 2 meses. Não esqueça de solicitar seu broche que, apesar de requerer uma ordem de compra no site do PMI, é grátis.



Não esqueça também de se informar sobre os 60 PDUs a serem obtidos a cada três anos, que são pontos que você deverá acumular afim de atualizar seus conhecimentos e manter sua certificação ativa.

Outro ponto a manter em mente é que o resultado e o "proveito" nem sempre vêm na hora. Após meses de estudo e todo um preparo para realização do exame, a obtenção da certificação muitas vezes não te traz um retorno imediato (como um aumento de salário). E isso pode gerar um pequeno sentimento de dúvida se o esforço investido valeu a pena.
O resultado é sutil e muitas vezes indireto: as pessoas com quem você irá se relacionar no ambiente profissional passarão a te enxergar com outros olhos e depositarão maior credibilidade em você no dia a dia. E isso sim, a médio prazo, abrirá portas e trará recompensas que podem inclusive ser mais sólidas e satisfatórias que (ou mesmo um caminho para) um aumento salarial.


Por favor, se utilizarem de alguma forma esse roteiro como base, me digam o que acharam, e se ajudou. Abraços!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cargos de TI: O Desenvolvedor



Na última postagem dessa categoria, falei um pouco sobre o real analista de sistemas, o cargo mais popular da área e que muitas vezes é utilizado para intitular profissionais que na prática acabam desempenhando outras funções. Entre estes os desenvolvedores...

...Ou programadores. Talvez o grupo que possua os profissionais mais fanáticos pelo que fazem no mercado de tecnologia. Há até alguns que digam que quem não desenvolve não trabalha com tecnologia.
Mas o que um desenvolvedor faz, afinal de contas? Esse talvez seja o tópico mais arriscado de se redigir, pois sempre falta algo a dizer e corro o risco de ser acusado de estar diminuindo a classe. Os desenvolvedores são unidos! O que não falta são fóruns e comunidades com discussões e troca de conhecimento sobre as tendências dessa área que para muitos chega a ser um estilo de vida. Portanto, quem quiser ter um entendimento mais técnico e mais aprofundado, pode contar com a ajuda do nosso amigo Google, que eu vou apenas passar uma visão geral para aqueles que não têm ainda muita ideia de como eles botam a mão na massa e fazem esse mundão todo virtual girar!

Todos os programas (softwares) que utilizamos, sejam softwares corporativos mais robustos como o SAP, até os mais simples de automação de um caixa, passando pelos sites que acessamos na internet, como esse blog aqui, funcionam como resultado de um conjunto de códigos, ou seja, comandos organizados de maneira lógica que são capazes de informatizar qualquer tipo de operação. Usando uma operação simples para ilustrar, vamos pensar num cadastro em algum site, por exemplo:

Programa cadastro do site do zé
Variáveis nome, endereço, telefone.
Imprima “Digite seu nome:”;
Leia nome;
Imprima “Digite seu enderço:”;
Leia endereço;
Imprima “Digite seu telefone:”;
Leia telefone;
Fim.

A partir desta sequência de comandos já podemos observar coisas simples (mesmo que eles não sejam exatamente com esses nomes em português). O que está em negrito representa um comando já entendido pelo computador, que irá executar ações já pré-configuradas. No caso do imprima ele entenderá que tudo o que está entre aspas deverá ser exibido na tela para o usuário. Outro ponto que podemos notar já de cara, é que cada comando é separado por um ponto e vírgula. Ou seja, o programa só irá exibir na tela “Digite seu endereço”, depois que executar o comando “Leia nome”. O comando leia, por sua vez, indica ao computador que ele deverá guardar um valor, que poderá ser utilizado e modificado posteriormente. Isso funciona graças às variáveis, que funcionam como “caixinhas” que guardam valores de diversos tipos, sejam eles números inteiros, decimais, letras ou datas.

O exemplo de programação que vimos é chamada de programação estruturada, que roda justamente de maneira sequencial, ou seja, uma linha após a outra. O tipo de programação mais utilizada no mercado é a programação orientada à objetos, por diversas qualidades que a fazem superar a programação estruturada, como maior facilidade na manutenção do código e reutilização de comandos e comportamentos para várias partes do sistema - afinal um sistema comercial possui milhares de linhas de códigos, e não só nove como no exemplo.
E como esses códigos são interpretados? Os códigos são implementados em IDE’s, que são outros programas que funcionam como ambientes específicos para desenvolvimento, facilitando o trabalho dos desenvolvedores. As IDE’s verificam se o código está correto e traduzem os comandos de forma que o computador processe as informações adequadamente.

