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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Até quando seremos mal atendidos?

Dividi esse texto em dois: nesse primeiro, relato casos do meu dia a dia e que, certamente, muitos irão se identificar. Eles servirão para ilustrar e embasar a segunda parte do texto, que farei daqui a alguns dias, sobre 4 simples pilares que são fundamentais e suficientes para que qualquer empresa obtenha sucesso no relacionamento com seu cliente.


Eles fazem parte da nossa rotina, mesmo que a gente não queira. Desde o trocador do ônibus, passando pelos atendentes de telemarketing, até aquele médico que parece mais estar nos fazendo um favor quando sentamos diante dele. Atendimentos! Uns geram problemas que passam rápido, outros nos aborrecem durante semanas ou até meses. Alguns são tão absurdos que chegam a ser cômicos. E outros bons, de tão raros, fazem a gente achar que merecem até um prêmio, quando na verdade é apenas obrigação de alguém que presta um serviço pelo qual geralmente pagamos.

Das dezenas de situações que já passei, existem algumas especiais que gosto de recordar.
Uma delas foi anos atrás quando estava com cobranças indevidas na minha fatura de celular da Oi e, por não conseguir ser atendido pelo telefone depois de inúmeras ligações esperando na linha, fui obrigado a me dirigir a uma loja física. Depois de todo o esforço, o atendente, sentado à minha frente, disse que nada poderia fazer e que só me restava ligar para a central de atendimento. Mas, como assim, eu estar em uma loja da Oi, de frente pra alguém que representa o atendimento da empresa, e ser informado meu problema não poderia ser resolvido?

Loja física da Oi funciona muito mais para quem não é cliente.

E o atendimento telefônico para correntistas do Bradesco? Esse é único. Estamos em 2017 e, se você quiser resolver qualquer problema por telefone e, por acaso, esteja em um ambiente com outras pessoas, tipo no seu trabalho ou na rua, por exemplo, você tem que ficar falando igual à um louco, bem alto, e em velocidade lenta “CAR-TÃO-DE-CRÉ-DI-TO” na frente de todos, simplesmente porque não existe um menu com opções pra você navegar de forma mais eficiente. A maldita da tal da Unidade de Resposta Audível (a URA, aquela famosa gravação que fala com você com uma voz descontraída e ao mesmo tempo agoniante) determina que você tem que falar o que você deseja, e problema é seu se você vai falar CRÉDITO e ela vai entender DÉBITO. No fim, até você conseguir falar com algum ser humano, já estarão todos ao seu redor rindo da sua cara, sabendo do seu problema e você já estará quase desistindo de tentar resolver o problema com o banco.

Há quem diga que isso é proposital em algumas empresas: conviver com o custo do cliente insatisfeito é mais barato do que com o custo de prestar um bom atendimento. Mas sabemos que se pra eles isso é uma solução, trata-se apenas de algo de curto prazo. E no longo prazo certamente o cliente irá fugir daquela dor de cabeça na primeira oportunidade que tiver.

Agora algo que com certeza quem anda de ônibus já passou: tentar tirar uma dúvida básica com o motorista, seja perguntando se pode descer “ali mesmo” ou se vai passar na rua X ou rua Y e o motorista, do outro lado da roleta com cara de paisagem, simplesmente ignorar.
E aqueles restaurantes vazios, em que os 3 ou 4 garçons estão batendo-papo perto da cozinha, justamente de costas pra você?!
E quando você ligou pra uma empresa de telefonia e o atendente informou que não poderia te atender por estar sem sistema? Cadê a contingência, ou nossos velhos amigos papel e caneta? Ou, se não há uma contingência, por que não ao menos anotam nosso contato para retornar quando o sistema estiver disponível?

Outro dia, também, estacionei meu carro no Shopping Metropolitano “Barra” que fica em Jacarepaguá e na volta percebi que o carro havia sido arranhado. Enviei as fotos, pedi ressarcimento e eles alegaram que o arranhão não tinha ocorrido nas dependências do shopping. Pedi pra ver as gravações, fui ao shopping mesmo não morando lá perto, e eles, irredutíveis, simplesmente negaram, dizendo que só poderiam fornecer mediante um Boletim de Ocorrência. Como assim??! Uma hora de estacionamento no Shopping Metropolitano é, no mínimo, 8 reais, e no meu caso eu tinha pago uma diária de cerca de 30 reais, e ainda assim eu não posso contar com o serviço de câmeras pelo qual, teoricamente, estou pagando? Deu no mesmo que estacionar na rua! Aliás, na rua seria menos pior, pois eu não teria pago nada e não teria dor de cabeça tendo que lidar com esse cúmulo.
O pior: a história não para por aí. Teimoso, fui registrar meu Boletim de Ocorrência na Delegacia “Legal” do Méier para talvez conseguir as gravações. O policial - ou sei la o que ele era, de camisa de malha preta - abriu um sorriso, disse que eu deveria ir pra Delegacia “Legal” que atende Jacarepaguá e que, mesmo assim, eles provavelmente (ou seja, nem ele mesmo sabe e nem buscou se informar) não registrariam um Boletim de Ocorrência para algo tão “bobo”, e que talvez eu precisasse ir pra fila do Juizado Especial Cível verificar como resolver meu problema.

Delegacia Legal: não me venha com ocorrências bobas.

O pior de tudo é que o cara falou isso rindo de mim! Obviamente, desisti e “entubei” o reparo do arranhão do carro no meu bolso, que no final das contas não foi muito caro.

Apenas pra quebrar um pouco o clima de sofrimento, uma boa: Ontem fui comprar um espelho em Vigário Geral – lá é cheio de lojas populares, umas iguais às outras, cheias de quadros e molduras por preços muito baratos – e, ao entrar em uma dessas lojas e avistar o primeiro atendente, falei: “boa tarde, quero o espelho mais em conta que você tem aí de mais ou menos esse tamanho”. O cara não pensou nem 2 segundos e falou: “meu amigo, desse tamanho eu até tenho. Mas vai naquela loja ali do outro lado da rua que lá é melhor!”. Isso é que é sinceridade! Não comprei com ele, mas saí satisfeito.

E pra terminar a sessão de lamentações com chave de ouro, vale contar também minha mais recente experiência, que foi com o Maximus Festival – uma espécie de “Rock in Rio” só que de Rock e em São Paulo, que estou indo essa semana. O acesso ao evento é através de uma pulseira de pano resistente, bem acabada, com uma trava que, uma vez apertada em seu braço, só sai se você quebrá-la ou cortar o pano. Esse tipo de pulseira ficou muito conhecido também com o caso da menina do Lollapalooza que, ingenuamente, experimentou a pulseira assim que a recebeu em casa, e teve que ficar com a mesma no pulso durante 1 semana para que não tivesse seu acesso ao show impedido. Sem ainda saber dessa história e também sem a pretensão de virar meme de internet, eu quase fiz o mesmo, só que fora do meu braço. Ou seja, apertei a pulseira num nível em que meu braço não entrava mais, enquanto o papelzinho que acompanhava a pulseira dizia: “pulseiras danificadas ou que não estiverem no pulso não terão seus acessos liberados”.

Minha obra de arte

Diante da impossibilidade de afrouxar a pulseira para colocá-la no meu pulso e diante do meu desespero, não restou outra opção senão mandar um e-mail pedindo ajuda à empresa Cashless, responsável pelas pulseiras, já que eles não disponibilizaram telefone algum para suporte imediato ao cliente. Para complementar a saga, esse e-mail demorou nada menos que 10 dias (!!!) para ser respondido. E nesses 10 dias eu cogitei de tudo:

(   ) comprar outro do ingresso que me custou mais de 200 reais,
(   ) esquentar uma agulha e tentar ceder a trava para afrouxar a pulseira,
(   ) anunciar a venda de uma pulseira infantil, já que a mesma só entraria no braço de uma criança,
(   ) me matar.
Quando, muito feliz, recebo a notificação de resposta do Gmail no meu celular, leio a mensagem dizendo que devo procurar a bilheteria do evento para fazer a troca da pulseira. Sendo que a bilheteria do evento está à aproximadamente 500km de distância de onde eu moro, além de não estar aberta no dia do show, único dia em que eu estarei em São Paulo. Receoso de um novo questionamento demorar mais 10 dias para ser respondido (inviável, pois eu estava à 4 dias do show), respondo numa única frase que sou do Rio e só estarei em São Paulo em um dia em que a bilheteria não estará funcionando.
TÃ-DÃ! Exatos 24 minutos depois recebo a resposta (wow, um recorde):

Resposta além de insuficiente é irresponsável.

