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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Visita do Conselho da Cidade ao Complexo Olímpico de Deodoro

O Parque Olímpico de Deodoro, que na verdade não fica em Deodoro, mas na Vila Militar, poderá ser acessado durante os jogos olímpicos principalmente por BRT e trens.

As linhas de BRT serão a Transolímpica (para quem sai da Barra) e Transbrasil (para quem sai da Rodoviária/Centro). No caminho ao Parque Olímpico, observamos todo o trecho das obras da Transbrasil, e o que mais chamou atenção foi a elevação de muros e barreiras visuais que estão se formando no trecho que passa por Coelho Neto, remetendo ao intragável visual já conhecido pelos moradores de bairros que são cortados pela linha do trem.

Obras da Transbrasil: trecho de Coelho Neto com muros

A possível explicação para isso é o fato de esse trecho da Avenida Brasil não ser no solo, o que exigiu a modernização do elevado por onde passará o BRT. De qualquer forma fica a impressão de que poderiam avaliar melhor a possibilidade de evitarem esse tal muro.

No caso do acesso por trens, por mais curioso que seja, nem a estação da Vila Militar e nem a de Deodoro serão as utilizadas para acesso ao Parque. A de Deodoro por não ser tão acessível através de caminhada, e a da Vila Militar, apesar de ser a mais próxima, por falta de infraestrutura e também devido ao requisito de "limpeza dos expectadores" - comentado mais a frente - imposto pelo Comitê Olímpico Internacional.

Para acesso ao Parque Radical, os expectadores deverão chegar pela estação de Ricardo de Albuquerque - com direito a um "tour alternativo" pela porta do cemitério que leva o nome do bairro - e para os Centros de Tiro e de Hipismo os expectadores deverão vir pela estação de Magalhães Bastos.

Parque Olímpico de Deodoro - Acessos às áreas Sul e Norte.

Por ser maior e exigir pouco mais de 1km de caminhada (dentro do limite de 1,8km determinado pelo Comitê Olímpico), a estação de Magalhães Bastos já foi reformada pela Supervia e possibilita a devida organização e segurança para que os milhares de expectadores possam ser vistoriados na chamada Praça dos Expectadores, e acessem o Centro de Hipismo "limpos". Por mais estranho que seja, este é o termo utilizado para definir aqueles expectadores que estão adentrando as instalações olímpicas e não apresentam risco de estarem transportando consigo vetores infecciosos que possam ameaçar a saúde de cavalos que, aliás, custam o equivalente à uma Ferrari. Os cavalos do Exército Brasileiro inclusive tiveram de se mudar para novas baias, de modo a ficarem completamente isolados dos cavalos que virão para competir os jogos.

Ao acessar o Centro de Hipismo pelo Mallet (Residencial Marechal Mallet), ainda vimos muita coisa em preparo, tal como campos de aquecimento feitos com areia importada da Alemanha (mais uma exigência do COI), gramados minunciosamente irrigados e drenados, e o prédio onde será instalada a Veterinária dos cavalos.
Algo que chamou atenção nesse trajeto pela Área Militar foram as instalações do projeto "Brasil Vale Ouro", financiado pela Vale, cuja pista de atletismo foi desenvolvida exatamente com o mesmo material dos jogos de Londres. Era cerca de 10:30 e a pista estava sem movimento algum. Lembrando que apesar de contar com uma superestrutura aparentemente pouco aproveitada (pelo menos naquele momento), a pista não será utilizada durante as Olimpíadas, afinal, as modalidades de Atletismo serão realizadas no Estádio Nilton Santos (Engenho de Dentro).

Saindo da Área Sul, fomos para o Parque Radical. A pista de Mountain Bike, ainda sendo construída, terá um total de 5km e possui um trajeto muito instigante pelas matas e relevos.

Pista de mountain bike começa a tomar forma

A pista de BMX, apesar de já ter sido finalizada e aprovada pelo COI, passa por pequenos reparos depois de algumas restrições sinalizadas de forma polêmica por alguns atletas durante o evento-teste.

Em seguida, a sensação do Parque Radical (e certamente um dos investimentos mais caros): as corredeiras para canoagem slalom, com trechos de até 4 metros de profundidade, contam com um reservatório com capacidade superior a 30 milhões de litros d'água (quase o dobro da capacidade do reservatório construído para prevenção à enchentes na Praça da Bandeira) e equipados com "super-bombas" capazes de encher a pista d'água por completo em menos de 15 minutos.
Apesar de ainda existirem questões a serem discutidas sobre essa pista como legado - dados os riscos associados a prática do esporte e as áreas mais profundas do lago - a "Operação Verão", que pegou os responsáveis pela estrutura de surpresa, exigindo adaptações para receber o grande público, foi um sucesso, recebendo até 16 mil pessoas ao mesmo tempo no Parque, e indicando também um cuidado a ser tomado no que diz respeito a segurança pública quando o espaço for liberado em definitivo à população.
A ideia é que após os Jogos, o local receba uma Clínica da Família, áreas de pique-nique, churrasqueiras e cadeiras de praia.

