terça-feira, 20 de março de 2012

Comparativo entre os cursos de tecnologia

Em complemento à postagem anterior, onde fiz um rápido comparativo entre os cursos de graduação mais comuns na área de tecnologia, esbocei duas ilustrações com comparativos entre cada um desses cursos, dando uma noção de como cada um deles é conduzido pelas instituições acadêmicas. Não se pode afirmar com precisão se todos seguem essa regra, mas a realidade é mais ou menos a apresentada.


Na primeira figura, quanto mais comprida a ilustração, mais áreas de conhecimento são abrangidas pelo curso, e quanto maior a altura, maior o nível de aprofundamento nas áreas em que o curso aborda.

FIGURA 1 - Abrangência e aprofundamento dos cursos de Tecnologia
Elucidando um pouco mais - e ressaltando que não estamos comparando o conteúdo em específico entre cada um deles, e sim o nível de abrangência e de aprofundamento que cada um costuma ter - podemos ver que os cursos de Ciência da Computação e de Tecnologia da Informação são os mais abrangentes, com o diferencial de que o primeiro abrange mais áreas de conhecimento, enquanto o segundo é ligeiramente mais específico nos assuntos que aborda.
Os cursos de Engenharia de Software e de Análise de Sistemas são cursos "igualmente mais específicos", no entanto o primeiro aborda mais conhecimentos que o último. Enquanto Web Design - que ao meu ver atualmente já tem grande parte do seu conteúdo abordado em Análise de Sistemas - e Redes de Computadores - que  possui uma grade mais enxuta no entanto é tão específico quanto os anteriores - aparecem por último dentre os principais cursos.

Agora sim já comparando o conteúdo que estes cursos possuem em comum, viajei mais um pouco e ilustrei um comparativo entre eles na figura abaixo:

FIGURA 2 - Comparativo dos conteúdos abordados por cada um dos cursos

 Apesar do susto inicial, é simples de visualizar. Redes e Web Design são cursos que abordam tópicos mais exclusivos, mas que outra grande parte é abordada pelos demais cursos. Engenharia de Software aborda todos os tópicos de Análise de Sistemas; onde o conteúdo de ambos é grande parte do assunto abordado em TI. A diferença é que TI aborda assuntos mais voltados a gestão, governança e tecnologia em geral, e os dois anteriores são mais voltados a desenvolvimento de softwares. Por último, vemos a base formada pelo curso de Ciências da Computação.

 É simples concluir: quem deseja se especializar em alguma área de tecnologia mas ainda não definiu o quê, Ciências da Computação é o mais completo.
Quem está na mesma situação, mas procura um rápido retorno e precisa de um curso menos teórico, Tecnologia da Informação é a opção.
Quem já está decido a trabalhar com algo em específico, os outros cursos são as melhores opções:
Para o mercado de software, Análise de Sistemas é o mais rápido, no entanto Engenharia de Software aborda mais conceitos é dá ao profissional um título de maior status.
Além de conhecimentos em Redes, o curso de mesmo nome também dá melhor bagagem para quem quer trabalhar com infraestrutura e arquitetura de TI, no entanto estas áreas abrem portas também para os profissionais de outros cursos.
E quanto ao Web Design, sugiro entrarem em Análise de Sistemas e só então se especializar em front-end, como comentei na última postagem.

É isso. Façam sua escolha e entrem para um mercado que está em alta!!

sábado, 17 de março de 2012

Graduações em TI

Bom, essa é uma coletânea que vou dividir em diversas postagens e é para a galera que não atua mas tem interesse por tecnologia/informática, e também para aquele pessoal que enxerga os profissionais da área de tecnologia simplesmente como os caras que "mexem com computador". Tal afirmação não chega a ser uma inverdade, mas por se tratar de um mundo em grande parte abstrato/virtual – ou seja lá o termo que eu deveria utilizar - no fim das contas uma pessoa normal (afinal loucos somos nós) não consegue ter visibilidade alguma sobre o que desempenhamos e a gama de caminhos e especializações que podem ser obtidas numa carreira que envolva algo tão comum atualmente como "computadores".
E no fim das contas quando o cara se forma a família acha que ele vai trabalhar consertando computadores e instalando modems wireless por aí.