Boa tarde, você deve procurar a bilheteria”. Nesse momento uma fúria quase que incontrolável toma conta de mim. É isso mesmo: em outras palavras ele respondeu: “Problema é seu! Dá um jeito, antecipa seu voo, falta seu trabalho, e procura a bilheteria que só abre em dia de semana pra resolver o seu problema”. E fim de papo.

Apenas pra não acharem que me ferrei, pra minha sorte, no meu nono dia de desespero (aguardando resposta da ShameCashless) eu havia procurado todos os contatos possíveis para resolver esse problema, e acabara enviando mensagens para a Move Concerts (organizadora do evento) e para a Livepass (responsável pelos ingressos). Foi questão de minutos após a dor de cabeça com a Cashless para eu receber uma resposta mais profissional da Livepass, me orientando a procurar o Portão 7 no dia do show e dizendo que meu problema seria resolvido. Fato esse que me aliviou, mas ao mesmo tempo me deixou mais indignado ainda com o atendimento da Cashless que, além de ter sido insuficiente, foi irresponsável, porque numa pior situação eu poderia ter tido custos de tempo e dinheiro em vão, indo à toa para São Paulo, por conta de uma informação mal dada.

De qualquer forma, graças à Livepass, estou ainda à um dia do show e convicto de que o problema será resolvido, graças à uma pessoa que soube fazer o básico do seu trabalho mas que, ainda assim, se diferencia dos milhares de atendentes que não têm zelo algum pelo seu ganha-pão e muito menos sensibilidade para ajudar o próximo.

Semanas atrás, passando o tempo no Instagram, me chamou atenção a seguinte publicação da advogada Carlas Seixas:

"De mero aborrecimento em mero aborrecimento, infarta-se". Do Instagram de Carlas Seixas.

De fato, muitas pessoas tratam tais situações como “meros aborrecimentos”, minimizando cada contratempo e esquecendo que eles são frequentes no dia a dia de maioria dos consumidores.

O caso da menina do Lollapalooza, por exemplo, é engraçado sim, mas ao mesmo tempo é trágico. Uma empresa não pode fazer julgamento sobre ela ter sido ingênua ou não em colocar a pulseira no braço e se escorar na reação popular de que o fato é engraçado. O fornecimento em larga escala de um mecanismo de acesso que está passível de ser invalidado de forma tão fácil e irreversível , e que também pode provocar emoção, euforia e ansiedade nas pessoas, deveria estar munido de uma boa equipe de atendimento para responder ao problema dessas pessoas, pois trata-se de algo que certamente acontece com dezenas de desinformados, como também aconteceu comigo.
A menina do Lolla se prestar ao papel de ficar usando a pulseira no braço durante uma semana, tomando banho com um saco plástico no pulso e ainda "viralizando" na internet é o cúmulo da ausência do bom atendimento. Por que não, simplesmente, invalidar a pulseira entregue à ela, e fornecer uma substituta? Isso certamente estaria coberto pelo valor do ingresso que não é nada barato.

E essa é a realidade da maioria dos produtos e serviços pelos quais pagamos. Há recursos, estrutura, mas falta competência e qualidade nos indivíduos que representam marcas tão poderosas.

Na próxima publicação irei detalhar 4 simples pilares que são fundamentais e suficientes para que qualquer empresa tenha um bom relacionamento com seu cliente. São eles:

Os 4 pilares do bom atendimento

Até breve!

domingo, 3 de abril de 2016

Roteiro completo para obtenção da Certificação PMP (Gestão de Projetos)

O roteiro que você precisa seguir para passar no PMP de primeira está aqui. Siga-o e obtenha sua certificação com facilidade. Palavras de um alguém que, assim como muitos, não sente muito prazer em estudar e, ainda assim, conseguiu isso com certa tranquilidade.

O objetivo dessa publicação é servir como um roteiro completo mas principalmente como um motivador para aqueles profissionais que desejam tirar a certificação, mas por sempre terem aquela impressão de que é um caminho extremamente difícil acabam desistindo. E NÃO É DIFÍCIL. Posso lhes garantir que 3 anos de experiência são suficientes para atender aos requisitos, somados a mais 3 meses de estudos em um cenário favorável ou 6 meses em um cenário menos favorável (para aqueles que não podem priorizar tanto os estudos) para se preparar para o exame.

A Certificação PMP - Project Management Professional é o título emitido pelo PMI (Project Management Institute) mais reconhecido mundialmente na prática de Gestão de Projetos e pode ser obtido por qualquer profissional graduado que consiga comprovar 3 anos de experiência na área (não necessariamente com o cargo de Gerente de Projetos, mas atuando com Projetos em geral) e atingir aproximadamente 65% de acerto em um exame de 200 questões.

Um dos princípios do PMBOK (Project Management Body of Knowledge) é que, para ser um Gerente de Projetos, um profissional não precisa necessariamente ser especialista no tema abordado pelo projeto. Pode facilitar, mas não é uma condição mandatória. Isso significa, portanto, que apesar de a certificação ser principalmente almejada por profissionais de exatas (Engenharia, TI), ela pode ser um valioso título para profissionais de outras áreas. Basta eles terem bagagem e almejarem a carreira com projetos, seja lá qual for o ramo de atuação.


I. Se eu topar o desafio, o que terei de fazer?


Em termos práticos:
  1. Cadastrar-se no site do PMI (http://www.pmi.org);
  2. Realizar a inscrição inicial para o exame (o PMI irá validar ou não os seus dados, sem ainda verificar sua experiência na área);
  3. Pagar o exame (até o fim de 2015, a certificação custava US$ 555,00)
  4. Existe uma possibilidade (pequena) de você cair na auditoria, e ter que enviar documentações para comprovar sua experiência ao PMI;
  5. Se passar na auditoria (ou se simplesmente não cair na auditoria), agendar seu exame junto à Prometric (parceira do PMI pelo menos até o fim de 2015) em até 1 ano da data de pagamento.
  6. Acertar 140 das 200 questões do exame e, se não passar na primeira tentativa, terá mais 2, cada uma delas condicionadas ao pagamento de uma taxa (até o fim de 2015, a taxa para realização de um novo exame custava US$ 375,00).


II. Como obter sucesso?

Essa resposta é detalhada e dividida nos 6 tópicos abaixo. Vá diretamente ao que lhe interessar caso já possua algum conhecimento.

  1. Confirmar se você atende aos requisitos;
  2. Reunir o material de estudos necessário;
  3. Realizar a inscrição inicial;
  4. Planejar e finalizar os estudos;
  5. Realizar o pagamento e agendar o exame;
  6. Praticar simulados para validar os preparos técnico e psicológico.

1) Confirmar se você atende aos requisitos


O primeiríssimo passo é refletir se você atende aos requisitos exigidos pelo PMI. E aqui, ACALME-SE, não se subestime. Você pode já atender a grande parte dos requisitos e nem sabe. Falo isso porque antes de eu iniciar os estudos, muita gente tentou me desestimular com base no meu cargo (na época eu era Consultor Pleno) alegando que eu não atenderia a experiência exigida. Eu não caí na auditoria, mas uma colega de trabalho que tinha praticamente o mesmo histórico profissional que o meu caiu e passou tranquilamente na auditoria e no exame.