Pista de Canoagem Slalom: a área asfaltada é onde ficarão as arquibancadas temporárias

Perto dali, em um dos pontos mais altos do Parque, uma área imensa e completamente desabitada, antes controlada pelo Exército Brasileiro, também será liberada após os jogos para acesso ao público, conforme contrato firmado com a Prefeitura. As antigas construções, até então utilizadas para treinamentos de combate do Exército, remetem a um outro risco após o término dos jogos: a apropriação indevida do terreno. Problema (por muitos considerado solução) que já é conhecido muito bem por quem vive no Rio.

Área na Vila Militar, antes utilizada para treinamentos do Exército, será liberada para a população

Por fim, finalizamos a visita passando pelos campos de hóquei, irrigados constantemente com água potável - um desperdício oriundo de mais um requisito do COI - e pelas instalações que receberão as provas de tiro. Como legado, essas instalações não poderão ser utilizadas para treinamento do Exército, dada a diferença do calibre entre o armamento esportivo e o utilizado pelas Forças Armadas. De qualquer forma, servirão para a prática do esporte, que já é tradicionalmente composto por muitos militares. Aliás, somente nas modalidades de tiro, serão mais de 200 países participando, reforçando também o fato de os Jogos Olímpicos do Rio estarem planejados para serem os que mais receberão atletas na história das Olimpíadas.

Apesar do recorde e da proximidade com o Exército, é importante lembrar que a segurança do evento é totalmente privada, cabendo ao Exército seu papel habitual de agir somente em necessidades extremas ou de contingência.

Que venham os jogos em Agosto e o mais importante: que essa área seja de fato preservada, desenvolvida e bem aproveitada pela população. Este certamente será um desafio maior do que sediar as Olimpíadas.

sábado, 3 de agosto de 2013

Nove quadras para casa

Ao voltar da minha labuta
Com quem ainda está nela
Vejo pouco marachuá
Melhor olhar pela janela

O fiscal já assobiou
Não adianta suspirar
Não tem banheiro nem cantina
E a linha é circular.

Ai de ti se não ouvir
A cigarra toca à bessa
A coroa indignada
O rapaz está com pressa

'Boa noite senhor
Cuidado com o celular meu nobre
Pode passar madame
Água Santa só dois quatro nove'

Um chicletinho do ambulante
Libera a roleta e dá o troco
Converte a direita muito afoito
Fazendo jus por ser piloto

Seu colega é concorrente
Se parar fica pra trás
'São seis e vinte minha gente
Se eu abrir não cabe mais'

Frio de julho está brabo
A cada marcha ele funga
Deve estar dormindo pouco
Olhos vermelhos, olheira funda

Agitação inquietante
Passa a marcha com uma dança
Desequilibra o ambulante
Ir pro morro é a esperança

Mais um dia que se foi
Ir à garagem ainda não
Hora de ir ao Andaraí
Prestar as contas pro patrão.


Em referência ao cotidiano dos nossos odiados e queridos motoristas de ônibus.

por Gabriel Temístocles
Rio de Janeiro, 03 de agosto de 2013.

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Estrofe 1 - O trabalhador ignorado pelos trabalhadores.
Estrofe 2 - Desconforto e descaso cotidiano. Rodoviárias sem o mínimo de estrutura.
Estrofe 3 - Passageiros intolerantes.
Estrofe 4 - Desvalorizado lado humano. Roubos constantes em pontos de ônibus da Central.
Estrofe 5 - Trabalho multifuncional.
Estrofe 6 - Hora do rush e ausência de fiscalização.
Estrofe 7 - Cansaço e uso de drogas.
Estrofe 8 - Stress e despreparo.
Estrofe 9 - Referência ao grande número de ônibus estacionados à noite pelas ruas do Andaraí e as grandes filas de rodoviários fechando seus caixas, enchendo o bolso de quem mal os paga.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A linha tênue dos enredos patrocinados


Sábado de desfile de campeãs, e o carnaval do Rio se despede mais uma vez de nós. A Marquês de Sapucaí volta a ficar cinza, perdendo todas aquelas placas, bexigas, stands e outros apetrechos de seus milionários patrocinadores.

Há umas semanas, minha namorada comentou comigo que a Vila Isabel, a qual acabara sendo a campeã do Carnaval de 2013, havia fechado uma negociação milionária com uma empresa patrocinadora de seu enredo, e desde então despertei certa curiosidade sobre o tema.

Até que ponto é válido as escolas de samba abrirem mão da autoria própria do enredo para falarem de temas com propósitos comerciais?

Qual o retorno que essas empresas obtêm ao patrocinar uma escola de samba, já que suas marcas quase não são expostas visualmente durante o desfile?

Marcelo Freixo, quando candidato a prefeito, tocou nesse assunto de forma polêmica, mas seu objetivo era claro e bastante pertinente. O repasse de verba da prefeitura para escolas de samba tinha de, no mínimo, exigir a contrapartida cultural. A grande premissa dos enredos de escolas de samba sempre foi com relação à valorização da cultura e das tradições nacionais. E a nova onda de enredos patrocinados coloca essa premissa em risco. O maior exemplo, talvez, tenha sido a Porto da Pedra em 2012, ao levar para Sapucaí o tema “Iogurte”, após patrocínio milionário da Danone.