Olhando de uma visão mais macro, o desenvolvedor vai fazer com que o sistema funcione e manipule as informações que serão inseridas nele de maneira correta, por meio de comandos organizados de maneira lógica. O trabalho dele dá continuidade ao trabalho do analista de sistemas (ou analista de negócios, que falaremos mais a frente), que já levantou todas as necessidades do cliente e as especificou de forma apropriada para facilitar o entendimento de quem vai desenvolver. Para fazer um comparativo, o analista de sistemas entende da tecnologia, mas foca em entender o cenário do cliente e traduzi-lo de maneira mais técnica para o desenvolvedor, enquanto este foca nas questões técnicas de desenvolvimento, tendo o papel de escrever um código limpo, de fácil entendimento para outros desenvolvedores que venham realizar manutenção naquele código, entre outras boas práticas.

Existem diversas linguagens (conjunto de comandos) conhecidas no mercado de software utilizadas para desenvolvimento, como Java (da Oracle) e ASP (da Microsoft). Uma área que tem crescido bastante ultimamente é o de desenvolvimento para dispositivos móveis, devido a consolidação do Android (da Google) e do iOS (da Apple) como os principais sistemas operacionais do mercado.
Os sites de todas essas tecnologias possuem um vasto conteúdo e fóruns de discussão para iniciantes que desejam ingressar de vez na área de desenvolvimento. Há ainda diversas comunidades de código aberto, onde sistemas são desenvolvidos de maneira colaborativa por qualquer pessoa no mundo! O navegador Firefox, da Fundação Mozilla, é um exemplo de sistema que possui diversas versões e com possibilidade de desenvolvimento em código aberto para a comunidade de software - um dos fatores que contribuem para que ele seja grátis!

As certificações mais cotadas da área são as que reconhecem o profissional pelo conhecimento das próprias linguagens, como por exemplo a OCJP (Oracle Certified Java Professional) que certifica desenvolvedores especialistas na linguagem Java, e também as que reconhecem o profissional pelas habilidades com metodologias de gerenciamento de projetos de desenvolvimento de software, como a CSM (Certified Scrum Master) que certifica desenvolvedores especialistas em Scrum, um conjunto de boas práticas para gestão de projetos voltados para desenvolvimento de sistemas.

Por ser o cara que “põe a mão na massa” e “faz a coisa acontecer”, o desenvolvedor foi um dos primeiros profissionais que surgiu no mercado de tecnologia, e até hoje é um cargo bem remunerado. No entanto com a evolução da TI e a maior necessidade de entrosamento com as áreas de negócio, outras profissões foram surgindo, e o desenvolvedor por ser um profissional muito especializado, acaba tendo isso como um limitador para continuar a crescer nas áreas. A bagagem e experiência que só eles têm são um prato cheio para virarem excelentes gestores, pois entendem cada detalhe da técnica. No entanto o mercado ainda carece dessa versatilidade num profissional: justamente por realizarem tarefas muito técnicas, poucos possuem perfil para gestão e liderança.

Muitos profissionais da área afirmam que ter experiência como desenvolvedor é algo mandatório para crescer no mercado de TI. Apesar de eu considerar que faz sim uma grande diferença, sugiro aos que não gostam de desenvolvimento que sigam em frente mesmo assim e não desistam da faculdade – há uma grande evasão nas faculdades de tecnologia por conta das disciplinas de desenvolvimento de software. É possível trilhar uma boa carreira na área de tecnologia sem precisar atuar com desenvolvimento. Mas é preciso ter em mente que desenvolvimento é algo essencial, e de alguma forma você terá que conviver com essa área e ter o mínimo de conhecimento sobre ela.

Na próxima postagem dessa sequência, falaremos um pouco sobre as atribuições do Analista de Teste. Profissional que talvez seja o que mais interaja com o Desenvolvedor.

Comente e exponha sua opinião sobre o assunto e sobre o ponto de vista relatado! Um abraço.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Apaixonante TV Globo!