Os requisitos são 3:

  • Nível técnico ou Nível Superior;
  • Experiência na área:
    • Para quem tem nível técnico: 5 anos que contemplem 7500 horas de experiência com “liderança”/”direção” de Projetos;
    • Para quem tem nível superior: 3 anos que contemplem 4500 horas de experiência com “liderança”/”direção” de Projetos;
Veja bem: coloquei liderança e direção entre aspas pois aqui você não precisa ter um cargo majoritariamente de gestão. Você precisa apenas ter atribuições que envolvam skills de liderança e de gestão e, falando de Brasil, muitos profissionais, até mesmos de nível Júnior já têm alguma bagagem nesse sentido. Realizar uma reunião de kick-off, elaborar e atualizar cronogramas, entrevistar clientes e executar determinadas atividades já são exemplos de experiências que contam, se estiverem relacionadas a um projeto.

  • 35 horas de curso em Gerenciamento de Projetos através de um REP (Registered Education Providers).
TRANQUILO: Muitos não atendem a este último requisito. Basta fazer um curso de 2 a 3 semanas em uma instituição tal como Infnet ou Trainning. Não se esqueça apenas de confirmar se ainda são REP do PMI. Até o fim de 2015 o valor desses cursos girava em torno de R$ 700,00. Pechinche um desconto!
Somente a realização desse curso não prepara para o exame. É necessário autoestudo.

É importante atentar que estes requisitos precisarão ser declarados detalhadamente no site do PMI (vide passo 3 – Realizar a inscrição inicial), no entanto, você precisará comprová-los somente se cair na Auditoria do PMI, que seleciona o candidato aleatoriamente após a confirmação de pagamento. Eu, por exemplo, não caí, e não precisei comprovar nada (apenas declarei por escrito no site).


2) Reunir o material de estudos necessário

Existem vários materiais excelentes disponíveis. Mas aqui vai a primeira dica do Gabriel e que garantiu meu sucesso no exame de primeira (e olha que não sou daqueles que estuda muito). Você precisa, em ordem de importância:

  • Livro da Rita em Português (ele é conhecido como Livro da Rita, mas seu nome oficial é “Rita Mulcahys’s Preparatório para o Exame de PMP"). Rita já faleceu, mas deixou um legado gigante, tornando-se a principal referência no mundo para os que almejam obter a certificação.
  • PMP Fastrack em Português (para realização de simulados, adquirido juntamente com o Livro da Rita).
  • Um caderno para anotações.
  • PMBOK (Project Management Body of Knowledge) – apenas para dar uma folheada de leve e consolidar os conhecimentos adquiridos através do Livro da Rita, que é muito mais amigável e didático. O PMBOK funciona apenas como um Guia, e muita gente alega ter passado no exame sem nunca ter lido.

Considero válido também dar uma lida e ter sempre em mãos o PMP Handbook. Para uma visão geral do processo de certificação e esclarecimento de eventuais dúvidas, oficialmente oferecido pelo PMI.

3) Realizar a inscrição inicial

Se você já sabe que atende aos requisitos e já conseguiu ter em mãos o material que precisa para estudar, faça sua inscrição e comece a declarar sua experiência em http://www.pmi.org/certification.aspx.

Dica do Gabriel: se possível, declare somente as experiências das quais você ainda possui contato com o gestor com quem trabalhou em cada uma delas. Isto porque você dependerá dele se cair na auditoria, pois será necessário enviar ao PMI uma declaração de experiência assinada por esse gestor atestando que de fato você possui tais experiências.

Como ainda tenho contato com pessoas de duas das empresas que trabalhei e minha experiência nessas empresas foram suficientes para atender as 4500 horas, declarei somente as mesmas.

Nessa etapa você também preencherá outras informações, tais como sua preferência para realização do exame (se quer tradução para Português, se prefere fazer em papel ou em computador, se precisa de recursos de acessibilidade, etc). Há boatos de que a prova possui pequenos erros de tradução para o Português. Eu estudei e realizei todo o exame em Português e não identifiquei absolutamente nenhum problema. Acredito ainda que, mesmo que existam pequenos erros, eles não comprometam seu desempenho no exame. Ainda que você domine o inglês, se sua língua nativa é o Português, recomendo que utilize a tradução, afinal de contas, todas as questões aparecerão também em inglês na mesma tela.
Outro ponto é que realizando o exame através de computador (e não em papel) te traz o benefício de saber se passou ou não já no final do exame, assim que terminar.

Como declarar toda a sua experiência e demais dados é um pouco demorado, você já pode ir iniciando o passo 4 – Planejar e finalizar os estudos. Mas garanta que termine a inscrição antes de se aprofundar muito nos estudos, pois o PMI irá ainda validar seus dados antes de prosseguir com seu processo de elegibilidade. Essa validação levará de 2 a 3 dias e é bem simples, mas não deixa de ser um conforto a mais que você deve conseguir antes de investir muito tempo com estudo.


4) Planejar e finalizar os estudos

Aqui está a grande preciosidade dessa publicação. Apesar de todo o processo de inscrição, auditoria e pagamento, está aqui o fator que mais desmotiva as pessoas de não seguirem em frente em busca do PMP: os estudos. Siga pelo menos 6 dos 7 passos abaixo fielmente, e obtenha seu certificado.

  • Reflita sobre o tempo que você consegue ter disponível para estudar. Se consegue estudar 3 vezes na semana, ou se consegue estudar somente aos finais de semana, ou seja lá o que for. Após essa reflexão, tome a decisão entre obter a certificação após 3 meses de estudo ou após 6 meses de estudo. No meu caso optei por estudar de uma maneira mais tranquila, apenas aos finais de semana. E no final levei pouco mais que 6 meses estudando -- é normal que em um final de semana ou outro você não estude, mas a meta de obter a certificação deve sempre ser um motivador para que você corra atrás do que se propôs
  • Abra uma planilha - ou que seja um bloco de notas – e estipule suas metas, atentando para o total de páginas a serem lidas e em quantos capítulos elas se dividem. Segue o meu planejamento como ficou:
Figura 1 - Modelo de Plano de Estudos para o PMP

Durante esse planejamento, pondere (ou mesmo subestime) sua capacidade de cumprir essas metas, considerando seu nível de foco e também que essas metas não consistem somente em ler os capítulos, mas também em realizar anotações e os exercícios propostos ao final de cada um deles. Não faça um planejamento irreal.

Dica do Gabriel: Leia uma média de 4 capítulos por mês.

Feito o planejamento, seu estudo deve consistir no seguinte para cada capítulo:
  • Ler o capítulo, realizando em paralelo, em um caderno a parte, anotações de tudo que você entender como mais importante (Não escreva textos longos. Somente trechos ou palavras-chaves que te remetam a um conhecimento). Essas anotações servirão apenas para que, no final do estudo, você repasse todos os conteúdos e verifique se lembra de cada um deles. Não lembrando, a ideia é que você volte a ler determinado trecho do livro, e não a sua anotação. A anotação, portanto, é apenas para fins de confirmação se você absorveu ou não o conteúdo daquele capítulo;
  • Faça os exercícios de final de capítulo sem consultar o que acabou de ler/anotar.
  • Se estiver com um pouquinho mais de tempo e estiver estudando em dupla ou em grupos, antes de corrigir os exercícios, confronte as respostas de cada estudante e promova debates onde cada um tente convencer o outro de que suas respostas estão certas. Isso estimula o raciocínio e facilita na absorção do conhecimento.
  • Corrija os exercícios e adicione ao seu caderno o total de questões que acertou e o total de questões que errou. Anote a correção dos seus erros e a respectiva causa a ser eliminada (falta de atenção, interpretação errada da questão, falta de conhecimento, etc).
  • Dedique 10 minutos para folhear o respectivo capítulo do PMBOK e repassar os conceitos já estudados no livro.