A seguir um breve descritivo e comparativo entre os cursos de graduação na área de TI:

Ciências da Computação - como o nome já sugere - é o mais teórico deles e abrange desde disciplinas do tipo História da Informática, Cálculo I, II, III,VIII, XX, até disciplinas mais técnicas como Inteligência Artificial e etc. Como já disse meu amigo Sergio Bittencourt, é uma extensa piscina de conhecimentos com um palmo de profundidade. A vantagem é que ele pode abrir portas para qualquer área da tecnologia.

Análise (e Desenvolvimento) de Sistemas (ou Sistemas de Informação) é um curso mais específico e prático que abrange disciplinas voltadas à criação (desenvolvimento) de sistemas, e seria no caso a pequena piscina de conhecimentos mas com grande profundidade nesse assunto. Esse é o curso que faço e indico para a galera que já está decidida a trabalhar especificamente com criação de software (lógica, código, diagramas e tabelas!).

Tecnologia da Informação, que em minha opinião é o mais versátil deles e o que eu deveria ter cursado, aborda conteúdos mais abrangentes da informática, como segurança da informação e governança, só que de maneira mais voltada para o mercado. Ou seja, não é tão específico como um de Análise de Sistemas, e também não tão teórico quanto o de Ciências da Computação.

O que talvez seja o de maior status, Engenharia de Software, abrange todos os conhecimentos de Análise de Sistemas, só que não foca apenas a prática. A teoria também é valorizada e o curso abrange disciplinas que focam na área de gestão e todas as outras que um curso de engenharia possui (Cálculos mil, Gestão de Projetos e etc).

Tem também o Web Design. Que a meu ver está sendo mesclado por não ser mais o simples aprendizado de ferramentas de desenhos/efeitos, mas sim desenvolvimento de código. Justamente o que já é ensinado em Análise de Sistemas, só que agora em duas categorias: enquanto este já desenvolvia o back-end (código que processa as informações e dá lógica a um sistema), aquele(Web Design) passou a fazer parte deste(Análise de Sistemas) também com desenvolvimento, só que do front-end (código que faz a interface com o usuário ser mais amigável).
Ou seja, o back-end faz com que sua linha do tempo no facebook veja informações apenas de quem é seu amigo (o que é o coerente), e o front-end faz com que sua linha do tempo no facebook vá atualizando automaticamente, bonitinha, com efeitos agradáveis (o que é atraente e melhora a experiência de uso).

Há quem confunda Web Design com Design Gráfico. Mas como o próprio nome já diz, o primeiro visa a implementação para a web, e o último abrange desde atividades normais de desenho (para revistas, jornais, ou mesmo portais na internet) até a criação de novos produtos/conceitos. O comum entre os dois é que ambos partem da computação gráfica (o que já puxa uma série de outros cursos como Desenvolvimento de Jogos, Animações para Cinema e TV, e etc).

E por último, um que não pode ser esquecido é o curso de Redes de Computadores. Não é tão comum por abordar muitos conceitos de Telecom (não que isso não se relacione com tecnologia...). Mas o que vejo mais são profissionais já formados em Telecom ou Tecnologia fazerem uma especialização e aí assim passarem a atuar com Redes. Na verdade todos os cursos acima possuem disciplinas sobre Redes, mas a fração dos profissionais que saem destes outros cursos de tecnologia para atuar direto com redes é menor. Não preciso dizer que o foco do aprendizado é a infraestrutura de redes de computadores e a comunicação entre LANs/VLANs.

No final das contas não há muita diferença para as empresas na hora de contratar um profissional de um curso ou de outro. Com um diferencial, é claro, para Engenharia de Software pelo simples fato de conceder o título de engenheiro.
No entanto, as especialidades são tantas e as mudanças são tão rápidas, que é comum que exista um gap entre universidades e mercado de trabalho. Consequentemente, o que vai contar mesmo é o perfil e o interesse do profissional, e não qual curso de tecnologia ele fez. Mas a realidade é que todas essas áreas formam uma base semelhante, onde os diferenciais que surgem dependem da própria vontade do aluno em se atualizar, independente do curso. As oportunidades são muitas, em todas as áreas da tecnologia.
 
