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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Até quando seremos mal atendidos?

Dividi esse texto em dois: nesse primeiro, relato casos do meu dia a dia e que, certamente, muitos irão se identificar. Eles servirão para ilustrar e embasar a segunda parte do texto, que farei daqui a alguns dias, sobre 4 simples pilares que são fundamentais e suficientes para que qualquer empresa obtenha sucesso no relacionamento com seu cliente.


Eles fazem parte da nossa rotina, mesmo que a gente não queira. Desde o trocador do ônibus, passando pelos atendentes de telemarketing, até aquele médico que parece mais estar nos fazendo um favor quando sentamos diante dele. Atendimentos! Uns geram problemas que passam rápido, outros nos aborrecem durante semanas ou até meses. Alguns são tão absurdos que chegam a ser cômicos. E outros bons, de tão raros, fazem a gente achar que merecem até um prêmio, quando na verdade é apenas obrigação de alguém que presta um serviço pelo qual geralmente pagamos.

Das dezenas de situações que já passei, existem algumas especiais que gosto de recordar.
Uma delas foi anos atrás quando estava com cobranças indevidas na minha fatura de celular da Oi e, por não conseguir ser atendido pelo telefone depois de inúmeras ligações esperando na linha, fui obrigado a me dirigir a uma loja física. Depois de todo o esforço, o atendente, sentado à minha frente, disse que nada poderia fazer e que só me restava ligar para a central de atendimento. Mas, como assim, eu estar em uma loja da Oi, de frente pra alguém que representa o atendimento da empresa, e ser informado meu problema não poderia ser resolvido?

Loja física da Oi funciona muito mais para quem não é cliente.

E o atendimento telefônico para correntistas do Bradesco? Esse é único. Estamos em 2017 e, se você quiser resolver qualquer problema por telefone e, por acaso, esteja em um ambiente com outras pessoas, tipo no seu trabalho ou na rua, por exemplo, você tem que ficar falando igual à um louco, bem alto, e em velocidade lenta “CAR-TÃO-DE-CRÉ-DI-TO” na frente de todos, simplesmente porque não existe um menu com opções pra você navegar de forma mais eficiente. A maldita da tal da Unidade de Resposta Audível (a URA, aquela famosa gravação que fala com você com uma voz descontraída e ao mesmo tempo agoniante) determina que você tem que falar o que você deseja, e problema é seu se você vai falar CRÉDITO e ela vai entender DÉBITO. No fim, até você conseguir falar com algum ser humano, já estarão todos ao seu redor rindo da sua cara, sabendo do seu problema e você já estará quase desistindo de tentar resolver o problema com o banco.

Há quem diga que isso é proposital em algumas empresas: conviver com o custo do cliente insatisfeito é mais barato do que com o custo de prestar um bom atendimento. Mas sabemos que se pra eles isso é uma solução, trata-se apenas de algo de curto prazo. E no longo prazo certamente o cliente irá fugir daquela dor de cabeça na primeira oportunidade que tiver.

Agora algo que com certeza quem anda de ônibus já passou: tentar tirar uma dúvida básica com o motorista, seja perguntando se pode descer “ali mesmo” ou se vai passar na rua X ou rua Y e o motorista, do outro lado da roleta com cara de paisagem, simplesmente ignorar.
E aqueles restaurantes vazios, em que os 3 ou 4 garçons estão batendo-papo perto da cozinha, justamente de costas pra você?!
E quando você ligou pra uma empresa de telefonia e o atendente informou que não poderia te atender por estar sem sistema? Cadê a contingência, ou nossos velhos amigos papel e caneta? Ou, se não há uma contingência, por que não ao menos anotam nosso contato para retornar quando o sistema estiver disponível?

Outro dia, também, estacionei meu carro no Shopping Metropolitano “Barra” que fica em Jacarepaguá e na volta percebi que o carro havia sido arranhado. Enviei as fotos, pedi ressarcimento e eles alegaram que o arranhão não tinha ocorrido nas dependências do shopping. Pedi pra ver as gravações, fui ao shopping mesmo não morando lá perto, e eles, irredutíveis, simplesmente negaram, dizendo que só poderiam fornecer mediante um Boletim de Ocorrência. Como assim??! Uma hora de estacionamento no Shopping Metropolitano é, no mínimo, 8 reais, e no meu caso eu tinha pago uma diária de cerca de 30 reais, e ainda assim eu não posso contar com o serviço de câmeras pelo qual, teoricamente, estou pagando? Deu no mesmo que estacionar na rua! Aliás, na rua seria menos pior, pois eu não teria pago nada e não teria dor de cabeça tendo que lidar com esse cúmulo.
O pior: a história não para por aí. Teimoso, fui registrar meu Boletim de Ocorrência na Delegacia “Legal” do Méier para talvez conseguir as gravações. O policial - ou sei la o que ele era, de camisa de malha preta - abriu um sorriso, disse que eu deveria ir pra Delegacia “Legal” que atende Jacarepaguá e que, mesmo assim, eles provavelmente (ou seja, nem ele mesmo sabe e nem buscou se informar) não registrariam um Boletim de Ocorrência para algo tão “bobo”, e que talvez eu precisasse ir pra fila do Juizado Especial Cível verificar como resolver meu problema.