Tudo bem que antes de passar por lá eu já tinha grande identificação pela marca e muita admiração pelas suas produções. Mas temos de admitir que muitos dos que a criticam também a admiram. E se não admiram, é porque provavelmente não a conhecem. Eu conheci um pouquinho desse mundo, e me despedi essa semana... dias depois da comemoração dos seus 47 anos.

O texto a seguir expressa opinião e ponto de vista pessoal, que podem variar de acordo com as experiências vívidas por cada colaborador, e não necessariamente refletem as estratégias ou a posição oficial da empresa perante a sociedade e seu público interno.

Para uns “Rede Globo” e para outros “TV Globo”. No fim dá tudo no mesmo, mas para quem está lá dentro é básico entender que TV Globo é a empresa com sedes no Rio, São Paulo, Minas, Brasília e Nordeste. E Rede Globo é o canal de programação nacional exibido tanto pelas emissoras da TV Globo quanto pelas suas afiliadas. É isso mesmo, Arnaldo?
Globo.com, Editora Globo, Rádio Globo, Globosat (GNT, Viva, Multishow, etc), Som Livre e Infoglobo (Extra, O Globo e Expresso) já são empresas abaixo do mesmo guarda-chuva, a holding Organizações Globo, mas estão hierarquicamente na mesma esfera que a TV, que é o carro-chefe. E agora, Arnaldo?

As áreas da TV são formadas por uma sopa de letras, denominadas formalmente como centrais. Dentre as mais conhecidas, as áreas de entretenimento (CGP - Central Globo de Produção), onde são produzidas as novelas e grande parte do conteúdo de entretenimento, esportes (CGESP), responsável por adquirir os direitos de transmissão dos eventos esportivos, jornalismo (CGJ), responsável pelo G1 e pelas diversas editorias do jornalismo, e comunicação (CGCOM), responsável por representar oficialmente a empresa perante a sociedade, e também responsável pelas ações tanto sociais - como o Criança Esperança e o Ação Global – quanto promocionais - como criação de vinhetas e chamadas de programas.

Pra quem chega, é normal se encantar logo na primeira semana quando ocorre a ambientação.
Seja no Jardim Botânico, nos estúdios de jornalismo ou nas outras dezenas de localidades – reza uma lenda que no Jardim Botânico há mais funcionários da TV Globo do que moradores... (e vêm mais alguns prédios por aí!);
Seja em Curicica, no Projac (assim chamada até hoje a CGP desde o tempo de sua concepção) e seus carrinhos “de golf” para perambular pelas dezenas de ruas e vielas, acessar as cidades cenográficas, praças de alimentação, agências bancárias, árvores que só ali são encontradas, a fábrica de cenários, estúdios, e estoque de figurinos que mais parece essas lojas de departamentos, impecavelmente organizado por ordem cronológica e sinalizado com a tradicional Globoface, presente desde as aberturas de novelas até as plaquinhas de “Ao sair apague a luz” nas salas. Salas estas que por menor que sejam, possuem uma televisão ligada.

 
Há quem se encante tanto com esse mundo ‘mágico’, que acaba se frustrando ao entrar na rotina de trabalho de uma empresa que no final das contas é igual às outras: não é possível participar de toda a diversidade formada por engenheiros, cabeleireiros, atores, câmeras, designers, camareiros, motoristas, repórteres e... sei lá!!! Nutricionistas, ex-atletas e gente de tudo quanto é área que se possa imaginar.

Há quem reclame de como alguns dos processos administrativos são conduzidos, esquecendo que, independente de qualquer dificuldade, autonomia e recursos para um bom trabalho não faltam, o todo funciona, e o produto final é infinitamente superior ao da concorrência. O Brasil é um dos poucos países onde um único canal é líder de audiência numa faixa de horário em todos os dias da semana. Isso graças, por exemplo, aos capítulos contínuos das novelas, que retratam parte da nossa cultura - seja isso bom ou ruim, é um dos negócios mais bem sucedidos da nossa indústria.

E há também quem enxergue determinados desafios como uma grande fonte de oportunidades. A vantagem está justamente em praticar o que a empresa faz de melhor: a comunicação. A necessidade de falar e se aproximar de pessoas, trocar idéias em busca de resultados e aproveitar a autonomia que existe em função disso para, quem sabe, criar novas soluções numa empresa que investe pesado em inovação e busca continuamente aperfeiçoar ainda mais sua estrutura e seus processos – mesmo que as vezes de forma -estrategicamente- lenta.