Porto da Pedra caiu para Grupo de Acesso após apresentar enredo patrocinado pela Danone

Mas nessa história toda, o útil ainda pode andar junto com o agradável. Escolas como Unidos da Tijuca e Inocentes de Belford Roxo definiram seus enredos antes de negociarem com seus respectivos patrocinadores. A Tijuca, que optou por falar sobre o ano da Alemanha no Brasil, conseguiu fechar com 3 grandes empresas alemãs: Merck, Volkswagen e Stihl. Por outro lado, escolas como Imperatriz e São Clemente, que falaram sobre o Pará e as novelas do horário nobre, respectivamente, também definiram seus enredos antes de buscarem patrocinadores, entretanto Governo do Pará e TV Globo alegam não terem patrocinado tais enredos.

A Vila Isabel não correu o mesmo risco. A escola aceitou a sugestão de ter seu enredo definido pela patrocinadora Basf, líder em seu ramo, mas teve o cuidado em não deixar de exaltar a cultura brasileira, quando falou sobre o agricultor e a vida nas zonas rurais.

A única mesmo que nem cogitou em receber patrocínio pelo seu enredo foi a União da Ilha, que falou sobre o centenário de Vinicius de Moraes.

Do ponto de vista do patrocinador, apesar de não ter grande exposição de sua marca no desfile, o retorno do ponto de vista institucional é considerável, além de incentivos fiscais e da oportunidade de estreitar laços com grandes clientes e parceiros, levando os mesmos para a Sapucaí curtir, muitas vezes, enredos que atraem suas atenções e reforçam o papel da empresa em determinadas áreas de negócio. A Stihl, por exemplo, organizou concurso entre suas concessionárias, levando à Sapucaí as com melhores resultados em vendas.

Abaixo segue uma tabela com uma rápida pesquisa que fiz sobre os enredos e os respectivos patrocínios “oficiais” no Carnaval carioca de 2013:



Na minha humilde opinião, as únicas escolas que se empolgaram aí nesse bolo doido de enredos foram Salgueiro, ao falar de Fama, e Mocidade, ao falar de Rock in Rio, ambas com uma pontuação muito abaixo do que estão acostumadas a conquistar.

Vale lembrar que dentre outros patrocínios, cada escola recebe cerca de 1 milhão da TV Globo, mais outro milhão da Prefeitura e mais outro da Petrobrás, sem contar os patrocínios de quadra e de outras empresas através das Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura.

As fontes de todas estas informações são dos jornais O Dia, O Globo, e sites das empresas supracitadas.

Adendo: A Unidos da Tijuca também recebeu patrocínio da GVT, informação não presente no quadro acima.

Comente e critique! Abraços.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tá cheio! Pega esse ou espera o próximo?

Esses dias, enquanto no elevador de um shopping cheio de escadas em Botafogo, parei para refletir como algumas pessoas tendem a ficar sensíveis por estarem em ambientes fechados e cheios. Agoniados todos ficam, mas sempre tem alguém pra desabafar - e só desabafar mesmo, pois esperar um mais vazio ninguém quer.

Nessas situações é batata nos depararmos com alguns fatos...

No Metrô
O transporte mais rápido da cidade é também o mais prático na hora do rush: você não precisa nem caminhar para dentro do vagão quando o metrô para. A muvuca que está atrás de você já faz esse trabalho. Apenas segure sua bolsa ou mochila e veja como é locomover-se sem precisar movimentar as pernas!
Isso se você estiver na Central. Na hora do rush pela manhã, você simplesmente não entra numa estação antes da Central. Olha que maravilha.

Dos que conseguem pular para dentro, outra praticidade: Não perca tempo procurando algo para se segurar. Você não vai ter espaço nem para mexer o dedo mindinho, muito menos para cair quando o maquinista der aqueles trancos pelos quais ele vive pedindo desculpas. No metrô costuma ter também aquela mulher que mesmo sem poder se mexer, faz questão de reclamar de quem quer que esteja bloqueando o braço dela de se segurar no ferro. Tem também aquele desavisado que vai descer mas só deixa pra se preocupar em se aproximar da porta quando o metrô já chegou na estação. Aí ele vê que está do lado de cá do vagão mas o desembarque é pelas portas do lado de lá.

No Trem
Essa empresa investia em campanhas contra o empata-portas
Apesar da foto meramente ilustrativa da estação de Saracuruna, no trem não enche tanto quanto no metrô. Mas fede o triplo, principalmente pelo cheiro de borracha queimada que sobe de algum compartimento daqueles barulhentos embaixo do trem.
Você ainda consegue se segurar em algum lugar, mesmo em meio àqueles barbudos que fazem questão de ficar com o braço aberto, para que o cotovelo deles fique bem na sua cara. No trem, raramente os autofalantes estão funcionando, então dê um jeito de olhar para fora para não perder sua estação. A não ser que você esteja num desses trens novos com uma locutora americana tentando falar português: "Prôcsima estassáo Engenro de Dent Ro".
No trem sempre tem uma atração: quando não é o ambulante vendendo barbeador, sorvete, doces, cervejas, batedeira elétrica ou vassouras, tem alguns fanáticos berrando no seu ouvido às 7 da manhã falando que Cristo é a salvação. Tem gente que prefere se salvar descendo na primeira estação e pegando outro trem, onde provavelmente vão se deparar com o terceiro caso, que é o do trem com o pessoal ouvindo ou pagode de homem traído, ou música gospel em seus radinhos que à 2 metros de distância só da pra ouvir pxxxxsstichhh – nada contra estes dois gostos musicais, apenas quanto ao ato de deixar o som alto ligado em ambiente fechado, independente do ritmo da música ou do tom da voz.

