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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Como escolher seu presidente?

Nas últimas semanas nossas redes sociais e até nossos botecos de finais de semana foram tomados por dois grandes grupos de pessoas que, salvo os níveis de sensatez e de emotividade dos componentes em ambos os lados, são muito semelhantes em seus discursos: o grupo dos que irão votar no Aécio Neves, e o dos que irão votar na Dilma Rousseff.

O texto a seguir, além de sugerir uma base mais objetiva e prática para decidir seu voto, tenta evidenciar também por que as atuais discussões sobre quem será o melhor presidente são pouco relevantes.




Se nos colocarmos numa posição mais neutra e fazermos uma rápida análise sobre o embate tão superficial que se desenvolveu nos últimos tempos, vamos perceber que ambos os grupos se utilizam dos mesmos discursos - muitas vezes sem realizarem uma reflexão mínima - para defender seu candidato. E também se utilizarão dos mesmos discursos - muitas vezes levianos e tendenciosos - para atacar o adversário.

O primeiro ponto a ser compreendido pelos eleitores em meio a esse mundo de debates e embates virtuais é o seguinte: não existe candidato certo. Tanto um quanto o outro irá realizar projetos caros que beneficiarão o país de forma geral e tanto o “outro” quanto o “um” irá tomar decisões impopulares em determinados momentos em prol de avanços estruturais que trarão benefícios somente a médio ou longo prazo. E, nada mais certo para se afirmar, ambos cometarão erros. Erros estes que farão com que os que votaram no candidato derrotado se sintam orgulhosos para adotar o tal discurso de que "não votaram errado". Que "estão isentos da responsabilidade de terem elegido o presidente da vez”. Alguns irão inclusive chamar de burros os que votaram nesse presidente que venceu.

Nada mais ignorante. Primeiro porque, insisto, nesse caso não existe candidato errado. Ninguém vota achando que seu candidato irá cometer falhas que destruirão o país. Se achassem, simplesmente não votariam nele - então, por favor, se seu candidato perder na semana que vem, e daqui a algum tempo o vitorioso cometer alguma falha, nos poupe ao menos de chamar de burros os que votaram no eleito.
E terceiro que nunca saberemos se o candidato não eleito faria, de fato, um governo melhor do que o que se elegeu. Talvez a coisa ficasse pior, vai saber?

Para ilustrar um pouco, trago a realidade que observei em Junho de 2013 quando parte das pessoas que protestavam no Centro do Rio de Janeiro levantavam o cartaz de “Fora Cabral”, e enchiam a boca para falar que não haviam votado nele e ainda criticavam os que votaram. Será mesmo que esses milhares de pessoas estavam sendo coerentes?
Se olharmos um pouco para trás, em 2010, Sergio Cabral foi eleito no Rio ainda no primeiro turno com mais de 5.200.000 votos. Enquanto o segundo lugar, Gabeira, ficou com cerca de 1.600.000 (fonte: UOL). Agora a grande pergunta. Será mesmo que Gabeira teria feito um governo melhor que o de Sergio Cabral?

Como não existe resposta concreta para essa pergunta (afinal estaríamos levantando hipóteses), vou seguir com a lógica principal desse texto. No cenário atual, temos defesas e ataques dos 2 lados.

Os que defendem Aécio e criticam Dilma se utilizam dos seguintes discursos:


- Aécio tem mais postura e demonstra ter uma equipe mais preparada;
- FHC, do PSDB, revolucionou a economia do país com a criação do Plano Real;
- Dilma está fazendo com que o país entre em recessão econômica;
- O PT esteve envolvido nos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil.


Os que defendem Dilma e criticam Aécio se utilizam dos seguintes discursos:


- Dilma revolucionou o crescimento das classes mais baixas com políticas sociais abrangentes;
- Lula, do PT, reduziu a fome e a taxa de desemprego no Brasil drasticamente;
- Aécio não ganhou o primeiro turno em Minas, estado o qual governou durante 8 anos;
- O PSDB é de direita e, portanto, tende a utilizar o discurso de meritocracia para governar para os ricos.


