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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Apaixonante TV Globo!


Tudo bem que antes de passar por lá eu já tinha grande identificação pela marca e muita admiração pelas suas produções. Mas temos de admitir que muitos dos que a criticam também a admiram. E se não admiram, é porque provavelmente não a conhecem. Eu conheci um pouquinho desse mundo, e me despedi essa semana... dias depois da comemoração dos seus 47 anos.

O texto a seguir expressa opinião e ponto de vista pessoal, que podem variar de acordo com as experiências vívidas por cada colaborador, e não necessariamente refletem as estratégias ou a posição oficial da empresa perante a sociedade e seu público interno.

Para uns “Rede Globo” e para outros “TV Globo”. No fim dá tudo no mesmo, mas para quem está lá dentro é básico entender que TV Globo é a empresa com sedes no Rio, São Paulo, Minas, Brasília e Nordeste. E Rede Globo é o canal de programação nacional exibido tanto pelas emissoras da TV Globo quanto pelas suas afiliadas. É isso mesmo, Arnaldo?
Globo.com, Editora Globo, Rádio Globo, Globosat (GNT, Viva, Multishow, etc), Som Livre e Infoglobo (Extra, O Globo e Expresso) já são empresas abaixo do mesmo guarda-chuva, a holding Organizações Globo, mas estão hierarquicamente na mesma esfera que a TV, que é o carro-chefe. E agora, Arnaldo?

As áreas da TV são formadas por uma sopa de letras, denominadas formalmente como centrais. Dentre as mais conhecidas, as áreas de entretenimento (CGP - Central Globo de Produção), onde são produzidas as novelas e grande parte do conteúdo de entretenimento, esportes (CGESP), responsável por adquirir os direitos de transmissão dos eventos esportivos, jornalismo (CGJ), responsável pelo G1 e pelas diversas editorias do jornalismo, e comunicação (CGCOM), responsável por representar oficialmente a empresa perante a sociedade, e também responsável pelas ações tanto sociais - como o Criança Esperança e o Ação Global – quanto promocionais - como criação de vinhetas e chamadas de programas.

Pra quem chega, é normal se encantar logo na primeira semana quando ocorre a ambientação.
Seja no Jardim Botânico, nos estúdios de jornalismo ou nas outras dezenas de localidades – reza uma lenda que no Jardim Botânico há mais funcionários da TV Globo do que moradores... (e vêm mais alguns prédios por aí!);
Seja em Curicica, no Projac (assim chamada até hoje a CGP desde o tempo de sua concepção) e seus carrinhos “de golf” para perambular pelas dezenas de ruas e vielas, acessar as cidades cenográficas, praças de alimentação, agências bancárias, árvores que só ali são encontradas, a fábrica de cenários, estúdios, e estoque de figurinos que mais parece essas lojas de departamentos, impecavelmente organizado por ordem cronológica e sinalizado com a tradicional Globoface, presente desde as aberturas de novelas até as plaquinhas de “Ao sair apague a luz” nas salas. Salas estas que por menor que sejam, possuem uma televisão ligada.

 
Há quem se encante tanto com esse mundo ‘mágico’, que acaba se frustrando ao entrar na rotina de trabalho de uma empresa que no final das contas é igual às outras: não é possível participar de toda a diversidade formada por engenheiros, cabeleireiros, atores, câmeras, designers, camareiros, motoristas, repórteres e... sei lá!!! Nutricionistas, ex-atletas e gente de tudo quanto é área que se possa imaginar.

Há quem reclame de como alguns dos processos administrativos são conduzidos, esquecendo que, independente de qualquer dificuldade, autonomia e recursos para um bom trabalho não faltam, o todo funciona, e o produto final é infinitamente superior ao da concorrência. O Brasil é um dos poucos países onde um único canal é líder de audiência numa faixa de horário em todos os dias da semana. Isso graças, por exemplo, aos capítulos contínuos das novelas, que retratam parte da nossa cultura - seja isso bom ou ruim, é um dos negócios mais bem sucedidos da nossa indústria.

E há também quem enxergue determinados desafios como uma grande fonte de oportunidades. A vantagem está justamente em praticar o que a empresa faz de melhor: a comunicação. A necessidade de falar e se aproximar de pessoas, trocar idéias em busca de resultados e aproveitar a autonomia que existe em função disso para, quem sabe, criar novas soluções numa empresa que investe pesado em inovação e busca continuamente aperfeiçoar ainda mais sua estrutura e seus processos – mesmo que as vezes de forma -estrategicamente- lenta.

Outro ponto a ser destacado é o forte endomarketing. Nesses 16 meses, quantos filmes assisti e quantos eventos pude participar graças às promoções culturais do Espaço Globo, que aproxima e cativa ainda mais o funcionário.