Siga esses passos sistematicamente e obterá sucesso! Se você quer a certificação, é porque minimamente tem afinidade sobre os assuntos abordados pelo PMBOK. Como disse, eu mesmo não sou muito fã de estudar, mas os conhecimentos adquiridos são, de fato, muito interessantes e na medida em que você embarca na leitura e confirma que as técnicas transmitidas fazem sentido, o estudo flui de modo mais natural e prazeroso.

Durante os estudos e as anotações que fizer, estruture seu raciocínio de acordo com os capítulos: cada um deles aborda uma das 10 áreas de conhecimento (Integração, Escopo, Tempo, Custos, Qualidade, Recursos Humanos, Comunicações, Riscos, Aquisições e Partes Interessadas), além de outros capítulos tais como o sobre Processos de Gerenciamento de Projetos e o sobre Responsabilidade Social. Cada área de conhecimento possui uma quantidade de processos (5 em média):

Figura 2: Áreas de conhecimento do Gerenciamento de Projetos e seus Processos

Cada processo possui entradas (o que você precisa para iniciar tal processo), ferramentas/técnicas (como você realiza tal processo) e saídas (o que você tem ao final do processo). Conhecendo e entendendo a relação entre essas entradas, saídas e ferramentas com seus respectivos processos, você já domina o PMBOK.

Existem alternativas de estudos por processo de gerenciamento de projetos (Todos os processos de Iniciação, depois todos os processos de Planejamento, depois de Execução, depois de Monitoramento e Controle e depois todos os processos de Encerramento). Sugiro que estudem no formato do Livro da Rita mesmo, ou seja, por área de conhecimento (na ordem listada na Figura 2), pois o processo de aprendizado/consolidação dos conhecimentos é melhor segregado.


5) Realizar o pagamento e agendar o exame

Feito o pagamento (que no final de 2015 estava em US$ 555,00) o PMI levará de 3 a 6 dias para te retornar, confirmando o recebimento do pagamento e informando se você foi ou não selecionado para a auditoria.

Se você for selecionado para a auditoria, fique tranquilo. Tudo que você viu no passo 1 – Confirmar se você atende aos requisitos, é suficiente para que você siga em frente sem grandes problemas. O PMI vai te dar um bom tempo para reunir todas as documentações exigidas (mais de 1 mês), e o fato é que você consegue reunir tudo em menos de 1 semana se fizer os contatos que precisa com eficiência. Será solicitado:

  • Seu diploma;
  • Certificado do curso emitido pela REP (Registered Education Provider) reconhecida pelo PMI;
  • Assinatura dos seus superiores com quem você obteve as experiências declaradas no site do PMI (vide passo 3 - Realizar a inscrição inicial). O PMI irá fornecer um template para você imprimir e entregar para que estes gestores assinem. Cada gestor deve assinar um documento dedicado, e cada documento dedicado deve ser lacrado em um envelope, o qual deve ser assinado em sua aba (de modo que seja possível verificar que o envelope foi assinado pelo gestor depois de lacrado).

Envie essas documentações o quanto antes, pois até chegar nos Estados Unidos demora um pouco, principalmente se for enviada pela modalidade mais barata, que deve custar de 15 a 30 reais. Os Correios oferecem serviços de rastreamento e em que a correspondência chega em até 5 dias úteis, mas o valor salta para aproximadamente 100 reais.

Não tenho conhecimento de pessoas que caíram na auditoria, realizaram os passos acima e foram questionadas pelo PMI. Nas situações em que tomei conhecimento, eles simplesmente confirmaram o recebimento por e-mail e, em 2 ou 3 dias, liberaram o agendamento junto a Prometric.

Passando na auditoria (ou simplesmente não caindo nela), você já pode consultar as datas disponíveis para realizar o exame e agenda-lo.

O que garante o agendamento é um código que o PMI irá gerar para você, e que deverá ser preenchido no site da Prometric. O site do PMI e o PMP Handbook possuem todas as instruções para que você verifique as datas disponíveis para realização da prova e realize o agendamento. Se realmente já estiver na reta final dos estudos, agende a prova para no máximo 1 mês a frente. É tempo suficiente para que você recapitule o que considera de mais difícil, realize os simulados e mantenha o que estudou “fresquinho” em sua mente.

No Rio de Janeiro, até o final de 2015, o único centro disponível é o de Copacabana. No dia que fui, tinha inclusive um angolano que veio ao Brasil somente para realizar o exame (em tempo: ele passou!)


6) Praticar simulados para preparo técnico e psicológico

Existem outras opções de simulado, mas o PM Fastrack que acompanha o Livro da Rita foi o mais recomendado através das pesquisas que realizei com colegas de trabalho e pela internet.
Faça simulados reais: 200 questões para serem respondidas em até 4 horas. Isso te dá pouco mais de 1 minuto para cada questão. 

Outra dica do Gabriel: para não ficar paranoico com o tempo, limite-se a controla-lo de meia em meia hora, de modo que verifique se está cumprindo o seguinte:
Quando faltar...
Tem que restar, no máximo...
3:30 (210 minutos)
175 questões
3:00 (180 minutos)
150 questões
2:30 (150 minutos)
125 questões
2:00 (120 minutos)
100 questões
1:30 (90 minutos)
75 questões
1:00 (60 minutos)
50 questões
30 minutos
25 questões


Ou seja, a cada meia hora atinja uma meta de 25 questões realizadas. Assim fica mais fácil de você avaliar seu desempenho e, ao mesmo tempo, não se desconcentrar por causa do assombroso relógio contando na sua tela!

Para cada simulado realizado, reveja as questões que errou e a qual área de conhecimento elas pertencem. Em um cenário positivo, você não terá uma área de conhecimento que se destaque como a mais difícil (os erros ficarão distribuídos em quantidades próximas para cada área de conhecimento). Mas, caso veja que há sim uma área de conhecimento em que você possua mais dificuldade, dedique um tempo para revisá-la, com base nas questões que errou.

O sistema de prova do PMI não divulga o percentual de acertos após o exame, mas há indicadores que apontam que 65% é o percentual necessário para obter a certificação.

O PM Fastrack possui a opção “SuperPMP”. Realize-o pelo menos 1 vez depois de já ter atingindo 75% no simulado normal. Isto é, espera-se que na quarta ou na quinta vez que for fazer o simulado, você já esteja pronto para optar pelo SuperPMP: ele é um simulado que contempla somente as questões mais complexas, segundo o Livro da Rita.

Fazer muitos simulados não é eficaz: a quantidade de questões existentes é limitada e, ao invés de aprender ou consolidar seu conhecimento, você acaba decorando as questões e não tira proveito algum do recurso. Só realize os simulados depois de ter estudado.

Dica do Gabriel: limite-se a 5 simulados. Se realizou a etapa '4 – Planejar e finalizar os estudos' de acordo com o sugerido, irá obter sucesso e certamente no quarto simulado já estará superando 80% de acerto.

Na noite que antecede o exame, relaxe. Pois ele é cansativo e você deverá estar com a mente descansada. Memorize as fórmulas para que, assim que entrar na baia para realização do exame, tenha a capacidade de transcrevê-las para o papel. Isso é possível pois, apesar de a prova ser no computador, você receberá papel, caneta e lápis para rascunho, e nada te impede de realizar suas anotações no início da prova (folha de download). Um bom momento para fazer isso é nos 15 minutos iniciais, que são dedicados para instruções sobre como utilizar o sistema de prova, e não descontam dos 240 minutos que você terá para responder as 200 questões.

Pelo menos até 2015, das 200 questões do exame, 25 são experimentais e não contam pontos, e servem somente para fins de pesquisa do PMI. Isso significa, portanto, que das 175 questões válidas, você precisa acertar 114. De qualquer forma, como elas não são conhecidas e os 65% não são oficialmente confirmados, sua meta é acertar pelo menos 140 questões (70% das 200).

Siga o roteiro acima e dispense o meu “boa sorte”!