E para todos esses discursos, podemos entrar num ciclo vicioso e sem fim de contra-argumentos...

O rapaz do Aécio diz...
O rapaz da Dima diz...
Conclusão
O Bolsa Família é fruto de projetos sociais idealizados pelo PSDB, como por exemplo o Bolsa Escola.

Mas o PT aprimorou o programa e fez com que o Bolsa Família beneficiasse dezenas de milhões de brasileiros.

Mérito de ambos os lados. Um idealizou, e outro executou.

O rapaz da Dima diz...
O rapaz do Aécio diz...
Conclusão

O Brasil cresceu significativamente nos últimos 10 anos.

Cresceu graças ao Plano Real criado pelo Fernando Henrique.
Mérito de ambos os lados. Um estruturou, e outro soube governar e colher os frutos.

O rapaz do Aécio diz...
O rapaz da Dima diz...
Conclusão

O Plano Real estabilizou a economia brasileira, aumentou o poder de compra do brasileiro e deu início ao ciclo de desenvolvimento do país nos últimos anos.

O Plano Real só fez sucesso porque governantes anteriores afundaram o Brasil em uma das piores crises da sua história.
Ambas as afirmações são pertinentes.

O rapaz da Dima diz...
O rapaz do Aécio diz...
Conclusão
O governo atual implementou políticas sociais que tiraram milhões da miséria e hoje recebem assistências do governo.
O assistencialismo atual cria uma inexistente guerra de classes, que estimula seus beneficiários a abrirem mão dos estudos e do trabalho, e ao mesmo tempo critiquem a opinião dos que buscam enriquecer por méritos próprios.

Sabemos que nem todos os beneficiários de políticas sociais fazem jus a elas e/ou conseguem se desenvolver, bem como sabemos que nem todos enriquecem somente por "mérito próprio".
O jeitinho brasileiro para ganhar dinheiro fácil está presente em todas as esferas.


E só temos essas conclusões porque estamos considerando cruamente cada um desses discursos. Se pararmos para apurar, iremos nos deparar com outras variáveis, outras contra-argumentações que nos deixarão em outros ciclos viciosos de discussões e nos levarão para longe do objetivo central, que seria a escolha do presidenciável mais adequado.

O fato é que em ambos os lados você possui riscos que impactam todas as classes sociais e também propostas que, em teoria, visam beneficiar as classes menos favorecidas. O PSDB realmente estruturou uma economia de sucesso para o país e o PT desenvolveu, de fato, políticas sociais bem sucedidas.
E o que fica implícito é que o PSDB, ou qualquer outro partido que pudesse se eleger, não será capaz de extinguir tais programas sociais. Primeiro porque os mesmos representam um mundo de votos, que certamente farão a diferença nas eleições de 2018, e segundo que, ao contrário do que parecem acreditar, um presidente não tem o poder de mudar um país drasticamente do dia para a noite.

E é aí que está o centro de toda a questão levantada nesse texto. A atribuição de um presidente é macro, é generalista. As pessoas que hoje se enfurecem ao discustir sobre quem é o melhor presidenciável, talvez não saibam que suas vidas não irão mudar muita coisa daqui pra frente por conta da eleição de um presidente ou de outro – aliás, o que faz nossa vida mudar mesmo são os estudos e o trabalho, fica a dica.

Fato é que, seja lá qual for o candidato eleito, ninguém terá uma mudança radical de vida em curto prazo. Ambos os candidatos estão cercados de centenas de pessoas para cobrá-los, para confrontá-los, e para apoiá-los em medidas que venham corrigir algum problema ou melhorar ainda mais algo que já esteja dando certo. Ambos os partidos, assim como qualquer outra organização (privada, ONG, ou seja lá o que for), estão sujeitos a se envolverem em esquemas de corrupção.