Falados os cursos, volto depois para falar sobre os cargos de tecnologia e suas atividades!
Discordem, corrijam, acrescentem, comentem!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um faminto no Subway

Um faminto leva mamãe pra conhecer o Subway, no Méier...

- BOA NOITE, NÃO ESTAMOS ACEITANDO CARTÕES!
Penso: Logo quando ia usar o ticket! Saio da fila, saco o dinheiro e volto com a fila 2 vezes maior com o fim do Bota x Fla:
- da pra ligar o ar, pelo menos?
- está com defeito senhor!
- não tem ar, não tem cartão... tem sanduíche??
- depende! qual o senhor vai querer?
- frango com cream cheese.
- tem sim. qual pão?
- ufa, pelo menos isso! três queijos de 30cm.
- não temos três queijos, senhor!
- parmesão com orégano ¬¬
Atendente pega um pão de parmesão com orégano minúsculo, com metade do volume dos pães normais e prepara o sanduíche:
- ESQUENTA?????
- esquenta.
- o forno está com defeito, senhor. pode ser frio?
- está escrito no visor do forno "ambient overheat", deve ser pq o ar está desligado.
- mas o ar está com defeito, senhor.
Gabriel observa a atedente deixar o sanduíche cair no chão e iniciar uma discussão com uma colega de trabalho.
- da pra vocês pararem de discutir de quem é a culpa e fazer outro pq já estou aqui há 20 minutos?
- você quer que eu faça outro, senhor?
- óbvio, ou vai querer que eu coma esse embaixo do seu pé?
- ok senhor. qual o pão?

(2 minutos depois)

- cara, o gerente ta aí?
- sim. BREEEEENO!! CLIENTE TÁ CHAMANDO!!
- Fala Breno, blz? Po cara... tem que por um ar aí. Olha esse calor. Pessoal ta pingando de suor ali atrás desse balcão. O forno não funciona, não aceita cartão, não tem pão, os que têm estão pequenos...
- Poxa meu amigo, você está certo... cheguei aqui tem três dias, e...
- SENHOR, QUAL MOLHO??
- parmesão, azeite, vinagre e sal.
- não temos vinagre!!!
- Olha aí Breno, não tem nem vinagre!!!
- Pois é meu amigo, amanhã nosso fornecimento vai estar regularizado.
- SENHOR, ALGUMA BEBIDA???
- refrigerante de 700 por favor.
- não temos copo de 700!!!! pode ser de 500 senhor??
- Pode. Po, Breno! Mais essa, kra?!
- é que...
- SENHOR. FORMA DE PAGAMENTO???
- ué, mas não está só aceitando dinheiro??
- Pode ser no Sodexo também.
- Mas você não falou no início que não aceitava cartões!!
- Apenas os de débito e crédito. Sodexo aceita, senhor.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Área fim ou área meio?

Ao ingressar no mercado de trabalho ou mesmo ao procurar um novo emprego, geralmente um profissional busca ou bons salários, ou uma empresa de renome que valorize seu currículo. E se ambos os casos forem possíveis, melhor ainda.
Mas um questionamento que deve ser feito em complemento a esses dois quesitos e muitas vezes é ignorado, é com relação ao papel que o profissional vai exercer dentro da empresa e as conseqüências - positivas e negativas - que sua decisão pode lhe proporcionar.

Usando a área de TI como exemplo, temos os seguintes cenários:

TI como atividade fim: Profissionais que irão criar soluções para o mercado, vendendo produtos e serviços de software (programas de computador) ou hardware (equipamentos de informática) para outras empresas. Exemplo: Engenheiro de Software que trabalha na IBM.

TI como atividade meio: Profissionais que irão tomar decisões e definir estratégias de implantação de soluções de tecnologia que melhor apóiem o negócio (área fim) da sua empresa. Exemplo: Engenheiro de Software que trabalha na Chevrolet.

Esses 2 “cenários” se enquadram em qualquer ramo; como o publicitário que trabalha no departamento de marketing de uma rede de hospitais e um médico que trabalha no departamento de RH de uma empresa de publicidade (ou seja, ambos exercendo atividades meio), ou por fim um publicitário que trabalha de fato numa empresa de publicidade e um médico que trabalha em um hospital (agora ambos exercendo atividades fim).