No Ônibus
No ônibus é mais "tranquilo" porque não tem empurra-empurra como no metrô. Em compensação, se meia-dúzia de sem educação parar logo após a roleta, ninguém passa pro fundão do ônibus, e o espaço é muito mal aproveitado.

460 - Leblon. Fonte: movimentopoliticodebrasilia.blogspot.com

Aí é fácil ver aqueles que começam a cochilar justamente quando sobe um idoso, ou quando veem que alguém de mochila está chegando. Segurar mochila de quem está em pé, pra muita gente, é um terror! Talvez seja quase igual a ter que levantar para ceder o lugar. Aí você é obrigado a ficar segurando a sua mochila, e ainda ouvir comentários daquele coroa com jeitão de esclarecido falando sobre a falta de educação das pessoas que estão de mochila dentro de um ônibus lotados daquele. Aí a resposta dos quizumbeiros já é padrão: "não gostou, pega um táxi meu senhor!". No ônibus tem aquela mesma turma do trem que gosta de andar ouvindo seu radinho que só sai pxxxsitxttixss.
Deve ser porque eles precisam pegar a integração ônibus-trem para chegar onde moram. Tem gente também que gosta de reclamar com o motorista: se ele está devagar, mandam acelerar. E se ele acelera, ficam cochichando que os motoristas não recebem treinamento. Outra coisa feia e de extremo egoísmo são os que reclamam quando o motorista para no ponto quando o ônibus está cheio. Como se quem tivesse feito o sinal pudesse abrir mão daquele transporte, naquele momento.

Vou ficar devendo a situação das barcas. Se alguém de Nikiti ou alguém que trabalhe por lá queira dar seu depoimento, fique a vontade.

Já que não vou falar da barca, para compensar, vou falar do elevador. Que aliás foi o grande motivador desse texto.
Para alguns usuários de elevador, os que são do primeiro ou do segundo andar têm que se danar e descer de escada. Ora bolas, se o elevador para no primeiro e no segundo, por que o pobre do cara que já trabalhou o dia inteiro não pode utilizá-lo?
Tem também a galera que pega o elevador que sobe pra não correr o risco de quando ele voltar descendo, não encontrá-lo lotado. Senão a galera dos andares superiores já tomou todo o espaço quando o elevador passar descendo nos andares inferiores. O cara do último andar, todo prosa, não deve entender muito bem de onde surge tanta gente. Mas beleza, faz parte.
Outra coisa é o pessoal que entra no elevador e gosta de ficar na porta. E se você pede licença para entrar ela reclama de "que esse pessoal não tem educação, que veem que está cheio e entram assim mesmo". Aí você é obrigado a responder que infelizmente não lançaram elevadores individuais no condomínio.
No caso do shopping de Botafogo, eu entrei de mochila no último espaço vago, e o senhor atrás de mim na fila fez questão de entrar também, me empurrando, se dando o direito de empurrar minha mochila, chupar bala e depois ainda reclamar da pobre coitada da mochila, que, se não estivesse nas minhas costas, não estaria em lugar nenhum, pois não tinha mais espaço - a não ser que eu ficasse de braços estendidos para o alto como se ela fosse um troféu, ou, sei lá, o Simba.

Soluções!!
Um sistema de elevadores mais inteligente pode resolver este último caso. Separando os elevadores que vão para os andares superiores dos que vão aos inferiores.

No metrô, existe um esforço em algumas estações, onde fiscais ficam espalhados pela plataforma, posicionados na direção de abertura de cada porta, organizando e facilitando embarque e desembarque.

Nos trens eu não vejo muita coisa além dos vagões de exclusividade para mulheres, cheio de guardinhas pra expulsá-lo se você entrar indevidamente. Mês passado mesmo fui expulso de um às 08:56. Ele disse que eu teria de sair do vagão, pois ainda não eram 9h. De fato, ele está certo. Só não sei se essa história toda que motivou a implantação do vagão feminino é o que podemos chamar de “bom senso” (...)

No ônibus, muita gente cobra o motorista pra que ele cumpra com os limites de passageiros escritos naqueles papeizinhos estrelados pelo Bonequinho Viu: 40 e tantos sentados e 30 e poucos em pé. Mas se essa regra for cumprida na prática, muita gente acaba ficando literalmente na pista. Pois a quantidade de ônibus nas horas de rush ainda é insuficiente pra atender tanta demanda.

De qualquer forma, todas as soluções acima são paliativas. As definitivas (e ao meu ver prioritárias), na verdade, são "simples":

1) Melhor distribuição dos espaços urbanos: por que não movimentar empresas do Centro para as Zona Norte e Oeste (ignoremos a Barra)? A grande massa vem de lá, ou de depois de lá, e quem tem despesas com o transporte que tanto faz a população perder tempo é a própria empresa!)