O que me leva a concluir que, dentro das possibilidades, o que tem que ser base para sua tomada de decisão é o nível de empatia e confiança que você possui por um candidato, e que os argumentos listados anteriormente como exemplo, não farão muita diferença no que pode ocorrer daqui pra frente. Cada um de nós possui experiências e características particulares que, em alguns casos nos farão confiar mais na Dilma e no PT, e em outros casos, confiar mais no Aécio e no PSDB.

Então o que eu proponho é que esqueçamos por alguns minutos tudo o que estão compartilhando e dizendo por aí. Assista a um debate (o próximo será na TV Globo, sexta-feira, dia 24/10) e questione-se:


Com quem eu me identifico mais? Qual deles acredito ter maior capacidade para trazer resultados e colocar seus objetivos em prática?


Pronto. Vote. E não perca mais tempo tentando convencer os outros de que as vitrolas arranhadas ao seu redor estão utilizando argumentos certos ou errados. Daqui a mais 4 anos irão tentar enfiar em nossas cabeças que estamos insatisfeitos e injustiçados, e que candidato X é melhor que Y, e que o X errou ali e acertou aqui, e que o Y fez isso e deixou de fazer aquilo. A realidade é que dentro da nossa estrutura, para alguém chegar a um segundo turno de eleições presidenciais, certamente tem uma trajetória de sucesso e competências ímpares para assumir tal papel.

E por isso, independente do candidato, continuaremos crescendo (ou aprendendo), dentro dos limites do nosso sistema: vagarosa e, porém, constantemente.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Copa mais esperada está chegando

Desde que me entendo por gente, e por mais absurdo que seja admitirmos isso, esta é a Copa do Mundo que mais ansiedade instiga nos brasileiros. Mas dessa vez a disputa entre as quatro linhas está em segundo plano.

O maior evento esportivo do planeta vai ser sediado pelo nosso tão criticado mundo a fora Brasil, a sexta ou sétima potência mundial, mas que é vista pelo seu povo – e pela imprensa com dor de cotovelo dos países que foram derrotados na escolha da sede de 2014 - como a pior de todas as galáxias. A opinião é tão embasada que teve até gente daqui assinando revista francesa especializada em Brasil do dia para a noite.
Aliás, vale avisar que assim como esse primeiro parágrafo, todo esse texto trata de forma bem generalista o momento em que estamos.

Devemos admitir, no entanto, que apesar de estarmos nesse bonito top 10 dos mais ricos, não estamos tão bem assim quando o assunto é corrupção. Somos os 72º menos corruptos, melhores, ao menos, que 105 outros países ilustres tais como Venezuela e Afeganistão. E é justamente esse tema que dá o sabor especial à expectativa de chegada da Copa. Mais em foco do que a conquista do hexa, a indignação da população em relação às exigências incontestáveis da FIFA e os gastos bilionários com estádios é o que mais nos deixa apreensivos.

O engraçado é que por mais que não acordássemos e levantássemos a bandeira contra a corrupção, estaríamos P da vida da mesma forma com nossa internacionalmente reconhecida capacidade de não ser pontual com absolutamente nada. Estamos a menos de 30 dias do início da Copa e diversas obras que ainda estão em andamento serão finalizadas à base do improviso – mesmo depois de serem feitos investimentos financeiros muito acima do que fora planejado para projetos que, em tese, seriam concluídos dentro do prazo.

Fonte: memoria.ebc.com

Como passaremos por esse momento tão peculiar?
De forma incrível conseguimos transformar o evento que (antes através do futebol) mais enchia de orgulho o brasileiro, em um fato histórico de reviravolta do povo contra seus governantes, que até então achavam que esse discurso de “legado da Copa” iria colar.
As bandeirinhas penduradas na janela e o grito de “Brasil” (se é que ainda há tempo de surgirem) terão um sentido especial na Copa de 2014. Especial por não serem (apenas) pela seleção de futebol. Mas (também) contra a seleção de políticos incompetentes que somos forçados a votar por falta de opção, nesse sistema desatualizado em que qualquer um com estudos primários tem a possibilidade de se candidatar a qualquer cargo político. Nesse sistema oportunista onde um ministério ou uma secretaria são compostos por centenas ou dezenas de cargos de confiança. Tecnocracia zero.