Pós-exame

Se ainda assim você não passar, reveja onde errou: foi falta de foco ou falta de conhecimento? Se foi falta de foco, faça mais simulados. Se foi falta de conhecimento, concentre seus estudos no capítulo que identificou ter mais dificuldades. Você terá mais duas chances dentro de um ano a contar da data de elegibilidade, e cada uma delas condicionadas a um novo pagamento, que até o fim de 2015 era de US$ 375,00.

Se passar, seu certificado estará disponível em formato digital em até 3 dias, e o impresso chega no seu endereço em até 2 meses. Não esqueça de solicitar seu broche que, apesar de requerer uma ordem de compra no site do PMI, é grátis.



Não esqueça também de se informar sobre os 60 PDUs a serem obtidos a cada três anos, que são pontos que você deverá acumular afim de atualizar seus conhecimentos e manter sua certificação ativa.

Outro ponto a manter em mente é que o resultado e o "proveito" nem sempre vêm na hora. Após meses de estudo e todo um preparo para realização do exame, a obtenção da certificação muitas vezes não te traz um retorno imediato (como um aumento de salário). E isso pode gerar um pequeno sentimento de dúvida se o esforço investido valeu a pena.
O resultado é sutil e muitas vezes indireto: as pessoas com quem você irá se relacionar no ambiente profissional passarão a te enxergar com outros olhos e depositarão maior credibilidade em você no dia a dia. E isso sim, a médio prazo, abrirá portas e trará recompensas que podem inclusive ser mais sólidas e satisfatórias que (ou mesmo um caminho para) um aumento salarial.


Por favor, se utilizarem de alguma forma esse roteiro como base, me digam o que acharam, e se ajudou. Abraços!

sábado, 22 de junho de 2013

PEC-37 para leigos

Não que eu não seja um leigo, mas pelo que percebo, a Proposta de Emenda Constituicional de Nº 37 tornou-se um viral.

Viral, segundo a Wikipedia

Não, também, que isso seja um problema, mas tem muita gente por aí levantando a bandeira contra esse Projeto (que ainda será votado) sem nem saber direito o que ele significa.
Então, aproveitando essa onda de manifestações e que muita gente tem buscado se inteirar (assim como eu) nesses assuntos mais relevantes, vamos em frente. Especialistas que me complementem caso necessário.

Basicamente, em um processo, temos os seguintes envolvidos:



Como visto acima, no cenário atual, o Ministério Público tem o poder não apenas de acusar/denunciar o réu, mas também de atuar na investigação do mesmo, conforme ilustrado abaixo:

Cenário atual, o qual será mantido caso a PEC-37 não seja aprovada.


O que a PEC-37 propõe, é que o Ministério Público possua apenas o papel de denunciar e acusar o réu, ficando o papel de investigação, exclusivamente, para as polícias civil e federal, órgãos estes subordinados ao Poder Executivo. Ou seja, caso a PEC seja aprovada, o novo cenário seria conforme o ilustrado abaixo:

Cenário proposto, o qual entrará em vigor caso a PEC-37 seja aprovada.


Os cenários apresentados dividem a opinião de especialistas.

Os que não defendem a aprovação da PEC acreditam que, ao mesmo tempo em que acusa, o Ministério Público tem o direito de ser o investigador da causa a qual ele mesmo denunciou. O uso do termo “PEC da Impunidade”, coloca em cheque a atuação isolada das polícias, visto que estas estão subordinadas ao Poder Executivo, enquanto o Ministério Público, não.

Já os que defendem a aprovação da PEC acreditam que, reservando a exclusividade de investigação para as polícias, o processo será conduzido de forma imparcial, afinal, o lado que acusa, não pode, ao mesmo tempo, investigar, visto que, no caso de inocência do réu, o mesmo terá sua defesa enfraquecida. É por isso que estes a chamam de “PEC da Democracia”, ou seja, o Ministério Público continua com o seu papel de acusação, mas não pode se envolver no inquérito.

Esse assunto, mais uma vez, nos prova o quão perigoso é sair lendo qualquer coisa que publicam por aí. Isso porque alguns meios de comunicação divulgam, maliciosamente, apenas que essa PEC “tira o poder de investigação do Ministério Público”. Mas seria prudente divulgarem também que o Ministério Público continua com seu papel de denunciar e acusar, e que a investigação continuará sendo realizada pelas polícias, como já é feita em alguns casos atualmente. É válido também que fique claro que o Ministério Público já é um órgão independente por si só, enquanto as Polícias estão subordinadas ao Executivo.

Por fim, as conclusões que chegamos são:

1) No primeiro cenário (contra a PEC-37), o cerco aos corruptos estará mais fechado, e as chances de eles se livrarem é menor, visto que quem está acusando, também poderá estar investigando.

2) No segundo cenário (a favor da PEC-37), a imparcialidade nas investigações está garantida, e em eventuais acusações onde os réus sejam, de fato, inocentes, a investigação será feita por um órgão independente (as Polícias), o que diminui as chances de os mesmos serem punidos indevidamente.

Pronto. Agora sim, forme sua opinião e opte por levantar ou não sua bandeira contra a PEC-37, com data de votação ainda indefinida pela Câmara até a reunião de 25/6.

Mantenham-se informados e abraço!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A linha tênue dos enredos patrocinados


Sábado de desfile de campeãs, e o carnaval do Rio se despede mais uma vez de nós. A Marquês de Sapucaí volta a ficar cinza, perdendo todas aquelas placas, bexigas, stands e outros apetrechos de seus milionários patrocinadores.

Há umas semanas, minha namorada comentou comigo que a Vila Isabel, a qual acabara sendo a campeã do Carnaval de 2013, havia fechado uma negociação milionária com uma empresa patrocinadora de seu enredo, e desde então despertei certa curiosidade sobre o tema.

Até que ponto é válido as escolas de samba abrirem mão da autoria própria do enredo para falarem de temas com propósitos comerciais?

Qual o retorno que essas empresas obtêm ao patrocinar uma escola de samba, já que suas marcas quase não são expostas visualmente durante o desfile?

Marcelo Freixo, quando candidato a prefeito, tocou nesse assunto de forma polêmica, mas seu objetivo era claro e bastante pertinente. O repasse de verba da prefeitura para escolas de samba tinha de, no mínimo, exigir a contrapartida cultural. A grande premissa dos enredos de escolas de samba sempre foi com relação à valorização da cultura e das tradições nacionais. E a nova onda de enredos patrocinados coloca essa premissa em risco. O maior exemplo, talvez, tenha sido a Porto da Pedra em 2012, ao levar para Sapucaí o tema “Iogurte”, após patrocínio milionário da Danone.

Porto da Pedra caiu para Grupo de Acesso após apresentar enredo patrocinado pela Danone

Mas nessa história toda, o útil ainda pode andar junto com o agradável. Escolas como Unidos da Tijuca e Inocentes de Belford Roxo definiram seus enredos antes de negociarem com seus respectivos patrocinadores. A Tijuca, que optou por falar sobre o ano da Alemanha no Brasil, conseguiu fechar com 3 grandes empresas alemãs: Merck, Volkswagen e Stihl. Por outro lado, escolas como Imperatriz e São Clemente, que falaram sobre o Pará e as novelas do horário nobre, respectivamente, também definiram seus enredos antes de buscarem patrocinadores, entretanto Governo do Pará e TV Globo alegam não terem patrocinado tais enredos.

A Vila Isabel não correu o mesmo risco. A escola aceitou a sugestão de ter seu enredo definido pela patrocinadora Basf, líder em seu ramo, mas teve o cuidado em não deixar de exaltar a cultura brasileira, quando falou sobre o agricultor e a vida nas zonas rurais.

A única mesmo que nem cogitou em receber patrocínio pelo seu enredo foi a União da Ilha, que falou sobre o centenário de Vinicius de Moraes.