O que eu posso dizer é que essa cultura tão diferenciada me deu uma excelente base profissional, no meio de estrelas que agem com naturalidade e simplicidade, e pessoas normais que agem como se fossem estrelas ou modelos desfilando pelas calçadas do Jardim Botânico com seu crachá com o globo dos anos 90 pendurado no pescoço.
A adaptação nos seis primeiros meses foi difícil, mas o aprendizado foi imenso. E para os que vão estar por lá nesses próximos anos, muita coisa por vir, com inauguração de novos espaços, transmissão mundial de Copa do Mundo e os 50 anos da TV. Gostaria de encarar ou no mínimo presenciar os desafios que surgirão. Mas infelizmente não pude deixar de abraçar as oportunidades que apareceram pra mim.
É uma empresa que sem dúvida recomendo a profissionais de todas as áreas. Afinal estamos falando de uma empresa de comunicação social, tecnologia, broadcasting, jornalismo, entretenimento, cinema e qualquer outra coisa que você queira atribuir, ela pode ser associada de alguma forma.

Então aqui fica o meu tchau com um friozinho no peito. Sentirei saudades! E espero estar de volta em algum momento...

CGIAP (Central Globo de Informática, Administração e Patrimônio) - Divisão de Sistemas

sábado, 31 de março de 2012

Chico se foi, mas Bozó continua imperando

Para quem não conhece, Bozó foi um de centenas de personagens criados por Chico Anysio, que fazia questão de mostrar seu crachá de funcionário da Globo e achava que, por isso, era importante e poderia passar por cima dos outros mortais.
Não sei se a intenção foi essa, mas Chico, reafirmando o objetivo do humor perante a sociedade, bolou uma das críticas mais pertinentes que já pude admirar, e que ainda assim era positivo para a imagem da própria TV Globo.

Em um dos poucos episódios que pude assistir (e se alguém encontrar o vídeo peço que compartilhe pois vagamente me recordo), Bozó estava na Escolinha do Prof. Raimundo quando foi questionado pelo professor sobre algo que não era de seu conhecimento. Bozó replicou e se negou a responder, se desfazendo daquilo. Afinal ele trabalhava na Globo. E como já era esperado, seu ouvinte achou aquilo sensacional e começou a indagá-lo:

Bozó trabalha na Globo!
- O que você faz lá?!!?
- Trabalho na Ana Maria Braga.
- Legal, você é diretor dela?
- Não.
- Hum.... você é a Ana Maria Braga?!
- Não, eu fico do lado dela...
- Você é o Louro José?!!
- Não... quase isso!
- Você é o rapaz que faz a voz do Louro José?!?
- Não... eu sou o que troca o jornal quando o Louro faz suas necessidades...



Esse episódio retrata de forma brilhante o ar superior inspirado por milhares de funcionários (não só na Globo, mas várias empresas de ponta como Vale, Petrobrás, EBX) de cargos, digamos, populares, como se fossem grandes executivos ou estrelas. Não que estes possam, de fato, agir com soberba, mas na cabeça dos Bozós, eles devem ser assim.
E, pelo contrário, o que acaba-se vendo pelos corredores dessas empresas são gerentes, diretores e artistas que olham no olho, cumprimentam e agem com cordialidade, enquanto funcionários de cargos hierarquicamente inferiores, andam com suas camisas quadriculadas da Tommy Hilfiger, crachás no peito e narizes apontando para o teto com poses de estrela. Há ainda o tal hábito da avaliação do crachá, no qual desdenham dos que tem crachás de outras cores, como na Petrobrás onde os prestadores de serviços possuem crachás marrons, e na Globo, onde estes possuem crachás na cor branca.

Como reforcei, esse senso de pertencimento deturpado - causado involuntariamente por corporações de sucesso - talvez seja mais comum na Globo justamente pelo impacto que a marca Globo causa na maioria das pessoas, até mesmo nas que a criticam, e a repercussão que suas produções geram.
Mas em todas as grandes organizações é possível encontrar gente com tal comportamento, que andam pelas ruas e sobem nos ônibus com seus impecáveis crachazinhos no peito e suas cordinhas comerciais que estampam o nome das empresas de que tanto se orgulham em trabalhar. Moradores do Jardim Botânico e amigos de 460 ou 439 que o digam.

Compartilhar com amigos e família o prazer de fazer parte de uma grande organização, ter para si o crachá como medalha de uma grande conquista, ter empolgação com a empresa onde se trabalha e vestir a camisa é totalmente positivo - confesso que eu também faço. Mas agir como se fosse "A Empresa", ou como se isso o tornasse superior a alguém ou até mesmo a outros funcionários, é totalmente baixo. É trocar caráter e profissionalismo por status e falta de ética com a própria empresa.
O orgulho de se trabalhar numa grande corporação e a identidade que um funcionário possa vir a ter com a empresa requer controle, e é necessário que ele tenha cuidado consigo mesmo para não se tornar mais um Bozó, e acabar ficando até a sua aposentadoria como um, trocando jornais de baixo do Louro José.

Quem quiser ir mais a fundo, pode dar uma conferida nessa matéria que achei enquanto digitava esse post, do Globo, feita há pouco mais de um mês:


Abraço e comente sobre o que acha a respeito!