O momento tem como símbolo uma grande interrogação. Primeiramente por parte da própria seleção, que já não tem mais aquele antigo futebol arte e não demonstra mais desempenhos convincentes. Segundo por não estarmos seguros se vamos, de fato, conseguir "entregar" uma boa Copa, diante das falhas que são recorrentes em nossos serviços, como os gritantes nos transportes áereo e terrestre. Porém mais relevante ainda que isso é a interrogação que assombra tanto o governo, que certamente não sabe o que o espera nesse momento tão crítico, quanto pelo povo, que está num dilema entre torcer, ser indiferente, ou protestar.
Gostamos de futebol, gostamos da seleção, e vamos sim torcer pelo Brasil (muitos de forma omissa, mas vão). Mas vai ser interessante acompanhar o mundo todo nos assistindo e nos visitando, num momento onde os grandes protestos que se iniciaram em Maio de 2013 estão voltando à tona. E junto com eles, aparecem as greves nos serviços essenciais. Vai ser interessante ver estádios padrão FIFA cercados de soldados, de batedores de tropas de choque e cordões de isolamento das polícias militares. O Brasil vai mesmo precisar, mais do que nunca, de um bom plano de contingência, até mesmo por conta dos riscos tradicionais, como ataques terroristas e atentados, como os que já têm acontecido ultimamente no Rio, por exemplo.

Quando nos candidatamos para ser país-sede não reclamamos de nada. Mas o intervalo entre a decisão do Brasil como país-sede e a aproximação da Copa, foi tempo suficiente para darmos um “click”, cairmos na real e vermos toda essa energia de Copa, que ocorre há décadas, de um ponto de vista mais crítico, ao menos dessa vez.

Vamos torcer? Vamos protestar? Vamos quebrar tudo?
Ou vamos ficar quietos conflitando entre a oportunidade de mostrar ao mundo que somos capazes de fazer a melhor Copa do Mundo e a oportunidade de mostrar pros nossos governantes de que não somos mais tão manipuláveis? Qual das duas tem mais valia diante do nosso cenário capitalista?

E nos estádios? Gritaremos o hino com raiva na esperança de sermos compreendidos pelas autoridades, ou ficaremos em silêncio, demonstrando extrema indignação, como feito pela torcida na final da Copa da Itália há algumas semanas? Tomem a atitude que tomar, cantem ou não o hino, acho que nada vai entristecer mais o torcedor dentro do estádio do que a lembrança de quanto ele pagou pelo seu ingresso, preço Padrão FIFA.
E se chegarmos à final no Maracanã? Vamos nos render a este momento único, sentar de frente pra TV e torcer pela “amarelinha”, ou vamos manter a firmeza nos protestos contra a corrupção?

Fonte: neriojunior.blogspot

De uma forma ou de outra, junho e julho de 2014 serão meses que ficarão marcados na história. Teremos a honra de vivenciar esse momento. E quando eles passarem, nos utilizaremos do nosso soberbo, ignorante, e carente “eu já sabia”, bem em sintonia com a sensatez brasileira, seja pra menosprezar um título ou debochar da desclassificação da seleção, ou mesmo para comentar um confronto de repercussão internacional entre a Força Nacional e ativistas conterrâneos.

Talvez a Copa não deixe uma boa imagem do nosso país mundo a fora e nem mesmo um legado em nossa infraestrutura. Mas para algo importante ela irá servir: pra nos mostrar que um país (e seu governo) é o reflexo do seu povo. E se seu povo está lutando por progresso, é porque nosso crescimento e amadurecimento como nação certamente está apenas se iniciando.
Mesmo que façamos uma pequena pausa para assistir um bom futebol.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tá cheio! Pega esse ou espera o próximo?