Delegacia Legal: não me venha com ocorrências bobas.

O pior de tudo é que o cara falou isso rindo de mim! Obviamente, desisti e “entubei” o reparo do arranhão do carro no meu bolso, que no final das contas não foi muito caro.

Apenas pra quebrar um pouco o clima de sofrimento, uma boa: Ontem fui comprar um espelho em Vigário Geral – lá é cheio de lojas populares, umas iguais às outras, cheias de quadros e molduras por preços muito baratos – e, ao entrar em uma dessas lojas e avistar o primeiro atendente, falei: “boa tarde, quero o espelho mais em conta que você tem aí de mais ou menos esse tamanho”. O cara não pensou nem 2 segundos e falou: “meu amigo, desse tamanho eu até tenho. Mas vai naquela loja ali do outro lado da rua que lá é melhor!”. Isso é que é sinceridade! Não comprei com ele, mas saí satisfeito.

E pra terminar a sessão de lamentações com chave de ouro, vale contar também minha mais recente experiência, que foi com o Maximus Festival – uma espécie de “Rock in Rio” só que de Rock e em São Paulo, que estou indo essa semana. O acesso ao evento é através de uma pulseira de pano resistente, bem acabada, com uma trava que, uma vez apertada em seu braço, só sai se você quebrá-la ou cortar o pano. Esse tipo de pulseira ficou muito conhecido também com o caso da menina do Lollapalooza que, ingenuamente, experimentou a pulseira assim que a recebeu em casa, e teve que ficar com a mesma no pulso durante 1 semana para que não tivesse seu acesso ao show impedido. Sem ainda saber dessa história e também sem a pretensão de virar meme de internet, eu quase fiz o mesmo, só que fora do meu braço. Ou seja, apertei a pulseira num nível em que meu braço não entrava mais, enquanto o papelzinho que acompanhava a pulseira dizia: “pulseiras danificadas ou que não estiverem no pulso não terão seus acessos liberados”.

Minha obra de arte

Diante da impossibilidade de afrouxar a pulseira para colocá-la no meu pulso e diante do meu desespero, não restou outra opção senão mandar um e-mail pedindo ajuda à empresa Cashless, responsável pelas pulseiras, já que eles não disponibilizaram telefone algum para suporte imediato ao cliente. Para complementar a saga, esse e-mail demorou nada menos que 10 dias (!!!) para ser respondido. E nesses 10 dias eu cogitei de tudo:

(   ) comprar outro do ingresso que me custou mais de 200 reais,
(   ) esquentar uma agulha e tentar ceder a trava para afrouxar a pulseira,
(   ) anunciar a venda de uma pulseira infantil, já que a mesma só entraria no braço de uma criança,
(   ) me matar.
Quando, muito feliz, recebo a notificação de resposta do Gmail no meu celular, leio a mensagem dizendo que devo procurar a bilheteria do evento para fazer a troca da pulseira. Sendo que a bilheteria do evento está à aproximadamente 500km de distância de onde eu moro, além de não estar aberta no dia do show, único dia em que eu estarei em São Paulo. Receoso de um novo questionamento demorar mais 10 dias para ser respondido (inviável, pois eu estava à 4 dias do show), respondo numa única frase que sou do Rio e só estarei em São Paulo em um dia em que a bilheteria não estará funcionando.
TÃ-DÃ! Exatos 24 minutos depois recebo a resposta (wow, um recorde):

Resposta além de insuficiente é irresponsável.

Boa tarde, você deve procurar a bilheteria”. Nesse momento uma fúria quase que incontrolável toma conta de mim. É isso mesmo: em outras palavras ele respondeu: “Problema é seu! Dá um jeito, antecipa seu voo, falta seu trabalho, e procura a bilheteria que só abre em dia de semana pra resolver o seu problema”. E fim de papo.