2) Investimento em infraestrutura de trânsito e transporte público, sem deixar de atentar para a preservação do nosso cenário urbano.

2097: Linha Amarela sentido Barra às 6 da manhã de segunda-feira - Fonte: coletivoverde.com.br

E enquanto esse sonho não se realiza, o que você pensa sobre esses casos inusitados?

- O motorista de um ônibus já lotado deve parar nos pontos, ou deve ignorar os passageiros de bairros "de passagem"?
- Vagões femininos nos trens e no metrô é uma medida justa?
- Pegar o elevador que sobe pra garantir lugar na descida pode ser considerado falta de educação?
- E o cara do primeiro andar, te perturba muito quando você vem direto lá do 15º e tem que parar justamente no 1º para ele entrar?
- E o povo das barcas? Algum outro registro?

Por enquanto ficamos com isso mesmo! Fonte: blogdofavre.ig.com.br

Abraço!!

domingo, 24 de junho de 2012

Você sabe qual o papel de um vereador?

Depois de muito tempo sem atualizar aqui, dou uma pausa nos cargos de TI e reforço a forte característica de variedades do blog, estreiando um novo pilar sobre política. Preparei esse primeiro artigo com base em leituras que fiz recentemente, e pretendo iniciar mais essa série que visa passar uma visão geral também sobre os principais cargos políticos, a começar pelo vereador.
Não sou especialista, e por isso mesmo convido a todos para comentar e agregar sobre esse assunto que deveria vir do nosso ensino básico desde cedo!


Eleição: O vereador pode ser reeleito ilimitadamente, de 4 em 4 anos.

O que faz um vereador? 
O vereador tem o papel de elaborar e defender propostas em prol do município e aprovar projetos de leis (função do poder legislativo), que posteriormente podem ou não ser sancionadas pelo prefeito (poder executivo). Compõe comissões, sendo elas Permanentes ou Temporárias, para discutir questões de interesse do município.


Tem o dever de ser independente ao executivo, ou seja, obrigação de fiscalizar o prefeito. Possui também o papel de fazer a intermediação entre população e o governo, recebendo os eleitores em seus gabinetes, ouvindo reivindicações, críticas e sugestões.


Quantos vereadores o Brasil possui?
O Brasil possui em torno de 59000 vereadores. O número de vereadores por município varia de acordo com o número de habitantes do mesmo. Um pequeno município pode possuir em torno de 10 vereadores. Enquanto o Rio, por exemplo, possui 51.


Quanto ganha um vereador?
Um vereador recebe um percentual em cima dos subsídios destinados aos deputados estaduais, que varia de acordo com a quantidade de habitantes do município. Em grandes municípios, um vereador pode ganhar em torno de 70% do que ganha um deputado estadual. Nesse caso, um valor aproximado de R$14000,00, sem contar benefícios.

Como o município gera receita$?
As principais fontes de receitas do município são o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto Sobre Serviços). O primeiro é cobrado de proprietários de imóveis, e o valor varia conforme a localização e o tamanho do imóvel.  No Rio, um apartamento padrão, localizado em uma região de classe média, possui um valor mensal em torno de R$ 15,00.
Quanto ao ISS, é pago por qualquer empresa que preste serviço à sociedade, como dentistas e advogados, por exemplo.
Parte do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) também é destinado ao município o qual o veículo está registrado. A outra parte vai para o estado.

Como um vereador pode se tornar corrupto?
Já que possui influência direta sobre o orçamento do município, com o dever de aprovar projetos e fiscalizar o prefeito, um vereador pode aprovar projetos em benefício próprio, ou em benefício de empresas que, além de financiar suas campanhas, podem lhes repassar dinheiro público.
Ilustrando, é praticar negociata com uma empresa de segurança para apoiar um evento como o Carnaval, por exemplo: a empresa, em acordo com o político, ao invés de cobrar R$70.000,00, cobra R$80.000,00. A prefeitura burla a licitação, e o valor superfaturado de R$10.000,00 volta para as mãos dos envolvidos no esquema, para uso pessoal.

Onde encontrá-los?
Na Câmara Municipal. A do Rio é localizada na Praça Floriano, na Cinelândia.


Leia mais! Fontes:

No próximo artigo dessa série, será passada uma visão gerado sobre o Deputado Estadual. Por enquanto, deixe seus comentários!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A distância entre o Samba e o Pagode

Não, não vou falar de aspectos técnicos, como fazem os especialistas – ou metidos a especialistas – da música, e dizer que em um tem esse som e no outro tem aquele instrumento. E que nesse o tom de voz é assim e que naquele outro o ritmo é diferente. O que vou falar é do resultado, da consequência, do impacto, do significado(!) que cada um tem pra mim - e pra mais alguns.

A diferença entre o pagode e o samba é simples de se notar. Tá no olhar de quem ouve.