Esses dias, enquanto no elevador de um shopping cheio de escadas em Botafogo, parei para refletir como algumas pessoas tendem a ficar sensíveis por estarem em ambientes fechados e cheios. Agoniados todos ficam, mas sempre tem alguém pra desabafar - e só desabafar mesmo, pois esperar um mais vazio ninguém quer.

Nessas situações é batata nos depararmos com alguns fatos...

No Metrô
O transporte mais rápido da cidade é também o mais prático na hora do rush: você não precisa nem caminhar para dentro do vagão quando o metrô para. A muvuca que está atrás de você já faz esse trabalho. Apenas segure sua bolsa ou mochila e veja como é locomover-se sem precisar movimentar as pernas!
Isso se você estiver na Central. Na hora do rush pela manhã, você simplesmente não entra numa estação antes da Central. Olha que maravilha.

Dos que conseguem pular para dentro, outra praticidade: Não perca tempo procurando algo para se segurar. Você não vai ter espaço nem para mexer o dedo mindinho, muito menos para cair quando o maquinista der aqueles trancos pelos quais ele vive pedindo desculpas. No metrô costuma ter também aquela mulher que mesmo sem poder se mexer, faz questão de reclamar de quem quer que esteja bloqueando o braço dela de se segurar no ferro. Tem também aquele desavisado que vai descer mas só deixa pra se preocupar em se aproximar da porta quando o metrô já chegou na estação. Aí ele vê que está do lado de cá do vagão mas o desembarque é pelas portas do lado de lá.

No Trem
Essa empresa investia em campanhas contra o empata-portas
Apesar da foto meramente ilustrativa da estação de Saracuruna, no trem não enche tanto quanto no metrô. Mas fede o triplo, principalmente pelo cheiro de borracha queimada que sobe de algum compartimento daqueles barulhentos embaixo do trem.
Você ainda consegue se segurar em algum lugar, mesmo em meio àqueles barbudos que fazem questão de ficar com o braço aberto, para que o cotovelo deles fique bem na sua cara. No trem, raramente os autofalantes estão funcionando, então dê um jeito de olhar para fora para não perder sua estação. A não ser que você esteja num desses trens novos com uma locutora americana tentando falar português: "Prôcsima estassáo Engenro de Dent Ro".
No trem sempre tem uma atração: quando não é o ambulante vendendo barbeador, sorvete, doces, cervejas, batedeira elétrica ou vassouras, tem alguns fanáticos berrando no seu ouvido às 7 da manhã falando que Cristo é a salvação. Tem gente que prefere se salvar descendo na primeira estação e pegando outro trem, onde provavelmente vão se deparar com o terceiro caso, que é o do trem com o pessoal ouvindo ou pagode de homem traído, ou música gospel em seus radinhos que à 2 metros de distância só da pra ouvir pxxxxsstichhh – nada contra estes dois gostos musicais, apenas quanto ao ato de deixar o som alto ligado em ambiente fechado, independente do ritmo da música ou do tom da voz.

No Ônibus
No ônibus é mais "tranquilo" porque não tem empurra-empurra como no metrô. Em compensação, se meia-dúzia de sem educação parar logo após a roleta, ninguém passa pro fundão do ônibus, e o espaço é muito mal aproveitado.