Apenas pra não acharem que me ferrei, pra minha sorte, no meu nono dia de desespero (aguardando resposta da ShameCashless) eu havia procurado todos os contatos possíveis para resolver esse problema, e acabara enviando mensagens para a Move Concerts (organizadora do evento) e para a Livepass (responsável pelos ingressos). Foi questão de minutos após a dor de cabeça com a Cashless para eu receber uma resposta mais profissional da Livepass, me orientando a procurar o Portão 7 no dia do show e dizendo que meu problema seria resolvido. Fato esse que me aliviou, mas ao mesmo tempo me deixou mais indignado ainda com o atendimento da Cashless que, além de ter sido insuficiente, foi irresponsável, porque numa pior situação eu poderia ter tido custos de tempo e dinheiro em vão, indo à toa para São Paulo, por conta de uma informação mal dada.

De qualquer forma, graças à Livepass, estou ainda à um dia do show e convicto de que o problema será resolvido, graças à uma pessoa que soube fazer o básico do seu trabalho mas que, ainda assim, se diferencia dos milhares de atendentes que não têm zelo algum pelo seu ganha-pão e muito menos sensibilidade para ajudar o próximo.

Semanas atrás, passando o tempo no Instagram, me chamou atenção a seguinte publicação da advogada Carlas Seixas:

"De mero aborrecimento em mero aborrecimento, infarta-se". Do Instagram de Carlas Seixas.

De fato, muitas pessoas tratam tais situações como “meros aborrecimentos”, minimizando cada contratempo e esquecendo que eles são frequentes no dia a dia de maioria dos consumidores.

O caso da menina do Lollapalooza, por exemplo, é engraçado sim, mas ao mesmo tempo é trágico. Uma empresa não pode fazer julgamento sobre ela ter sido ingênua ou não em colocar a pulseira no braço e se escorar na reação popular de que o fato é engraçado. O fornecimento em larga escala de um mecanismo de acesso que está passível de ser invalidado de forma tão fácil e irreversível , e que também pode provocar emoção, euforia e ansiedade nas pessoas, deveria estar munido de uma boa equipe de atendimento para responder ao problema dessas pessoas, pois trata-se de algo que certamente acontece com dezenas de desinformados, como também aconteceu comigo.
A menina do Lolla se prestar ao papel de ficar usando a pulseira no braço durante uma semana, tomando banho com um saco plástico no pulso e ainda "viralizando" na internet é o cúmulo da ausência do bom atendimento. Por que não, simplesmente, invalidar a pulseira entregue à ela, e fornecer uma substituta? Isso certamente estaria coberto pelo valor do ingresso que não é nada barato.

E essa é a realidade da maioria dos produtos e serviços pelos quais pagamos. Há recursos, estrutura, mas falta competência e qualidade nos indivíduos que representam marcas tão poderosas.

Na próxima publicação irei detalhar 4 simples pilares que são fundamentais e suficientes para que qualquer empresa tenha um bom relacionamento com seu cliente. São eles:

Os 4 pilares do bom atendimento

Até breve!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A linha tênue dos enredos patrocinados


Sábado de desfile de campeãs, e o carnaval do Rio se despede mais uma vez de nós. A Marquês de Sapucaí volta a ficar cinza, perdendo todas aquelas placas, bexigas, stands e outros apetrechos de seus milionários patrocinadores.

Há umas semanas, minha namorada comentou comigo que a Vila Isabel, a qual acabara sendo a campeã do Carnaval de 2013, havia fechado uma negociação milionária com uma empresa patrocinadora de seu enredo, e desde então despertei certa curiosidade sobre o tema.

Até que ponto é válido as escolas de samba abrirem mão da autoria própria do enredo para falarem de temas com propósitos comerciais?

Qual o retorno que essas empresas obtêm ao patrocinar uma escola de samba, já que suas marcas quase não são expostas visualmente durante o desfile?

Marcelo Freixo, quando candidato a prefeito, tocou nesse assunto de forma polêmica, mas seu objetivo era claro e bastante pertinente. O repasse de verba da prefeitura para escolas de samba tinha de, no mínimo, exigir a contrapartida cultural. A grande premissa dos enredos de escolas de samba sempre foi com relação à valorização da cultura e das tradições nacionais. E a nova onda de enredos patrocinados coloca essa premissa em risco. O maior exemplo, talvez, tenha sido a Porto da Pedra em 2012, ao levar para Sapucaí o tema “Iogurte”, após patrocínio milionário da Danone.