Do ponto de vista do patrocinador, apesar de não ter grande exposição de sua marca no desfile, o retorno do ponto de vista institucional é considerável, além de incentivos fiscais e da oportunidade de estreitar laços com grandes clientes e parceiros, levando os mesmos para a Sapucaí curtir, muitas vezes, enredos que atraem suas atenções e reforçam o papel da empresa em determinadas áreas de negócio. A Stihl, por exemplo, organizou concurso entre suas concessionárias, levando à Sapucaí as com melhores resultados em vendas.

Abaixo segue uma tabela com uma rápida pesquisa que fiz sobre os enredos e os respectivos patrocínios “oficiais” no Carnaval carioca de 2013:



Na minha humilde opinião, as únicas escolas que se empolgaram aí nesse bolo doido de enredos foram Salgueiro, ao falar de Fama, e Mocidade, ao falar de Rock in Rio, ambas com uma pontuação muito abaixo do que estão acostumadas a conquistar.

Vale lembrar que dentre outros patrocínios, cada escola recebe cerca de 1 milhão da TV Globo, mais outro milhão da Prefeitura e mais outro da Petrobrás, sem contar os patrocínios de quadra e de outras empresas através das Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.

As fontes de todas estas informações são dos jornais O Dia, O Globo, e sites das empresas supracitadas.

Adendo: A Unidos da Tijuca também recebeu patrocínio da GVT, informação não presente no quadro acima.

Comente e critique! Abraços.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Seedorf é do Fogão!

fonte: bfr.com.br


 Não é pelo fato de eu ser botafoguense - imagina! Mas pelo fato de o Botafogo do Guaraviton ter fechado com a maior contratação estrangeira do futebol brasileiro. Trazer Ronaldo, Adriano, Robinho e Ronaldinho não é fácil, mas estas transações são fichinhas quando comparadas à do craque naturalizado holandês, que já atuou no Ajax, Sampdoria, Real Madrid, Inter de Milão e Milan e tem nas costas uma coleção de títulos - dentre eles dois Mundiais de Clubes - e atuações vitoriosas pela seleção da Holanda.

Parece ontem que eu jogava meu Fifa 2001 e escolhia a Inter só pra fazer gols com ele. E parece ontem também que eu lia nos jornais promessas dos antigos presidentes - que não eram dentistas - gerando expectativas nos torcedores sobre contratações que nunca se concretizaram, de ídolos estrangeiros que nem me lembro mais o nome, nas décadas passadas.

Enquanto o argentino Herrera se despede para ir ao futebol dos Emirados Árabes, Seedorf chega para ganhar mensais 700 mil, sem contar os "bicos" que vão surgindo pra complementar sua modesta renda.
E, apesar dos seus 30 e muitos, não há argumento que prove que esta não é uma contratação de sucesso. Não importa se o cara já queria vir pro Rio ou se sua esposa é botafoguense de Realengo. Seedorf sai do gigante Milan e chega no Glorioso num momento providencial, quando a torcida já assumia sua descrença na tentativa de ídolo Maicosuel - apesar de ainda fazer questão de cantar regularmente nas arquibancadas que "ele voltou".
E mesmo que não jogue o bolão de sempre - o Loco nunca chegou a jogar tanto assim e ajuda, vai!? - Seedorf além de abrir portas para outros jogadores de qualidade, aumenta mais ainda a visibilidade do Botafogo no exterior e dá o Fatality nas empresas que subestimavam o clube, que o ignoravam mesmo sendo nos últimos anos o clube com a melhor estrutura do Rio e com as melhores campanhas de marketing e de espaços publicitários.

Fonte: ahram.org.eg


Não adiantou pseudo-jornalistas falarem que Seedorf ia pro Corinthians, ou que o coração dele era rubro-negro. Talvez esse "glamour" só faça mesmo o tipo de Ronaldinhos e Adrianos, pois Seedorf já chega no Fogão gerando receitas, aumentando consideravelmente o número de sócios-torcedores inscritos em apenas algumas horas após a confirmação da sua chegada, como anunciou a Rádio Botafogo.

Mesmo depois de algumas decepções e afirmações de que ficaria com o pé no chão esse ano, mais uma vez a torcida mais superticiosa do Brasil se anima e promete lotar o Engenhão no próximo sábado, justamente num dia 07/07, para receber o holandês antes do jogo contra o Bahia.
E, com todos os meus dos pés no chão: vamos destruir, vamos golear, vamos em breve tomar a liderança do Vasquin, e, além de consolidar a soberania do futebol carioca nos últimos anos, lutar pelo título de 2012 e ser o clube carioca que vai rir por último. Melhor ainda se for acompanhando os urubus indo pra divisão lá de baixo, que os aguarda ansiosamente.

Para complementar o tópico, sugiro uma leitura sobre o assunto no Blog Visitantes FC, que faz uma válida sugestão para o novo esquema tático do Fogão.

Então é no sétimo dia desta semana, sábado, dia 7, do mês 7, que mais uma conquista gloriosa vai lotar o Engenhão, mostrar para todo mundo quem é o clube com a cara do Rio e, quem sabe, dar abertura à uma nova fase de glórias! E se não der também, que se dane, sou Botafogo! Sigam-me os bons!

Curta otemizando

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cargos de TI: O Desenvolvedor



Na última postagem dessa categoria, falei um pouco sobre o real analista de sistemas, o cargo mais popular da área e que muitas vezes é utilizado para intitular profissionais que na prática acabam desempenhando outras funções. Entre estes os desenvolvedores...

...Ou programadores. Talvez o grupo que possua os profissionais mais fanáticos pelo que fazem no mercado de tecnologia. Há até alguns que digam que quem não desenvolve não trabalha com tecnologia.
Mas o que um desenvolvedor faz, afinal de contas? Esse talvez seja o tópico mais arriscado de se redigir, pois sempre falta algo a dizer e corro o risco de ser acusado de estar diminuindo a classe. Os desenvolvedores são unidos! O que não falta são fóruns e comunidades com discussões e troca de conhecimento sobre as tendências dessa área que para muitos chega a ser um estilo de vida. Portanto, quem quiser ter um entendimento mais técnico e mais aprofundado, pode contar com a ajuda do nosso amigo Google, que eu vou apenas passar uma visão geral para aqueles que não têm ainda muita ideia de como eles botam a mão na massa e fazem esse mundão todo virtual girar!

Todos os programas (softwares) que utilizamos, sejam softwares corporativos mais robustos como o SAP, até os mais simples de automação de um caixa, passando pelos sites que acessamos na internet, como esse blog aqui, funcionam como resultado de um conjunto de códigos, ou seja, comandos organizados de maneira lógica que são capazes de informatizar qualquer tipo de operação. Usando uma operação simples para ilustrar, vamos pensar num cadastro em algum site, por exemplo:

Programa cadastro do site do zé
Variáveis nome, endereço, telefone.
Imprima “Digite seu nome:”;
Leia nome;
Imprima “Digite seu enderço:”;
Leia endereço;
Imprima “Digite seu telefone:”;
Leia telefone;
Fim.

A partir desta sequência de comandos já podemos observar coisas simples (mesmo que eles não sejam exatamente com esses nomes em português). O que está em negrito representa um comando já entendido pelo computador, que irá executar ações já pré-configuradas. No caso do imprima ele entenderá que tudo o que está entre aspas deverá ser exibido na tela para o usuário. Outro ponto que podemos notar já de cara, é que cada comando é separado por um ponto e vírgula. Ou seja, o programa só irá exibir na tela “Digite seu endereço”, depois que executar o comando “Leia nome”. O comando leia, por sua vez, indica ao computador que ele deverá guardar um valor, que poderá ser utilizado e modificado posteriormente. Isso funciona graças às variáveis, que funcionam como “caixinhas” que guardam valores de diversos tipos, sejam eles números inteiros, decimais, letras ou datas.