O pagode é chorado, sentido, e nos seus shows as moças levantam as mãos para o alto e começam a cantar, pensando em alguma pessoa de algum lugar do planeta, enquanto as lágrimas começam a rolar.
O samba é a alegria, é extravasado, e nos seus shows o sorriso é mandatório e contagiante. As moças dançam mais rápido, mais contentes e suas letras falam das coisas boas e dos fatos engraçados da vida! Ou nem me arrisco a comparar letras. O samba também pode falar de amor, de emoção, mas sua ginga é empolgante, é alegre, é irônica, sem desabafo, sem queixa, sem dor! O surdo ecoa mais rápido, seja nas torcidas organizadas, nas feijoadas de escolas de samba, seja nos sambódromos, nos shows da Beth Carvalho ou do Zeca - ironicamente - Pagodinho. E assim como o Botafogo deles, o samba não é moda. O samba é cultura. É tradição. Não precisa ser o mais pedido ou o mais popular.

Lugar de Samba
Pedra do Sal - Fonte: Rio com Ela - www.riocomela.com.br

Tá. Não sou nenhum sambista e muito menos um conhecedor da música brasileira. Mas já dizia Dorival Caymmi: Quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Gigante do Pão de Açúcar

A excelente produção da última propaganda da Johnnie Walker é, mesmo pra que não conhece a história por trás dela, muito marcante. Pra mim, e outros muitos que já devem conhecer, é mais admirável ainda. Esta história, coincidentemente, ouvi mês atrás de uma guia turística em um passeio que fiz com minha namorada. Mal ela sabia que semanas depois sua história estaria tendo tanta repercussão.

Curta otemizando 

A Referência
A propaganda mostra o Pão de Açúcar, e em seguida um suposto terremoto, exibindo alguns cenários da cidade do Rio. Quando a população se dá conta e observa um gigante feito de rocha e terra levantando-se, e então partindo em caminhada em direção ao mar. E no fim, o famoso slogan, direcionado para nós brasileiros: "Keep walking, Brasil".

O Gigante Adormecido
O mito do gigante adormecido é graças a imagem do Rio de Janeiro visto do oceano Atlântico, onde a Pedra da Gávea é a cabeça do gigante, o Corcovado é o pênis do gigante, ou para os mais poéticos, é "o falo do gigante", justamente por ser onde encontramos o monumento que faz referência à Criação da vida(Cristo Redentor), e o Pão de Açúcar são os pés do gigante.


O trecho abaixo, o qual retirei da própria página da  Johnnie Walker Brazil no YouTube conta o restante do enredo:
"No início dos tempos, na parte sul das Américas, habitava um gigante. Um dos poucos que andavam sobre a Terra.
Gigante pela própria natureza, e sendo natureza ele próprio, era feito de rochas, terra e matas, que moldavam sua figura. Pássaros e bichos pousavam e viviam em seu corpo e rios corriam em suas veias. Era como um imenso pedaço de paisagem que andava e tinha vontade própria.
Caminhava com passadas vastas como vales e tinha a estatura de montanhas sobrepostas. Ao norte, em seu caminho, encontrava sol quente e brilhante nas quatro estações do ano. Ao sul, planaltos infindáveis. A oeste, planícies e terras cheias de diversidade. E a leste, quilômetros e quilômetros de praias onde o mar tocava a terra gentilmente, desde sempre. Havia também uma floresta como nenhuma outra no planeta. Tão grande, verde e viva que funcionava como o pulmão de todo o continente à sua volta.
Mesmo diante de tudo isso, um dia, enquanto caminhava, o gigante se inquietou.
Parou então à beira-mar e ali, entre as águas quentes do Atlântico e uma porção de terra que subia em morros, deitou-se. E, deitado nesse berço esplêndido, olhou para o céu azul acima se perguntando: “O que me faz gigante?”.
Em seguida, imaginando respostas, caiu em sono profundo.
Por eras, que para os gigantes são horas, ele dormiu. Seu corpo gigantesco estirado, o joelho dobrado formando um grande monte, uma rocha imensa denunciando seu torso titânico e a cabeça indizível, coberta de árvores e limo.
Dormiu até se tornar lenda no mundo. Uma lenda que dizia que o futuro pertencia ao gigante, mas que ele nunca acordaria e que o futuro seria para ele sempre isso: futuro.
No entanto, com o passar do tempo ficou claro que nem mesmo as lendas devem dizer “nunca”.
Depois de muito sonhar com a pergunta sobre si, o gigante finalmente despertou com a resposta.
Acordou, ergueu-se sobre a terra da qual era parte e ficou de frente para o horizonte.
Tirou então um dos pés do chão e, adentrando o mar, deu um primeiro passo.
Um passo decidido em direção ao mundo lá fora para encontrar seu destino.
Agora sabendo que o que o faz um gigante não é seu tamanho, mas o tamanho dos passos que dá."
Associação com a Fênix
Ainda há a associação com a figura de uma Fênix, ave que, segundo a mitologia grega, ao morrer, entrava em autocombustão e renascia de suas próprias cinzas, cuja forma semelhante que pode ser vista no Pão de Açúcar, quando observado da Marina da Glória:


A associação, é claro, é feita com o adormecer do gigante, e seu despertar, que traz dias de glórias e novos tempos para a humanidade.