Não existe uma opção que seja a mais adequada, pois a decisão vai depender do perfil do profissional, e quais interesses ele tem pra sua carreira, pois ambos os cenários trazem benefícios, que podem ser mesclados com outros quesitos e até servir de diferencial na hora de optar por um emprego ou outro ou até definir que área de conhecimento seguir dentro da sua formação.

A seguir temos as conseqüências, boas e ruins, ao se trabalhar em ambos os cenários:

Profissionais atuando em áreas meio:
Com a forte tendência de terceirização das áreas meio, esses profissionais geralmente ocupam poucos cargos dentro da empresa. Cargos estes que têm muito mais o papel de representar a empresa como cliente e gerir as atividades realizadas por terceiros ou vendidas por fornecedores, traçando estratégias e defendendo os interesses de negócio da empresa, ao invés de colocar a “mão na massa” nas atividades. Portanto, a tendência é de serem profissionais que:

- Atingem cargos de gestão com mais facilidade;
- Têm maiores salários em longo prazo;
- Têm perfil generalista (conhecem vários assuntos, superficialmente);
- Por atuarem em áreas meio, são menos valorizados dentro da empresa, tendo menos poder de influência no planejamento estratégico.
- Têm menos chances de ocupar cargos do alto escalão, pois fazem parte de setores que apenas apoiam o core-business da empresa;
- Têm, no entanto, maiores chances de praticar o networking;
- O salário pode demorar mais a aumentar, mas em longo prazo, é o perfil de profissional que tende a ganhar maior remuneração.

O essencial nesse caso, é que o profissional atue em uma empresa de renome, pois, como terá mais chances de atuar com gestão do que atuar com alguma especialidade, o que irá valorizá-lo no mercado não são os conhecimentos específicos, mas sim a diversidade de desafios que a corporação o impôs. Entretanto, é importante que busque um diferencial, se especializando em alguma área de conhecimento.

Profissionais atuando em áreas fim:
Podemos dizer que estes profissionais são as estrelas. Apesar do status dentro da empresa, geralmente têm um nível de cobrança muito maior que os demais que atuam em áreas meio. No entanto, a remuneração - e eventuais bonificações – também tende a ser maior. E como fazem parte do core business, eles são o coração da empresa. Seus cargos não podem ser ocupados por terceirizados. Portanto, a tendência é de serem profissionais que:

- São valorizados dentro da empresa, o que aumenta as bonificações e sua visibilidade;
- Têm maiores chances para ocupar um cargo do alto escalão, pois são especialistas no que é vendido pela empresa;
- Têm perfil especialista (conhecem profundamente de um determinado assunto);
- Não têm, na maioria dos casos, perfil para assumir cargos de gestão, o que pode ser um limitador em suas carreiras, tendo de atuar sempre na mesma área específica;
- Têm mais chances de se recolocar/encontrar melhores oportunidades no mercado de trabalho.
- O salário pode aumentar de maneira mais rápida, mas a tendência é que a longo prazo tenha remuneração menor do que os com perfil de gestão.

O profissional que atua em área fim, geralmente não precisa focar em qual empresa irá trabalhar, mas sim o que de conhecimento técnico ele poderá agregar dentro da corporação. Pois é isso que o valorizará no mercado. De qualquer forma, se conseguir unir o útil ao agradável, trabalhando na área fim de uma grande empresa, o sucesso é certo.

Concluindo, caso ainda assim haja dúvida; o ideal sempre é buscar primeiramente empresas menores que consequentemente te farão agregar maior conhecimento (pois você terá mais responsabilidades), para depois buscar empresas de renome. Pois se você pode crescer e ganhar títulos maiores em empresas pequenas de maneira mais rápida, por que tentar o caminho mais longo numa grande empresa onde a competição é bem maior?

É claro, os pontos apontados não são uma regra, pois muitos fatores influenciam nesses cenários, como tamanho e cultura da empresa, tendências de mercado, desempenho do profissional, etc. E principalmente, o perfil do profissional, e que tipo de atuação o mesmo vai querer ter: o que diz aonde se deve chegar, ou o que sabe como chegar? O médico da melhor rede de hospitais da cidade, ou o médico da Toyota? Trabalhar com planejamento de projetos de TI variados, ou trabalhar em projetos desenvolvendo sempre a mesma especialidade?

A escolha é nossa – e pode ser crucial!