O exemplo de programação que vimos é chamada de programação estruturada, que roda justamente de maneira sequencial, ou seja, uma linha após a outra. O tipo de programação mais utilizada no mercado é a programação orientada à objetos, por diversas qualidades que a fazem superar a programação estruturada, como maior facilidade na manutenção do código e reutilização de comandos e comportamentos para várias partes do sistema - afinal um sistema comercial possui milhares de linhas de códigos, e não só nove como no exemplo.
E como esses códigos são interpretados? Os códigos são implementados em IDE’s, que são outros programas que funcionam como ambientes específicos para desenvolvimento, facilitando o trabalho dos desenvolvedores. As IDE’s verificam se o código está correto e traduzem os comandos de forma que o computador processe as informações adequadamente.

Olhando de uma visão mais macro, o desenvolvedor vai fazer com que o sistema funcione e manipule as informações que serão inseridas nele de maneira correta, por meio de comandos organizados de maneira lógica. O trabalho dele dá continuidade ao trabalho do analista de sistemas (ou analista de negócios, que falaremos mais a frente), que já levantou todas as necessidades do cliente e as especificou de forma apropriada para facilitar o entendimento de quem vai desenvolver. Para fazer um comparativo, o analista de sistemas entende da tecnologia, mas foca em entender o cenário do cliente e traduzi-lo de maneira mais técnica para o desenvolvedor, enquanto este foca nas questões técnicas de desenvolvimento, tendo o papel de escrever um código limpo, de fácil entendimento para outros desenvolvedores que venham realizar manutenção naquele código, entre outras boas práticas.

Existem diversas linguagens (conjunto de comandos) conhecidas no mercado de software utilizadas para desenvolvimento, como Java (da Oracle) e ASP (da Microsoft). Uma área que tem crescido bastante ultimamente é o de desenvolvimento para dispositivos móveis, devido a consolidação do Android (da Google) e do iOS (da Apple) como os principais sistemas operacionais do mercado.
Os sites de todas essas tecnologias possuem um vasto conteúdo e fóruns de discussão para iniciantes que desejam ingressar de vez na área de desenvolvimento. Há ainda diversas comunidades de código aberto, onde sistemas são desenvolvidos de maneira colaborativa por qualquer pessoa no mundo! O navegador Firefox, da Fundação Mozilla, é um exemplo de sistema que possui diversas versões e com possibilidade de desenvolvimento em código aberto para a comunidade de software - um dos fatores que contribuem para que ele seja grátis!

As certificações mais cotadas da área são as que reconhecem o profissional pelo conhecimento das próprias linguagens, como por exemplo a OCJP (Oracle Certified Java Professional) que certifica desenvolvedores especialistas na linguagem Java, e também as que reconhecem o profissional pelas habilidades com metodologias de gerenciamento de projetos de desenvolvimento de software, como a CSM (Certified Scrum Master) que certifica desenvolvedores especialistas em Scrum, um conjunto de boas práticas para gestão de projetos voltados para desenvolvimento de sistemas.

Por ser o cara que “põe a mão na massa” e “faz a coisa acontecer”, o desenvolvedor foi um dos primeiros profissionais que surgiu no mercado de tecnologia, e até hoje é um cargo bem remunerado. No entanto com a evolução da TI e a maior necessidade de entrosamento com as áreas de negócio, outras profissões foram surgindo, e o desenvolvedor por ser um profissional muito especializado, acaba tendo isso como um limitador para continuar a crescer nas áreas. A bagagem e experiência que só eles têm são um prato cheio para virarem excelentes gestores, pois entendem cada detalhe da técnica. No entanto o mercado ainda carece dessa versatilidade num profissional: justamente por realizarem tarefas muito técnicas, poucos possuem perfil para gestão e liderança.

Muitos profissionais da área afirmam que ter experiência como desenvolvedor é algo mandatório para crescer no mercado de TI. Apesar de eu considerar que faz sim uma grande diferença, sugiro aos que não gostam de desenvolvimento que sigam em frente mesmo assim e não desistam da faculdade – há uma grande evasão nas faculdades de tecnologia por conta das disciplinas de desenvolvimento de software. É possível trilhar uma boa carreira na área de tecnologia sem precisar atuar com desenvolvimento. Mas é preciso ter em mente que desenvolvimento é algo essencial, e de alguma forma você terá que conviver com essa área e ter o mínimo de conhecimento sobre ela.

Na próxima postagem dessa sequência, falaremos um pouco sobre as atribuições do Analista de Teste. Profissional que talvez seja o que mais interaja com o Desenvolvedor.

Comente e exponha sua opinião sobre o assunto e sobre o ponto de vista relatado! Um abraço.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Apaixonante TV Globo!


Tudo bem que antes de passar por lá eu já tinha grande identificação pela marca e muita admiração pelas suas produções. Mas temos de admitir que muitos dos que a criticam também a admiram. E se não admiram, é porque provavelmente não a conhecem. Eu conheci um pouquinho desse mundo, e me despedi essa semana... dias depois da comemoração dos seus 47 anos.

O texto a seguir expressa opinião e ponto de vista pessoal, que podem variar de acordo com as experiências vívidas por cada colaborador, e não necessariamente refletem as estratégias ou a posição oficial da empresa perante a sociedade e seu público interno.

Para uns “Rede Globo” e para outros “TV Globo”. No fim dá tudo no mesmo, mas para quem está lá dentro é básico entender que TV Globo é a empresa com sedes no Rio, São Paulo, Minas, Brasília e Nordeste. E Rede Globo é o canal de programação nacional exibido tanto pelas emissoras da TV Globo quanto pelas suas afiliadas. É isso mesmo, Arnaldo?
Globo.com, Editora Globo, Rádio Globo, Globosat (GNT, Viva, Multishow, etc), Som Livre e Infoglobo (Extra, O Globo e Expresso) já são empresas abaixo do mesmo guarda-chuva, a holding Organizações Globo, mas estão hierarquicamente na mesma esfera que a TV, que é o carro-chefe. E agora, Arnaldo?

As áreas da TV são formadas por uma sopa de letras, denominadas formalmente como centrais. Dentre as mais conhecidas, as áreas de entretenimento (CGP - Central Globo de Produção), onde são produzidas as novelas e grande parte do conteúdo de entretenimento, esportes (CGESP), responsável por adquirir os direitos de transmissão dos eventos esportivos, jornalismo (CGJ), responsável pelo G1 e pelas diversas editorias do jornalismo, e comunicação (CGCOM), responsável por representar oficialmente a empresa perante a sociedade, e também responsável pelas ações tanto sociais - como o Criança Esperança e o Ação Global – quanto promocionais - como criação de vinhetas e chamadas de programas.

Pra quem chega, é normal se encantar logo na primeira semana quando ocorre a ambientação.
Seja no Jardim Botânico, nos estúdios de jornalismo ou nas outras dezenas de localidades – reza uma lenda que no Jardim Botânico há mais funcionários da TV Globo do que moradores... (e vêm mais alguns prédios por aí!);
Seja em Curicica, no Projac (assim chamada até hoje a CGP desde o tempo de sua concepção) e seus carrinhos “de golf” para perambular pelas dezenas de ruas e vielas, acessar as cidades cenográficas, praças de alimentação, agências bancárias, árvores que só ali são encontradas, a fábrica de cenários, estúdios, e estoque de figurinos que mais parece essas lojas de departamentos, impecavelmente organizado por ordem cronológica e sinalizado com a tradicional Globoface, presente desde as aberturas de novelas até as plaquinhas de “Ao sair apague a luz” nas salas. Salas estas que por menor que sejam, possuem uma televisão ligada.

 
Há quem se encante tanto com esse mundo ‘mágico’, que acaba se frustrando ao entrar na rotina de trabalho de uma empresa que no final das contas é igual às outras: não é possível participar de toda a diversidade formada por engenheiros, cabeleireiros, atores, câmeras, designers, camareiros, motoristas, repórteres e... sei lá!!! Nutricionistas, ex-atletas e gente de tudo quanto é área que se possa imaginar.