Outro ponto a ser destacado é o forte endomarketing. Nesses 16 meses, quantos filmes assisti e quantos eventos pude participar graças às promoções culturais do Espaço Globo, que aproxima e cativa ainda mais o funcionário.

O que eu posso dizer é que essa cultura tão diferenciada me deu uma excelente base profissional, no meio de estrelas que agem com naturalidade e simplicidade, e pessoas normais que agem como se fossem estrelas ou modelos desfilando pelas calçadas do Jardim Botânico com seu crachá com o globo dos anos 90 pendurado no pescoço.
A adaptação nos seis primeiros meses foi difícil, mas o aprendizado foi imenso. E para os que vão estar por lá nesses próximos anos, muita coisa por vir, com inauguração de novos espaços, transmissão mundial de Copa do Mundo e os 50 anos da TV. Gostaria de encarar ou no mínimo presenciar os desafios que surgirão. Mas infelizmente não pude deixar de abraçar as oportunidades que apareceram pra mim.
É uma empresa que sem dúvida recomendo a profissionais de todas as áreas. Afinal estamos falando de uma empresa de comunicação social, tecnologia, broadcasting, jornalismo, entretenimento, cinema e qualquer outra coisa que você queira atribuir, ela pode ser associada de alguma forma.

Então aqui fica o meu tchau com um friozinho no peito. Sentirei saudades! E espero estar de volta em algum momento...

CGIAP (Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio) - Divisão de Sistemas

sábado, 28 de abril de 2012

Cargos de TI: O Analista de Sistemas


Na postagem anterior passei um pouco da minha visão sobre as atribuições do Analista de Suporte, e agora chegou a vez de falar do cargo que é o mais utilizado de forma errônea no mercado: o Analista de Sistemas.

Muitos profissionais - que apesar de serem sim analistas – recebem essa nomenclatura mas executam tarefas que muitas vezes passam longe da atribuição real de um Analista de Sistemas.  E isso se dá pelo fato de não existir um curso de graduação em “Análise de Suporte” ou “Análise de Processos”, por exemplo, que são áreas de atuação específicas mas que recebem muitos profissionais do curso de Análise de Sistemas.

O Analista de Sistemas, teoricamente, é o profissional que estará envolvido em projetos de desenvolvimento ou manutenção de sistemas, mas não necessariamente irá programar, ou seja, manipular diretamente os códigos-fontes que fazem um sistema 'rodar'. Essa é a atribuição do Desenvolvedor (ou Analista Desenvolvedor), cargo que será abordado em outra postagem. O Analista de Sistemas, no entanto, talvez seja o profissional que tenha mais interação com o Desenvolvedor (programador), pois é ele quem projeta o sistema, ao mesmo tempo que tem uma visão mais próxima à do usuário. Antes de um sistema começar a ser codificado, ou seja, construído, muitas informações são levantadas, no intuito de garantir que as necessidades do cliente vão ser atendidas, e de que os riscos (de erros ou da construção de um sistema pouco aderente) durante o projeto sejam minimizados.

Cabe ao Analista de Sistemas analisar os requisitos funcionais e não funcionais, ou seja, requisitos de funções que o sistema deverá ter, e requisitos de qualidade: performance do sistema, facilidade em seu uso (usabilidade!), proteção das informações, etc. Com essa frente junto ao usuário – ou ao Analista de Negócios, outro cargo que veremos mais para frente – o Analista de Sistemas deve interpretar de forma correta a necessidade do usuário, e mais importante, deve ter a capacidade de entender se o que o usuário está solicitando é coerente: praticamente todos os usuários não conseguem expressar tudo o que desejam, e quase sempre descrevem suas necessidades de maneira “traiçoeira”, pois, por já terem uma visão voltada para o negócio, não conseguem ter uma visão mais sistêmica para explicar o que realmente precisam.
Esses requisitos são coletados de diversas maneiras: por meio de questionários, por meio de estórias de usuários (uma tarefa dentro do processo de trabalho do usuário do sistema a ser construído), ou mesmo acompanhando o dia a dia do usuário, vendo de perto como o processo de trabalho dele é conduzido, ou seja, levantando o que chamamos de “as is”.