A Propaganda
E agora, o principal. Saboreiem a primeira propaganda de Johnnie Walker com produção dedicada a um só país, que faz alusão ao papel que o Brasil passou a ter no cenário mundial e que trás um enredo o qual - diferentemente das "óbvias" e ultrapassadas propagandas de cerveja, com samba, praia e mulheres bonitas dançando - mostra a essência da nossa cultura, o trecho de nosso hino, "o Gigante pela própria Natureza; Deitado eternamente em Berço Esplêndido", e a reflexão de que, mesmo com um toque de ficção, podemos sim acreditar em dias melhores.





sábado, 9 de julho de 2011

Desigual como o Rio não há igual


Já dizia o Matias durante uma aula no Tropa de Elite 1... “Do apartamentozinho de vocês, aqui, na Zona Sul.. não dá para ver esse tipo de coisa.”

E eu, zona norte, agora frequentador da zona sul como nunca antes, posso comprovar o quanto isso é real.

O Rio de Janeiro mesmo sendo uma cidade consideravelmente pequena, consegue a façanha de ter uma população que (quase que) literalmente vive em mundos absolutamente diferentes. Mundos esses que em 30 minutos você se teletransporta de um para o outro.
Numa final de campeonato carioca entre Botafogo X Vasco que fui com um amigo, conhecemos um casal de noruegueses que viajavam o mundo. Falaram de várias coisas que mais chamaram a atenção deles em diversos países, e, no Rio, mesmo com tantas belezas, o que mais os chamou atenção foi justamente a proximidade entre pessoas com condições sociais tão desiguais. É verdade e sabemos disso, mas só paramos pra analisar certas situações em casos como esse, quando alguém que tem uma visão “de fora” chega e comenta.

Enquanto um milionário admira o mar no Leblon, do outro lado da rua um menino do Vidigal pede esmola pra um “classe média” nas areias da praia...
Tem gente que é tão “cega” que tem até medo de tocar em certos assuntos. Quando fui pela primeira vez em um ortopedista no Jardim Botânico, ouvi uma senhora com um penteado exuberante e maquiagens finas comentando sobre a estreia de Velozes e Furiosos no Rio pro marido: “É muito bom... muita ação... só que...” e então piscou o olho com cara de pesar. Por um momento pensei que ela fosse lamentar alguma falha de produção ou algo do tipo... Quando ela olha pro marido e, sem deixar sair a voz, só mexe os lábios “...fa-ve-la...”. Como se a recepcionista (ou até mesmo eu, né - com minha roupa social de quem só está ali porque trabalha ali!) fosse achar estranho ela falar aquela palavra numa clínica de ortopedia.
A Zona Sul é sem dúvidas muito bela, tem outro ar, outros sons.... mas eu não consigo entender como nossa cultura consegue fazer uma pessoa ignorar mais de 90% da área da cidade e ainda alegar que “passando o Rebouças não é mais Rio” (frase real de um morador de Copacabana...)
Por fim, apresento-vos, o mapa do nosso Rio de Janeiro (clique, espere e clique de novo!):

otemizando - mapa de bairros do Rio
Mapa da cidade do Rio de Janeiro - Zonas Oeste, Norte, Centro e Sul e seus bairros.


É curioso, e tudo bem que temos mato e morros que não acabam mais, mas se prestarmos atenção, o centro do Rio de Janeiro fica exatamente em Realengo! O Méier tem a mesma distância que São Conrado tem do Flamengo. E da Urca ao Recreio você anda muito mais do que da Urca ao Complexo do Alemão...
E só pra finalizar, compartilho umas frases reais... sem citar nomes...
“A internet lá ainda é a rádio... não é que nem essa região de Méier, Copacabana...” por morador da Pavuna;
“Queria conhecer um baile funk.... de preferência o da Mangueira. Cara, lá já é considerado Baixada??” por morador de Copacabana;
“Quintino? Hum.... Namorei uma menina que mora lá perto... em Anchieta” por morador da Tijuca;
“Ele é lá de Cascadura. Deve ir pra Via Show direto!!” por morador de Copacabana;
“Cara, tá maluco, comer isso? Esse salgado vem lá de Benfica!” por transeunte no Jardim Botânico que provavelmente deve achar que o salgado vem de Portugal;
“Olha também onde teve briga, né? Baixo Méier, po! Já imagino um monte de nego com pistola apontando pro alto... terra de ninguém...” por frequentador do Baixo Gávea;
“Cara, fui no show do Paul no Engenhão e pela primeira vez andei de trem. Não sei o que esses pobres reclamam tanto! Serviço impecável, tudo limpinho, cheiroso. Se eles conhecessem o metrô....” moradora de Botafogo com mais de 40 anos de idade.

Enfim.... essa visão deturpada em alguns casos é inevitável e o que gera isso é a nossa cultura; não é "culpa" da população.
Difícil é admitir o preconceito (e em alguns casos ignorância) que parece estar no sangue de milhares de habitantes dessa cidade tão minúscula!


sábado, 26 de março de 2011

O fracasso da Prefeitura na descaracterização dos ônibus cariocas

A prefeitura do Rio mudou. Se pra melhor ou pra pior eu não sei. Cada um com uma visão. Começou a “revitalização” em bairros da Zona Norte, implantou o Bilhete Único, investiu mais em placas, cartazes entre outras propagandas de obrinhas por toda a cidade, com postos de saúdes, hospitais municipais, e UPAs da vida resolveu agora criar a Clínica da Família, deserdou a cor laranja do César Maia e voltou com o azulão, entre outros!
Mas talvez a mais drástica mudança até então tenha sido a na caracterização dos ônibus. Motivo? Deram vários... melhoria na qualidade do serviço, melhor fiscalização, diminuição da poluição visual, entre outros! Motivo real? Eu não sei, talvez apenas pra imitar outras cidades...