Há quem reclame de como alguns dos processos administrativos são conduzidos, esquecendo que, independente de qualquer dificuldade, autonomia e recursos para um bom trabalho não faltam, o todo funciona, e o produto final é infinitamente superior ao da concorrência. O Brasil é um dos poucos países onde um único canal é líder de audiência numa faixa de horário em todos os dias da semana. Isso graças, por exemplo, aos capítulos contínuos das novelas, que retratam parte da nossa cultura - seja isso bom ou ruim, é um dos negócios mais bem sucedidos da nossa indústria.

E há também quem enxergue determinados desafios como uma grande fonte de oportunidades. A vantagem está justamente em praticar o que a empresa faz de melhor: a comunicação. A necessidade de falar e se aproximar de pessoas, trocar idéias em busca de resultados e aproveitar a autonomia que existe em função disso para, quem sabe, criar novas soluções numa empresa que investe pesado em inovação e busca continuamente aperfeiçoar ainda mais sua estrutura e seus processos – mesmo que as vezes de forma -estrategicamente- lenta.

Outro ponto a ser destacado é o forte endomarketing. Nesses 16 meses, quantos filmes assisti e quantos eventos pude participar graças às promoções culturais do Espaço Globo, que aproxima e cativa ainda mais o funcionário.

O que eu posso dizer é que essa cultura tão diferenciada me deu uma excelente base profissional, no meio de estrelas que agem com naturalidade e simplicidade, e pessoas normais que agem como se fossem estrelas ou modelos desfilando pelas calçadas do Jardim Botânico com seu crachá com o globo dos anos 90 pendurado no pescoço.
A adaptação nos seis primeiros meses foi difícil, mas o aprendizado foi imenso. E para os que vão estar por lá nesses próximos anos, muita coisa por vir, com inauguração de novos espaços, transmissão mundial de Copa do Mundo e os 50 anos da TV. Gostaria de encarar ou no mínimo presenciar os desafios que surgirão. Mas infelizmente não pude deixar de abraçar as oportunidades que apareceram pra mim.
É uma empresa que sem dúvida recomendo a profissionais de todas as áreas. Afinal estamos falando de uma empresa de comunicação social, tecnologia, broadcasting, jornalismo, entretenimento, cinema e qualquer outra coisa que você queira atribuir, ela pode ser associada de alguma forma.

Então aqui fica o meu tchau com um friozinho no peito. Sentirei saudades! E espero estar de volta em algum momento...

CGIAP (Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio) - Divisão de Sistemas

sábado, 28 de abril de 2012

Cargos de TI: O Analista de Sistemas


Na postagem anterior passei um pouco da minha visão sobre as atribuições do Analista de Suporte, e agora chegou a vez de falar do cargo que é o mais utilizado de forma errônea no mercado: o Analista de Sistemas.

Muitos profissionais - que apesar de serem sim analistas – recebem essa nomenclatura mas executam tarefas que muitas vezes passam longe da atribuição real de um Analista de Sistemas.  E isso se dá pelo fato de não existir um curso de graduação em “Análise de Suporte” ou “Análise de Processos”, por exemplo, que são áreas de atuação específicas mas que recebem muitos profissionais do curso de Análise de Sistemas.

O Analista de Sistemas, teoricamente, é o profissional que estará envolvido em projetos de desenvolvimento ou manutenção de sistemas, mas não necessariamente irá programar, ou seja, manipular diretamente os códigos-fontes que fazem um sistema 'rodar'. Essa é a atribuição do Desenvolvedor (ou Analista Desenvolvedor), cargo que será abordado em outra postagem. O Analista de Sistemas, no entanto, talvez seja o profissional que tenha mais interação com o Desenvolvedor (programador), pois é ele quem projeta o sistema, ao mesmo tempo que tem uma visão mais próxima à do usuário. Antes de um sistema começar a ser codificado, ou seja, construído, muitas informações são levantadas, no intuito de garantir que as necessidades do cliente vão ser atendidas, e de que os riscos (de erros ou da construção de um sistema pouco aderente) durante o projeto sejam minimizados.

Cabe ao Analista de Sistemas analisar os requisitos funcionais e não funcionais, ou seja, requisitos de funções que o sistema deverá ter, e requisitos de qualidade: performance do sistema, facilidade em seu uso (usabilidade!), proteção das informações, etc. Com essa frente junto ao usuário – ou ao Analista de Negócios, outro cargo que veremos mais para frente – o Analista de Sistemas deve interpretar de forma correta a necessidade do usuário, e mais importante, deve ter a capacidade de entender se o que o usuário está solicitando é coerente: praticamente todos os usuários não conseguem expressar tudo o que desejam, e quase sempre descrevem suas necessidades de maneira “traiçoeira”, pois, por já terem uma visão voltada para o negócio, não conseguem ter uma visão mais sistêmica para explicar o que realmente precisam.
Esses requisitos são coletados de diversas maneiras: por meio de questionários, por meio de estórias de usuários (uma tarefa dentro do processo de trabalho do usuário do sistema a ser construído), ou mesmo acompanhando o dia a dia do usuário, vendo de perto como o processo de trabalho dele é conduzido, ou seja, levantando o que chamamos de “as is”.

Além dos requisitos, que é a língua do usuário, o Analista de Sistemas desenha (modela) diagramas que facilitam o entendimento de quem vai desenvolver o sistema e focar na parte técnica: códigos, configurações, testes e lógica de programação. Alguns desses diagramas são:

Caso de Uso - onde são definidos todos os perfis de usuários e o papel de cada um dentro do sistema. Exemplo: Num sistema de hospital podem existir dois perfis: secretária e médico, onde a secretária vai agendar os pacientes para os médicos e os médicos por sua vez registrar o diagnóstico de cada paciente.

Diagrama de Classes – onde são definidos os conceitos do negócio e a relação entre eles. Exemplo: O sistema deverá guardar dados de Usuários, que podem ser médicos ou secretárias; deverá guardar dados do paciente, que só será vinculado a um médico após a geração de uma Ficha de Atendimento, que deverá conter informações pré-definidas de diagnóstico e assim por diante.

Diagrama de Atividades – onde são definidos fluxos de atividades (interações) a serem realizadas no sistema. Exemplo: Secretária agenda paciente para Médico (a), que gera Ficha de Atendimento (b) com determinado diagnóstico (c) e finaliza consulta (d) com a opção de imprimir uma receita (e).

Entre outros como Diagrama de Implantação, Diagrama de Fluxo de Dados, Diagrama de Componentes, etc.

O padrão mais difundido para modelagem desses diagramas é a UML (Unified Modeling Language), que possui duas categorias mais genéricas de diagramas: Os comportamentais e os Estruturais. Uma das ferramentas freeware (grátis!) mais conhecidas para modelagem em UML é o Astah Community, que possui interface amigável e ótima usabilidade.
A UML é definida pela OMG, que oferece certificações na área em três níveis: fundamental, intermediate e advanced.

Bom pessoal, procurei descrever de forma mais ilustrativa e abrangente as reais atribuições de um Analista de Sistemas, com uma abordagem diferente do que estamos já acostumados a ler em Wikipedias da vida. Essa é uma visão que eu tenho da atualidade, que pode continuar sofrendo alterações afinal TI é um mercado que sofre constantes mudanças. Pelo que leio, muitas das atribuições acima são conduzidas em várias situações pelos próprios Desenvolvedores; consequência da difusão de novas práticas, padrões de projetos e metodologias adotadas no mercado.

Quem for da área deixe sua opinião, e quem não for aponte no caso de algo não ter ficado claro!

Mais pra frente falarei um pouco dos seguintes cargos: Desenvolvedor, Analista de Teste, Analista de Implantação, Analista de Banco de Dados (DBA), Analista de Negócios, Analista de Projetos, Analista de Processos, Analista de Arquitetura de TI e Auditor de Sistemas.

Um abraço!