460 - Leblon. Fonte: movimentopoliticodebrasilia.blogspot.com

Aí é fácil ver aqueles que começam a cochilar justamente quando sobe um idoso, ou quando veem que alguém de mochila está chegando. Segurar mochila de quem está em pé, pra muita gente, é um terror! Talvez seja quase igual a ter que levantar para ceder o lugar. Aí você é obrigado a ficar segurando a sua mochila, e ainda ouvir comentários daquele coroa com jeitão de esclarecido falando sobre a falta de educação das pessoas que estão de mochila dentro de um ônibus lotados daquele. Aí a resposta dos quizumbeiros já é padrão: "não gostou, pega um táxi meu senhor!". No ônibus tem aquela mesma turma do trem que gosta de andar ouvindo seu radinho que só sai pxxxsitxttixss.
Deve ser porque eles precisam pegar a integração ônibus-trem para chegar onde moram. Tem gente também que gosta de reclamar com o motorista: se ele está devagar, mandam acelerar. E se ele acelera, ficam cochichando que os motoristas não recebem treinamento. Outra coisa feia e de extremo egoísmo são os que reclamam quando o motorista para no ponto quando o ônibus está cheio. Como se quem tivesse feito o sinal pudesse abrir mão daquele transporte, naquele momento.

Vou ficar devendo a situação das barcas. Se alguém de Nikiti ou alguém que trabalhe por lá queira dar seu depoimento, fique a vontade.

Já que não vou falar da barca, para compensar, vou falar do elevador. Que aliás foi o grande motivador desse texto.
Para alguns usuários de elevador, os que são do primeiro ou do segundo andar têm que se danar e descer de escada. Ora bolas, se o elevador para no primeiro e no segundo, por que o pobre do cara que já trabalhou o dia inteiro não pode utilizá-lo?
Tem também a galera que pega o elevador que sobe pra não correr o risco de quando ele voltar descendo, não encontrá-lo lotado. Senão a galera dos andares superiores já tomou todo o espaço quando o elevador passar descendo nos andares inferiores. O cara do último andar, todo prosa, não deve entender muito bem de onde surge tanta gente. Mas beleza, faz parte.
Outra coisa é o pessoal que entra no elevador e gosta de ficar na porta. E se você pede licença para entrar ela reclama de "que esse pessoal não tem educação, que veem que está cheio e entram assim mesmo". Aí você é obrigado a responder que infelizmente não lançaram elevadores individuais no condomínio.
No caso do shopping de Botafogo, eu entrei de mochila no último espaço vago, e o senhor atrás de mim na fila fez questão de entrar também, me empurrando, se dando o direito de empurrar minha mochila, chupar bala e depois ainda reclamar da pobre coitada da mochila, que, se não estivesse nas minhas costas, não estaria em lugar nenhum, pois não tinha mais espaço - a não ser que eu ficasse de braços estendidos para o alto como se ela fosse um troféu, ou, sei lá, o Simba.

Soluções!!
Um sistema de elevadores mais inteligente pode resolver este último caso. Separando os elevadores que vão para os andares superiores dos que vão aos inferiores.

No metrô, existe um esforço em algumas estações, onde fiscais ficam espalhados pela plataforma, posicionados na direção de abertura de cada porta, organizando e facilitando embarque e desembarque.

Nos trens eu não vejo muita coisa além dos vagões de exclusividade para mulheres, cheio de guardinhas pra expulsá-lo se você entrar indevidamente. Mês passado mesmo fui expulso de um às 08:56. Ele disse que eu teria de sair do vagão, pois ainda não eram 9h. De fato, ele está certo. Só não sei se essa história toda que motivou a implantação do vagão feminino é o que podemos chamar de “bom senso” (...)

No ônibus, muita gente cobra o motorista pra que ele cumpra com os limites de passageiros escritos naqueles papeizinhos estrelados pelo Bonequinho Viu: 40 e tantos sentados e 30 e poucos em pé. Mas se essa regra for cumprida na prática, muita gente acaba ficando literalmente na pista. Pois a quantidade de ônibus nas horas de rush ainda é insuficiente pra atender tanta demanda.

De qualquer forma, todas as soluções acima são paliativas. As definitivas (e ao meu ver prioritárias), na verdade, são "simples":

1) Melhor distribuição dos espaços urbanos: por que não movimentar empresas do Centro para as Zona Norte e Oeste (ignoremos a Barra)? A grande massa vem de lá, ou de depois de lá, e quem tem despesas com o transporte que tanto faz a população perder tempo é a própria empresa!)