Porto da Pedra caiu para Grupo de Acesso após apresentar enredo patrocinado pela Danone

Mas nessa história toda, o útil ainda pode andar junto com o agradável. Escolas como Unidos da Tijuca e Inocentes de Belford Roxo definiram seus enredos antes de negociarem com seus respectivos patrocinadores. A Tijuca, que optou por falar sobre o ano da Alemanha no Brasil, conseguiu fechar com 3 grandes empresas alemãs: Merck, Volkswagen e Stihl. Por outro lado, escolas como Imperatriz e São Clemente, que falaram sobre o Pará e as novelas do horário nobre, respectivamente, também definiram seus enredos antes de buscarem patrocinadores, entretanto Governo do Pará e TV Globo alegam não terem patrocinado tais enredos.

A Vila Isabel não correu o mesmo risco. A escola aceitou a sugestão de ter seu enredo definido pela patrocinadora Basf, líder em seu ramo, mas teve o cuidado em não deixar de exaltar a cultura brasileira, quando falou sobre o agricultor e a vida nas zonas rurais.

A única mesmo que nem cogitou em receber patrocínio pelo seu enredo foi a União da Ilha, que falou sobre o centenário de Vinicius de Moraes.

Do ponto de vista do patrocinador, apesar de não ter grande exposição de sua marca no desfile, o retorno do ponto de vista institucional é considerável, além de incentivos fiscais e da oportunidade de estreitar laços com grandes clientes e parceiros, levando os mesmos para a Sapucaí curtir, muitas vezes, enredos que atraem suas atenções e reforçam o papel da empresa em determinadas áreas de negócio. A Stihl, por exemplo, organizou concurso entre suas concessionárias, levando à Sapucaí as com melhores resultados em vendas.

Abaixo segue uma tabela com uma rápida pesquisa que fiz sobre os enredos e os respectivos patrocínios “oficiais” no Carnaval carioca de 2013:



Na minha humilde opinião, as únicas escolas que se empolgaram aí nesse bolo doido de enredos foram Salgueiro, ao falar de Fama, e Mocidade, ao falar de Rock in Rio, ambas com uma pontuação muito abaixo do que estão acostumadas a conquistar.

Vale lembrar que dentre outros patrocínios, cada escola recebe cerca de 1 milhão da TV Globo, mais outro milhão da Prefeitura e mais outro da Petrobrás, sem contar os patrocínios de quadra e de outras empresas através das Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.

As fontes de todas estas informações são dos jornais O Dia, O Globo, e sites das empresas supracitadas.

Adendo: A Unidos da Tijuca também recebeu patrocínio da GVT, informação não presente no quadro acima.

Comente e critique! Abraços.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Apaixonante TV Globo!


Tudo bem que antes de passar por lá eu já tinha grande identificação pela marca e muita admiração pelas suas produções. Mas temos de admitir que muitos dos que a criticam também a admiram. E se não admiram, é porque provavelmente não a conhecem. Eu conheci um pouquinho desse mundo, e me despedi essa semana... dias depois da comemoração dos seus 47 anos.

O texto a seguir expressa opinião e ponto de vista pessoal, que podem variar de acordo com as experiências vívidas por cada colaborador, e não necessariamente refletem as estratégias ou a posição oficial da empresa perante a sociedade e seu público interno.

Para uns “Rede Globo” e para outros “TV Globo”. No fim dá tudo no mesmo, mas para quem está lá dentro é básico entender que TV Globo é a empresa com sedes no Rio, São Paulo, Minas, Brasília e Nordeste. E Rede Globo é o canal de programação nacional exibido tanto pelas emissoras da TV Globo quanto pelas suas afiliadas. É isso mesmo, Arnaldo?
Globo.com, Editora Globo, Rádio Globo, Globosat (GNT, Viva, Multishow, etc), Som Livre e Infoglobo (Extra, O Globo e Expresso) já são empresas abaixo do mesmo guarda-chuva, a holding Organizações Globo, mas estão hierarquicamente na mesma esfera que a TV, que é o carro-chefe. E agora, Arnaldo?