Além dos requisitos, que é a língua do usuário, o Analista de Sistemas desenha (modela) diagramas que facilitam o entendimento de quem vai desenvolver o sistema e focar na parte técnica: códigos, configurações, testes e lógica de programação. Alguns desses diagramas são:

Caso de Uso - onde são definidos todos os perfis de usuários e o papel de cada um dentro do sistema. Exemplo: Num sistema de hospital podem existir dois perfis: secretária e médico, onde a secretária vai agendar os pacientes para os médicos e os médicos por sua vez registrar o diagnóstico de cada paciente.

Diagrama de Classes – onde são definidos os conceitos do negócio e a relação entre eles. Exemplo: O sistema deverá guardar dados de Usuários, que podem ser médicos ou secretárias; deverá guardar dados do paciente, que só será vinculado a um médico após a geração de uma Ficha de Atendimento, que deverá conter informações pré-definidas de diagnóstico e assim por diante.

Diagrama de Atividades – onde são definidos fluxos de atividades (interações) a serem realizadas no sistema. Exemplo: Secretária agenda paciente para Médico (a), que gera Ficha de Atendimento (b) com determinado diagnóstico (c) e finaliza consulta (d) com a opção de imprimir uma receita (e).

Entre outros como Diagrama de Implantação, Diagrama de Fluxo de Dados, Diagrama de Componentes, etc.

O padrão mais difundido para modelagem desses diagramas é a UML (Unified Modeling Language), que possui duas categorias mais genéricas de diagramas: Os comportamentais e os Estruturais. Uma das ferramentas freeware (grátis!) mais conhecidas para modelagem em UML é o Astah Community, que possui interface amigável e ótima usabilidade.
A UML é definida pela OMG, que oferece certificações na área em três níveis: fundamental, intermediate e advanced.

Bom pessoal, procurei descrever de forma mais ilustrativa e abrangente as reais atribuições de um Analista de Sistemas, com uma abordagem diferente do que estamos já acostumados a ler em Wikipedias da vida. Essa é uma visão que eu tenho da atualidade, que pode continuar sofrendo alterações afinal TI é um mercado que sofre constantes mudanças. Pelo que leio, muitas das atribuições acima são conduzidas em várias situações pelos próprios Desenvolvedores; consequência da difusão de novas práticas, padrões de projetos e metodologias adotadas no mercado.

Quem for da área deixe sua opinião, e quem não for aponte no caso de algo não ter ficado claro!

Mais pra frente falarei um pouco dos seguintes cargos: Desenvolvedor, Analista de Teste, Analista de Implantação, Analista de Banco de Dados (DBA), Analista de Negócios, Analista de Projetos, Analista de Processos, Analista de Arquitetura de TI e Auditor de Sistemas.

Um abraço!

domingo, 15 de abril de 2012

Cargos de TI: O Analista de Suporte

Dando continuidade aos tópicos sobre informática/TI – onde inicialmente foi passada uma visão sobre os cursos da área – para quem ainda está querendo se encontrar nesse mundo, inicio aqui uma coletânea de postagens com uma visão geral sobre os principais cargos da área de tecnologia e certificações para as suas diversas áreas de conhecimento. 
Cada cargo possui suas atribuições e peculiaridades, no entanto qualquer curso de tecnologia abre portas para todas as áreas de atuação, basta você se interessar e manter o foco nos estudos direcionados. 

Inicialmente, são abordados nessa coletânea os seguintes cargos: Analista de Suporte, Analista de Sistemas, Desenvolvedor, Analista de Teste, Analista de Implantação, Analista de Banco de Dados (DBA), Analista de Negócios, Analista de Projetos, Analista de Processos, Analista de Arquitetura de TI e Auditor de Sistemas.

Comecemos com o Analista de Suporte!

Esse profissional é o que vai estar sempre em contato com os problemas e dúvidas dos usuários ou com as mudanças realizadas no ambiente de TI. Conforme a idéia já passada no tópico sobre help-desk, ele geralmente começa atuando no primeiro nível, ou seja, atendendo todos os relatos dos usuários, resolvendo problemas mais conhecidos por telefone, ou registrando e direcionando os mais complexos para um profissional do próximo nível.

O analista de segundo nível é o que vai até o local, caso haja necessidade, para resolver problemas de complexidade intermediária ou problemas físicos, ou seja, relacionados ao hardware.