2) Investimento em infraestrutura de trânsito e transporte público, sem deixar de atentar para a preservação do nosso cenário urbano.

2097: Linha Amarela sentido Barra às 6 da manhã de segunda-feira - Fonte: coletivoverde.com.br

E enquanto esse sonho não se realiza, o que você pensa sobre esses casos inusitados?

- O motorista de um ônibus já lotado deve parar nos pontos, ou deve ignorar os passageiros de bairros "de passagem"?
- Vagões femininos nos trens e no metrô é uma medida justa?
- Pegar o elevador que sobe pra garantir lugar na descida pode ser considerado falta de educação?
- E o cara do primeiro andar, te perturba muito quando você vem direto lá do 15º e tem que parar justamente no 1º para ele entrar?
- E o povo das barcas? Algum outro registro?

Por enquanto ficamos com isso mesmo! Fonte: blogdofavre.ig.com.br

Abraço!!

sábado, 31 de março de 2012

Chico se foi, mas Bozó continua imperando

Para quem não conhece, Bozó foi um de centenas de personagens criados por Chico Anysio, que fazia questão de mostrar seu crachá de funcionário da Globo e achava que, por isso, era importante e poderia passar por cima dos outros mortais.
Não sei se a intenção foi essa, mas Chico, reafirmando o objetivo do humor perante a sociedade, bolou uma das críticas mais pertinentes que já pude admirar, e que ainda assim era positivo para a imagem da própria TV Globo.

Em um dos poucos episódios que pude assistir (e se alguém encontrar o vídeo peço que compartilhe pois vagamente me recordo), Bozó estava na Escolinha do Prof. Raimundo quando foi questionado pelo professor sobre algo que não era de seu conhecimento. Bozó replicou e se negou a responder, se desfazendo daquilo. Afinal ele trabalhava na Globo. E como já era esperado, seu ouvinte achou aquilo sensacional e começou a indagá-lo:

Bozó trabalha na Globo!
- O que você faz lá?!!?
- Trabalho na Ana Maria Braga.
- Legal, você é diretor dela?
- Não.
- Hum.... você é a Ana Maria Braga?!
- Não, eu fico do lado dela...
- Você é o Louro José?!!
- Não... quase isso!
- Você é o rapaz que faz a voz do Louro José?!?
- Não... eu sou o que troca o jornal quando o Louro faz suas necessidades...



Esse episódio retrata de forma brilhante o ar superior inspirado por milhares de funcionários (não só na Globo, mas várias empresas de ponta como Vale, Petrobrás, EBX) de cargos, digamos, populares, como se fossem grandes executivos ou estrelas. Não que estes possam, de fato, agir com soberba, mas na cabeça dos Bozós, eles devem ser assim.
E, pelo contrário, o que acaba-se vendo pelos corredores dessas empresas são gerentes, diretores e artistas que olham no olho, cumprimentam e agem com cordialidade, enquanto funcionários de cargos hierarquicamente inferiores, andam com suas camisas quadriculadas da Tommy Hilfiger, crachás no peito e narizes apontando para o teto com poses de estrela. Há ainda o tal hábito da avaliação do crachá, no qual desdenham dos que tem crachás de outras cores, como na Petrobrás onde os prestadores de serviços possuem crachás marrons, e na Globo, onde estes possuem crachás na cor branca.

Como reforcei, esse senso de pertencimento deturpado - causado involuntariamente por corporações de sucesso - talvez seja mais comum na Globo justamente pelo impacto que a marca Globo causa na maioria das pessoas, até mesmo nas que a criticam, e a repercussão que suas produções geram.
Mas em todas as grandes organizações é possível encontrar gente com tal comportamento, que andam pelas ruas e sobem nos ônibus com seus impecáveis crachazinhos no peito e suas cordinhas comerciais que estampam o nome das empresas de que tanto se orgulham em trabalhar. Moradores do Jardim Botânico e amigos de 460 ou 439 que o digam.