As áreas da TV são formadas por uma sopa de letras, denominadas formalmente como centrais. Dentre as mais conhecidas, as áreas de entretenimento (CGP - Central Globo de Produção), onde são produzidas as novelas e grande parte do conteúdo de entretenimento, esportes (CGESP), responsável por adquirir os direitos de transmissão dos eventos esportivos, jornalismo (CGJ), responsável pelo G1 e pelas diversas editorias do jornalismo, e comunicação (CGCOM), responsável por representar oficialmente a empresa perante a sociedade, e também responsável pelas ações tanto sociais - como o Criança Esperança e o Ação Global – quanto promocionais - como criação de vinhetas e chamadas de programas.

Pra quem chega, é normal se encantar logo na primeira semana quando ocorre a ambientação.
Seja no Jardim Botânico, nos estúdios de jornalismo ou nas outras dezenas de localidades – reza uma lenda que no Jardim Botânico há mais funcionários da TV Globo do que moradores... (e vêm mais alguns prédios por aí!);
Seja em Curicica, no Projac (assim chamada até hoje a CGP desde o tempo de sua concepção) e seus carrinhos “de golf” para perambular pelas dezenas de ruas e vielas, acessar as cidades cenográficas, praças de alimentação, agências bancárias, árvores que só ali são encontradas, a fábrica de cenários, estúdios, e estoque de figurinos que mais parece essas lojas de departamentos, impecavelmente organizado por ordem cronológica e sinalizado com a tradicional Globoface, presente desde as aberturas de novelas até as plaquinhas de “Ao sair apague a luz” nas salas. Salas estas que por menor que sejam, possuem uma televisão ligada.

 
Há quem se encante tanto com esse mundo ‘mágico’, que acaba se frustrando ao entrar na rotina de trabalho de uma empresa que no final das contas é igual às outras: não é possível participar de toda a diversidade formada por engenheiros, cabeleireiros, atores, câmeras, designers, camareiros, motoristas, repórteres e... sei lá!!! Nutricionistas, ex-atletas e gente de tudo quanto é área que se possa imaginar.

Há quem reclame de como alguns dos processos administrativos são conduzidos, esquecendo que, independente de qualquer dificuldade, autonomia e recursos para um bom trabalho não faltam, o todo funciona, e o produto final é infinitamente superior ao da concorrência. O Brasil é um dos poucos países onde um único canal é líder de audiência numa faixa de horário em todos os dias da semana. Isso graças, por exemplo, aos capítulos contínuos das novelas, que retratam parte da nossa cultura - seja isso bom ou ruim, é um dos negócios mais bem sucedidos da nossa indústria.

E há também quem enxergue determinados desafios como uma grande fonte de oportunidades. A vantagem está justamente em praticar o que a empresa faz de melhor: a comunicação. A necessidade de falar e se aproximar de pessoas, trocar idéias em busca de resultados e aproveitar a autonomia que existe em função disso para, quem sabe, criar novas soluções numa empresa que investe pesado em inovação e busca continuamente aperfeiçoar ainda mais sua estrutura e seus processos – mesmo que as vezes de forma -estrategicamente- lenta.

Outro ponto a ser destacado é o forte endomarketing. Nesses 16 meses, quantos filmes assisti e quantos eventos pude participar graças às promoções culturais do Espaço Globo, que aproxima e cativa ainda mais o funcionário.

O que eu posso dizer é que essa cultura tão diferenciada me deu uma excelente base profissional, no meio de estrelas que agem com naturalidade e simplicidade, e pessoas normais que agem como se fossem estrelas ou modelos desfilando pelas calçadas do Jardim Botânico com seu crachá com o globo dos anos 90 pendurado no pescoço.
A adaptação nos seis primeiros meses foi difícil, mas o aprendizado foi imenso. E para os que vão estar por lá nesses próximos anos, muita coisa por vir, com inauguração de novos espaços, transmissão mundial de Copa do Mundo e os 50 anos da TV. Gostaria de encarar ou no mínimo presenciar os desafios que surgirão. Mas infelizmente não pude deixar de abraçar as oportunidades que apareceram pra mim.
É uma empresa que sem dúvida recomendo a profissionais de todas as áreas. Afinal estamos falando de uma empresa de comunicação social, tecnologia, broadcasting, jornalismo, entretenimento, cinema e qualquer outra coisa que você queira atribuir, ela pode ser associada de alguma forma.

Então aqui fica o meu tchau com um friozinho no peito. Sentirei saudades! E espero estar de volta em algum momento...

CGIAP (Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio) - Divisão de Sistemas

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Gigante do Pão de Açúcar

A excelente produção da última propaganda da Johnnie Walker é, mesmo pra que não conhece a história por trás dela, muito marcante. Pra mim, e outros muitos que já devem conhecer, é mais admirável ainda. Esta história, coincidentemente, ouvi mês atrás de uma guia turística em um passeio que fiz com minha namorada. Mal ela sabia que semanas depois sua história estaria tendo tanta repercussão.