Os ônibus até 2012 serão todos estampados com uma logo bonita escrito “Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro” nas cores branco e cinza, mais a variação de quatro cores, uma pra cada “sub-região” da cidade:
- vermelho, consórcio “Santa Cruz”: Zona Oeste
- verde, consórcio “Internorte”: Zona Norte
- amarelo, consórcio “Intersul”: Zona sul e Centro
- azul, consórcio “Transcarioca”: Jacarepaguá e Barra (totalmente sem critério, tem linha que vem de Cascadura e é azul)

O erro já começa aí, pois o que mais tem no Rio são linhas que saem de uma sub-região pra outra. Se o 476 - Méier X Leblon é amarelo (zona sul), por que o 456 – Méier X Copacabana é verde (zona norte)?
Fato que, mesmo se fosse num cenário criterioso, o passageiro jamais ia parar pra pensar “ah, vou pegar um pra zona oeste! Logo vou fazer sinal pro vermelhinho!”. Imagina o condenado no meio da av. Brasil com 300 mil ônibus iguais, um pra cada bairro e comunidade daquele lugar imenso. Que identidade visual é essa?!

Ah! Tem um fator obrigatório super importante na padronização e para fins de fiscalização nas linhas (!!!), de acordo com seu consórcio, o número de ordem de cada ônibus deve ser antecedido pelas letra A, B, C ou D, de acordo com o consórcio. Agora tá resolvido, meu povo!

Tá porra nenhuma! Até as empresas se confundem! Tem viação que tem linhas que rodam zona norte e ao mesmo tempo linhas que rodam zona sul. O caso da Viação Acari é uma. O 607 é azul (não sei por que, era pra ser verde), e o 457 é verde. Se a empresa quiser fazer um remanejamento de linha na frota ele vai ter que mudar a cor do ônibus todo dia?!?!? E quando adquirir ônibus mais modernos pra 457? A 607 não poderá utilizar os modelos mais antigos?! Ou seja, mais um problema, a divisão de consórcio é por linha, e não por empresa. Explicável (afinal as linhas são da Prefeitura e podem ser concedidas pra outra empresa se assim ela decidir) mas não justificável!

Enfim, qualidade no serviço agora mesmo é que não tem. Ainda mais com motoristas que resolveram aderir a moda de apagar a viseira, que agora é a única maneira de se identificar uma linha.

O motivo de melhor fiscalização também seria muito bem empregado, se a solução fosse eficiente. Segundo eles, com os consórcios, a fiscalização melhora, pois agora são “só quatro”. Ah, mas que maravilha. Aí colocaram a Viação Pégaso como cabeça do consórcio Santa Cruz, a Real como cabeça da Intersul, a Redentor como cabeça da Transcarioca, e veja só, a Lourdes como cabeça da Internorte. Puf. Se tem alguém que se beneficia nisso são eles mesmos. Como pode o passageiro se beneficiar disso se o que foi feito foi justamente uma camuflagem nas empresas com o uso desses tais “consórcios”?

A justificativa da poluição visual também... fail! A poluição visual do Rio se resolve com punição a vândalos, ou seja, criando um órgão só pra isso, afinal tem policial que alega não se dar o luxo de pegar “pichadorzinho”. E também investindo em planos de revitalização efecientes (não apenas reformar calçadas, blerh, mas bancar a pintura e restauração de casas), o que inibe o vandalismo (conforme a “teoria das janelas quebradas”). Então, nesse quesito, com ônibus cinza ou verde fluorescente, ou laranja piscante, dá tudo no mesmo, até porque os intermunicipais continuam na mesma cor.
O que poderia ser feito, era apenas uma “limpeza” na identidade. Se a Matias quer continuar com seu verdinho e a Vila Isabel com seu laranjinha, que continue, mas só em algumas partes dos ônibus, sem precisar inventar história de consórcio pra camuflar nada e acabar com o principal meio de o passageiro carioca identificar sua linha. Padronizasse só alguns pontos, sem matar a identidade.
Uma das características da cidade do Rio era também o colorido dos ônibus, e, cá entre nós, pinturas tradicionais, de décadas, foram por água abaixo... 



E pinturas que até premiadas foram, como a da Bangu, idealizada pela empresa Idbus...



Bom, tem gente que ainda assim prefira do jeito que está ficando... E você, o que acha?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cidade Maravilhosa!!

Não nega que é um projeto de governo né? O projeto "Bairro Maravilha" pregou placas imensas nas grandes vias de bairros da Zona Norte desde o final de 2009, com um belo texto, a linda quantia de dezenas de milhões de reais investidos e um "excelente" prazo de quase 400 dias para ficar pronto. Agora, fevereiro de 2011, há menos de 1 mês do fim do prazo, as obras começam, no meio de chuva, aos trancos e barrancos. E o belo texto com um belo investimento e um senhor prazo se resume em calçadas lisas com tijolinhos vermelhos.
E o povo gosta!