Quando o analista de segundo nível não consegue resolver o problema, ele encaminha todas as informações já levantadas para alguém da equipe de terceiro nível, compostas por profissionais especializados em diferentes competências: redes, sistemas operacionais, softwares ou hardware. O analista de suporte de terceiro nível pode atuar também em áreas mais voltadas para infraestrutura de redes, servidores, etc.

Problema do usuário resolvido, o primeiro nível é acionado para dar um retorno ao usuário e registrar um feedback sobre o atendimento. Perceba que o terceiro nível geralmente não faz contato direto com o usuário. Ele se concentra majoritariamente nos problemas já levantados pelos níveis anteriores. No caso de o problema ainda assim não ser resolvido, o mesmo já e enviado para outra esfera: os desenvolvedores do produto/serviço em questão (cargo que falaremos em outra postagem).

Apesar de ser um instrumento que pode ser utilizado em qualquer tipo de trabalho, o analista de suporte trabalha a todo o momento atualizando e consultando uma base de conhecimento (knowledge base), onde registra causas-raíz, ações, prevenções, investigações e soluções para problemas de diversas classes (rede, hardware, software, por exemplo), fazendo com que essa informação seja disseminada entre toda a equipe, independente do nível. Isso evita reincidências e agiliza o atendimento de um problema que, por mais complexo que seja, já possui sua solução conhecida.

Existem diversas certificações para o profissional que deseja ganhar visibilidade no mercado de suporte. O ITIL (Information Technology Infrastructure Library), por exemplo, é uma das principais certificações do mercado de tecnologia, e define as melhores práticas e processos para gestão, operação, manutenção e infraestrutura no ambiente de TI. A certificação possui 3 níveis: Foundation, Intermediate, Expert e Master.
As certificações costumam se adaptar às mudanças do mercado, e o ITIL por exemplo, está na sua 3ª versão. Portanto o profissional que consegue um certificado v3, é considerado mais atualizado que um profissional v2.

Outras certificações para a área de suporte são as da Microsoft, como a MCTS, MCITP e MCDST, detalhadas nesta página da empresa.

A área de Redes também possui boas certificações como CCNA, CCNP e CCIE (Cisco Certified Network Associate, Professional e InternetWork Expert, respectivamente) da gigante Cisco.

Estas certificações são muito valiosas e por outro lado são boas estratégias de empresas que já dominam o mercado, para fidelizar ainda mais seus profissionais. Assim eles se especializam e ganham status em cima da própria empresa. No final das contas, além de pagar para obter a certificação, ele vai promovê-la ainda mais, afinal foi a especialidade dela que o profissional desenvolveu.

É isso. Recordo que quando entrei na faculdade alguns professores menosprezavam a profissão de analista de suporte, infelizmente. Pois o que eu tenho visto é que é um profissional que, se especializando na área, pode sim ganhar excelentes salários, principalmente se trabalhar com infraestrutura.

Na próxima postagem será mostrado um pouco sobre o Analista de Sistemas, que apesar de ser o termo mais utilizado pelo mercado - muitas vezes de maneira errônea - possui atribuições específicas e que o diferenciam muito dos outros profissionais de tecnologia que muitas vezes são classificados como do mesmo cargo.

Comentem e acrescentem mais informações!

sábado, 31 de março de 2012

Chico se foi, mas Bozó continua imperando

Para quem não conhece, Bozó foi um de centenas de personagens criados por Chico Anysio, que fazia questão de mostrar seu crachá de funcionário da Globo e achava que, por isso, era importante e poderia passar por cima dos outros mortais.
Não sei se a intenção foi essa, mas Chico, reafirmando o objetivo do humor perante a sociedade, bolou uma das críticas mais pertinentes que já pude admirar, e que ainda assim era positivo para a imagem da própria TV Globo.

Em um dos poucos episódios que pude assistir (e se alguém encontrar o vídeo peço que compartilhe pois vagamente me recordo), Bozó estava na Escolinha do Prof. Raimundo quando foi questionado pelo professor sobre algo que não era de seu conhecimento. Bozó replicou e se negou a responder, se desfazendo daquilo. Afinal ele trabalhava na Globo. E como já era esperado, seu ouvinte achou aquilo sensacional e começou a indagá-lo:

Bozó trabalha na Globo!
- O que você faz lá?!!?
- Trabalho na Ana Maria Braga.
- Legal, você é diretor dela?
- Não.
- Hum.... você é a Ana Maria Braga?!
- Não, eu fico do lado dela...
- Você é o Louro José?!!
- Não... quase isso!
- Você é o rapaz que faz a voz do Louro José?!?
- Não... eu sou o que troca o jornal quando o Louro faz suas necessidades...