Curta otemizando 

A Referência
A propaganda mostra o Pão de Açúcar, e em seguida um suposto terremoto, exibindo alguns cenários da cidade do Rio. Quando a população se dá conta e observa um gigante feito de rocha e terra levantando-se, e então partindo em caminhada em direção ao mar. E no fim, o famoso slogan, direcionado para nós brasileiros: "Keep walking, Brasil".

O Gigante Adormecido
O mito do gigante adormecido é graças a imagem do Rio de Janeiro visto do oceano Atlântico, onde a Pedra da Gávea é a cabeça do gigante, o Corcovado é o pênis do gigante, ou para os mais poéticos, é "o falo do gigante", justamente por ser onde encontramos o monumento que faz referência à Criação da vida(Cristo Redentor), e o Pão de Açúcar são os pés do gigante.


O trecho abaixo, o qual retirei da própria página da  Johnnie Walker Brazil no YouTube conta o restante do enredo:
"No início dos tempos, na parte sul das Américas, habitava um gigante. Um dos poucos que andavam sobre a Terra.
Gigante pela própria natureza, e sendo natureza ele próprio, era feito de rochas, terra e matas, que moldavam sua figura. Pássaros e bichos pousavam e viviam em seu corpo e rios corriam em suas veias. Era como um imenso pedaço de paisagem que andava e tinha vontade própria.
Caminhava com passadas vastas como vales e tinha a estatura de montanhas sobrepostas. Ao norte, em seu caminho, encontrava sol quente e brilhante nas quatro estações do ano. Ao sul, planaltos infindáveis. A oeste, planícies e terras cheias de diversidade. E a leste, quilômetros e quilômetros de praias onde o mar tocava a terra gentilmente, desde sempre. Havia também uma floresta como nenhuma outra no planeta. Tão grande, verde e viva que funcionava como o pulmão de todo o continente à sua volta.
Mesmo diante de tudo isso, um dia, enquanto caminhava, o gigante se inquietou.
Parou então à beira-mar e ali, entre as águas quentes do Atlântico e uma porção de terra que subia em morros, deitou-se. E, deitado nesse berço esplêndido, olhou para o céu azul acima se perguntando: “O que me faz gigante?”.
Em seguida, imaginando respostas, caiu em sono profundo.
Por eras, que para os gigantes são horas, ele dormiu. Seu corpo gigantesco estirado, o joelho dobrado formando um grande monte, uma rocha imensa denunciando seu torso titânico e a cabeça indizível, coberta de árvores e limo.
Dormiu até se tornar lenda no mundo. Uma lenda que dizia que o futuro pertencia ao gigante, mas que ele nunca acordaria e que o futuro seria para ele sempre isso: futuro.
No entanto, com o passar do tempo ficou claro que nem mesmo as lendas devem dizer “nunca”.
Depois de muito sonhar com a pergunta sobre si, o gigante finalmente despertou com a resposta.
Acordou, ergueu-se sobre a terra da qual era parte e ficou de frente para o horizonte.
Tirou então um dos pés do chão e, adentrando o mar, deu um primeiro passo.
Um passo decidido em direção ao mundo lá fora para encontrar seu destino.
Agora sabendo que o que o faz um gigante não é seu tamanho, mas o tamanho dos passos que dá."
Associação com a Fênix
Ainda há a associação com a figura de uma Fênix, ave que, segundo a mitologia grega, ao morrer, entrava em autocombustão e renascia de suas próprias cinzas, cuja forma semelhante que pode ser vista no Pão de Açúcar, quando observado da Marina da Glória:


A associação, é claro, é feita com o adormecer do gigante, e seu despertar, que traz dias de glórias e novos tempos para a humanidade.

A Propaganda
E agora, o principal. Saboreiem a primeira propaganda de Johnnie Walker com produção dedicada a um só país, que faz alusão ao papel que o Brasil passou a ter no cenário mundial e que trás um enredo o qual - diferentemente das "óbvias" e ultrapassadas propagandas de cerveja, com samba, praia e mulheres bonitas dançando - mostra a essência da nossa cultura, o trecho de nosso hino, "o Gigante pela própria Natureza; Deitado eternamente em Berço Esplêndido", e a reflexão de que, mesmo com um toque de ficção, podemos sim acreditar em dias melhores.