Compartilhar com amigos e família o prazer de fazer parte de uma grande organização, ter para si o crachá como medalha de uma grande conquista, ter empolgação com a empresa onde se trabalha e vestir a camisa é totalmente positivo - confesso que eu também faço. Mas agir como se fosse "A Empresa", ou como se isso o tornasse superior a alguém ou até mesmo a outros funcionários, é totalmente baixo. É trocar caráter e profissionalismo por status e falta de ética com a própria empresa.
O orgulho de se trabalhar numa grande corporação e a identidade que um funcionário possa vir a ter com a empresa requer controle, e é necessário que ele tenha cuidado consigo mesmo para não se tornar mais um Bozó, e acabar ficando até a sua aposentadoria como um, trocando jornais de baixo do Louro José.

Quem quiser ir mais a fundo, pode dar uma conferida nessa matéria que achei enquanto digitava esse post, do Globo, feita há pouco mais de um mês:


Abraço e comente sobre o que acha a respeito!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Saber REagir

As pessoas têm o costume de criar regras e métodos pra situações simples da vida e focam no saber “agir”. Há um tempo tenho notado que, muito mais do que agir, saber reagir aos desafios que a vida te prega é um fator muito mais importante e complexo no nosso dia-a-dia.
Ser chamado para uma entrevista é sinal de que você agiu e começou a procurar um emprego. Isso é o feijão com arroz. Você ser o contratado é sinal de que você soube como reagir da maneira correta àquela entrevista ou processo seletivo.
Você pode ver um casal de amigos brigando na rua e depois ficar comentando e julgando os dois com seus amigos. Você pode chamar os dois pra conversar. Você pode aconselhar um deles a se separar. Ou simplesmente deixar com que os dois se resolvam, pois conflitos amorosos são exclusivos de um casal.
Você pode ver quem você ama com outro ou outra. Pode chorar, pode cometer o mesmo erro, pode perdoar, pode ignorar e seguir em frente, pode se valorizar e partir pra outra sem se comover.
Você pode tomar um soco na cara, e impulsivamente devolver o soco. Também pode, ao invés de devolver o soco, ficar chorando, se lamentando durante dias. Ou pode dialogar e fazer se redimir quem te agrediu. Ou se não tem diálogo, chamar a polícia.
Ou seja, avaliar qual a reação correta, no momento certo, do jeito certo. Ter jogo de cintura e sabedoria em momentos críticos nos relacionamentos no trabalho ou em casa; se com bom humor, se com serenidade ou aspereza.

 
Sempre me achei um cara com um pouco de sorte por ter tido 2 décadas de vida bem tranqüilas, passando na primeira e única prova de vestibular, passando em todas as entrevistas de empregos participadas, conhecendo e convivendo com pessoas que agregam, e sabendo tirar do meu caminho pessoas indesejadas. Mas passei a ver um outro lado, onde na verdade esse fator não é a sorte. E também não apenas o saber como “agir”. Pois se olhar pra trás com cautela vejo um bando de problemas e fatos que encomodam e mostram que não foram 2 décadas tão tranquilas assim. Mas é justamente o “saber reagir” com naturalidade e jogo de cintura as “ações” da vida que surgem para TODOS, sem exceção. Além de ter iniciativa, ter sensatez e maturidade para crescer. É ser simples, e ver o lado positivo das coisas, por mais negativas que elas pareçam. Deixar a vida te levar, e também saber como levá-la.
Esse texto é pras pessoas em geral, mas não quer dizer que sou expert nesse quesito. É ao mesmo tempo pra mim mesmo. Que aliás estou sendo testado de uma maneira como nunca fui pela vida, numa penca de âmbitos: profissional, acadêmico, financeiro, familiar, amoroso, inter e intrapessoal.

Tenho que saber como reagir.