Esse episódio retrata de forma brilhante o ar superior inspirado por milhares de funcionários (não só na Globo, mas várias empresas de ponta como Vale, Petrobrás, EBX) de cargos, digamos, populares, como se fossem grandes executivos ou estrelas. Não que estes possam, de fato, agir com soberba, mas na cabeça dos Bozós, eles devem ser assim.
E, pelo contrário, o que acaba-se vendo pelos corredores dessas empresas são gerentes, diretores e artistas que olham no olho, cumprimentam e agem com cordialidade, enquanto funcionários de cargos hierarquicamente inferiores, andam com suas camisas quadriculadas da Tommy Hilfiger, crachás no peito e narizes apontando para o teto com poses de estrela. Há ainda o tal hábito da avaliação do crachá, no qual desdenham dos que tem crachás de outras cores, como na Petrobrás onde os prestadores de serviços possuem crachás marrons, e na Globo, onde estes possuem crachás na cor branca.

Como reforcei, esse senso de pertencimento deturpado - causado involuntariamente por corporações de sucesso - talvez seja mais comum na Globo justamente pelo impacto que a marca Globo causa na maioria das pessoas, até mesmo nas que a criticam, e a repercussão que suas produções geram.
Mas em todas as grandes organizações é possível encontrar gente com tal comportamento, que andam pelas ruas e sobem nos ônibus com seus impecáveis crachazinhos no peito e suas cordinhas comerciais que estampam o nome das empresas de que tanto se orgulham em trabalhar. Moradores do Jardim Botânico e amigos de 460 ou 439 que o digam.

Compartilhar com amigos e família o prazer de fazer parte de uma grande organização, ter para si o crachá como medalha de uma grande conquista, ter empolgação com a empresa onde se trabalha e vestir a camisa é totalmente positivo - confesso que eu também faço. Mas agir como se fosse "A Empresa", ou como se isso o tornasse superior a alguém ou até mesmo a outros funcionários, é totalmente baixo. É trocar caráter e profissionalismo por status e falta de ética com a própria empresa.
O orgulho de se trabalhar numa grande corporação e a identidade que um funcionário possa vir a ter com a empresa requer controle, e é necessário que ele tenha cuidado consigo mesmo para não se tornar mais um Bozó, e acabar ficando até a sua aposentadoria como um, trocando jornais de baixo do Louro José.

Quem quiser ir mais a fundo, pode dar uma conferida nessa matéria que achei enquanto digitava esse post, do Globo, feita há pouco mais de um mês:


Abraço e comente sobre o que acha a respeito!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Área fim ou área meio?

Ao ingressar no mercado de trabalho ou mesmo ao procurar um novo emprego, geralmente um profissional busca ou bons salários, ou uma empresa de renome que valorize seu currículo. E se ambos os casos forem possíveis, melhor ainda.
Mas um questionamento que deve ser feito em complemento a esses dois quesitos e muitas vezes é ignorado, é com relação ao papel que o profissional vai exercer dentro da empresa e as conseqüências - positivas e negativas - que sua decisão pode lhe proporcionar.

Usando a área de TI como exemplo, temos os seguintes cenários:

TI como atividade fim: Profissionais que irão criar soluções para o mercado, vendendo produtos e serviços de software (programas de computador) ou hardware (equipamentos de informática) para outras empresas. Exemplo: Engenheiro de Software que trabalha na IBM.

TI como atividade meio: Profissionais que irão tomar decisões e definir estratégias de implantação de soluções de tecnologia que melhor apóiem o negócio (área fim) da sua empresa. Exemplo: Engenheiro de Software que trabalha na Chevrolet.

Esses 2 “cenários” se enquadram em qualquer ramo; como o publicitário que trabalha no departamento de marketing de uma rede de hospitais e um médico que trabalha no departamento de RH de uma empresa de publicidade (ou seja, ambos exercendo atividades meio), ou por fim um publicitário que trabalha de fato numa empresa de publicidade e um médico que trabalha em um hospital (agora ambos exercendo atividades fim).

Não existe uma opção que seja a mais adequada, pois a decisão vai depender do perfil do profissional, e quais interesses ele tem pra sua carreira, pois ambos os cenários trazem benefícios, que podem ser mesclados com outros quesitos e até servir de diferencial na hora de optar por um emprego ou outro ou até definir que área de conhecimento seguir dentro da sua formação.

A seguir temos as conseqüências, boas e ruins, ao se trabalhar em ambos os cenários:

Profissionais atuando em áreas meio:
Com a forte tendência de terceirização das áreas meio, esses profissionais geralmente ocupam poucos cargos dentro da empresa. Cargos estes que têm muito mais o papel de representar a empresa como cliente e gerir as atividades realizadas por terceiros ou vendidas por fornecedores, traçando estratégias e defendendo os interesses de negócio da empresa, ao invés de colocar a “mão na massa” nas atividades. Portanto, a tendência é de serem profissionais que:

- Atingem cargos de gestão com mais facilidade;
- Têm maiores salários em longo prazo;
- Têm perfil generalista (conhecem vários assuntos, superficialmente);
- Por atuarem em áreas meio, são menos valorizados dentro da empresa, tendo menos poder de influência no planejamento estratégico.
- Têm menos chances de ocupar cargos do alto escalão, pois fazem parte de setores que apenas apoiam o core-business da empresa;
- Têm, no entanto, maiores chances de praticar o networking;
- O salário pode demorar mais a aumentar, mas em longo prazo, é o perfil de profissional que tende a ganhar maior remuneração.

O essencial nesse caso, é que o profissional atue em uma empresa de renome, pois, como terá mais chances de atuar com gestão do que atuar com alguma especialidade, o que irá valorizá-lo no mercado não são os conhecimentos específicos, mas sim a diversidade de desafios que a corporação o impôs. Entretanto, é importante que busque um diferencial, se especializando em alguma área de conhecimento.

Profissionais atuando em áreas fim:
Podemos dizer que estes profissionais são as estrelas. Apesar do status dentro da empresa, geralmente têm um nível de cobrança muito maior que os demais que atuam em áreas meio. No entanto, a remuneração - e eventuais bonificações – também tende a ser maior. E como fazem parte do core business, eles são o coração da empresa. Seus cargos não podem ser ocupados por terceirizados. Portanto, a tendência é de serem profissionais que:

- São valorizados dentro da empresa, o que aumenta as bonificações e sua visibilidade;
- Têm maiores chances para ocupar um cargo do alto escalão, pois são especialistas no que é vendido pela empresa;
- Têm perfil especialista (conhecem profundamente de um determinado assunto);
- Não têm, na maioria dos casos, perfil para assumir cargos de gestão, o que pode ser um limitador em suas carreiras, tendo de atuar sempre na mesma área específica;
- Têm mais chances de se recolocar/encontrar melhores oportunidades no mercado de trabalho.
- O salário pode aumentar de maneira mais rápida, mas a tendência é que a longo prazo tenha remuneração menor do que os com perfil de gestão.

O profissional que atua em área fim, geralmente não precisa focar em qual empresa irá trabalhar, mas sim o que de conhecimento técnico ele poderá agregar dentro da corporação. Pois é isso que o valorizará no mercado. De qualquer forma, se conseguir unir o útil ao agradável, trabalhando na área fim de uma grande empresa, o sucesso é certo.

Concluindo, caso ainda assim haja dúvida; o ideal sempre é buscar primeiramente empresas menores que consequentemente te farão agregar maior conhecimento (pois você terá mais responsabilidades), para depois buscar empresas de renome. Pois se você pode crescer e ganhar títulos maiores em empresas pequenas de maneira mais rápida, por que tentar o caminho mais longo numa grande empresa onde a competição é bem maior?

É claro, os pontos apontados não são uma regra, pois muitos fatores influenciam nesses cenários, como tamanho e cultura da empresa, tendências de mercado, desempenho do profissional, etc. E principalmente, o perfil do profissional, e que tipo de atuação o mesmo vai querer ter: o que diz aonde se deve chegar, ou o que sabe como chegar? O médico da melhor rede de hospitais da cidade, ou o médico da Toyota? Trabalhar com planejamento de projetos de TI variados, ou trabalhar em projetos desenvolvendo sempre a mesma especialidade?

A escolha é nossa – e pode ser crucial!